Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 7 de 138

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Claridades do Sul

*A Lyra de Nero*

 

Nos seus jardins pagãos, entre archotes humanos, Na lyra de marfim sobre as cordas douradas, Nero vinha cantar ás noutes estrelladas,

Elegias d'amor e canticos thebanos.

Essa lyra do Mal que ouviram os romanos, Que cantou entre o fogo, as casas abrazadas, E os lutos, os truões, as ceias depravadas, Que mysterios não viu, medonhos e profanos!

E, no emtanto, apesar da sua historia triste, Se os tempos tem corrido, a Lyra ainda existe Do devasso real, do lyrico histrião…

Seu canto inda nos prende e ouvimol-o sem susto, E, ó Terror! ó Terror! eu que amo o Forte e o Justo, —Ouço-o ás vezes tambem, dentro do coração! *MYSTICISMO HUMANO*