Claridades do Sul
*A Lyra de Nero*
Nos seus jardins pagãos, entre archotes humanos, Na lyra de marfim sobre as cordas douradas, Nero vinha cantar ás noutes estrelladas,
Elegias d'amor e canticos thebanos.
Essa lyra do Mal que ouviram os romanos, Que cantou entre o fogo, as casas abrazadas, E os lutos, os truões, as ceias depravadas, Que mysterios não viu, medonhos e profanos!
E, no emtanto, apesar da sua historia triste, Se os tempos tem corrido, a Lyra ainda existe Do devasso real, do lyrico histrião…
Seu canto inda nos prende e ouvimol-o sem susto, E, ó Terror! ó Terror! eu que amo o Forte e o Justo, —Ouço-o ás vezes tambem, dentro do coração! *MYSTICISMO HUMANO*