Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 106 de 138

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Claridades do Sul

*A Valentina de Lucena*

 

Eu tambem já em tempos não distantes,

Fiz versos sensuaes e namorados,

Aos occasos de luz ensanguentados,

E á meiga e boa lua dos amantes.

E escrevi pelos albuns elegantes

Idyllios em papeis assetinados,

E, como a luz dos ponches inflammados, Fiz odes ideaes e extravagantes.

Mas hoje emfim mudei, e inda ha bem pouco, A diva por quem choro e vivo louco,

—A flor, a flor ideal das maravilhas…

A minha deusa de cabello preto…

Pediu-me, rindo, a graça d'um soneto,

—E eu mandei-lhe uma caixa de pastilhas!