Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 10 de 138

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Claridades do Sul

*A Bella Flor Azul*

 

Quem saberá «signora» d'onde terá nascido esse bello lyrio branco?

(Velha Comedia Italiana)

 

Eu não sou o fatal e triste Baudelaire;

Mas analyso o Sol e decomponho as rosas, As rijas e crueis dahlias gloriosas,

—E o lyrio que parece o seio da mulher.—

Tudo que existe ou foi, morre para nascer; Na campa dão-se bem as plantas graciosas, E, um dia, na floresta harmonica das Cousas, Quem sabe o que serei quando deixar de ser!

A Morte sae da Vida—a Vida que é um sonho! A flor da podridão, o Bello do medonho

E a todos cubrirá o mystico cypreste!…

E, ó minha Sphinge, a flor pallida e azul no meio, Que hontem tinhas no baile, e que trouxeste ao seio Levantei-a d'um chão onde passára a Peste.