Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 74 de 138

Páginas do PDF

Claridades do Sul

*O Doente Romantico*

 

Eu sei que morrerei, discreta amante,

Antes do inverno vir; mas, lentamente,

Quero morrer á tua luz radiante,

Como os tisicos á luz do sol poente!

Sou romantico assim! O tempo ardente

Das chimeras vae longe! Vão, constante, Morrerei crendo em ti… e o azul distante

Olhando como um sabio ou um doente!…

—Mas, eu não preso a tarde ensanguentada… Nem o rumor do Sol!—quero a calada

Noute brumosa junto do Oceano…

E assim, sem ai nem dôr, entre a neblina, Morrer-me, como morre a balsamina,

—E ouvindo, em sonho, os ais do teu piano. *QUADRA D'UM DESCONHECIDO*