Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 24 de 138

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Claridades do Sul

*As Cathedraes*

Como vos amo ver ó cathedraes sosinhas, A recortar o azul das noutes constelladas! Erguidos corucheus, mysticas andorinhas, —Ó grandes cathedraes do sol ensanguentadas!

Como vos amo ver, pombas alvoroçadas! Ogivas ideaes, anjos de puras linhas,

E ó criptas sem luz, aonde embalsamadas Dormem de mãos em cruz as santas e as rainhas!

Em vão olhaes o Ceu sagradas epopeias! Flores de renda e luz, d'incenso e aromas cheias, Aves celestiaes banhadas da manhã!

Em vão santos e reis, ó monges dos desertos! Em vão, em vão resais, sobre os livros abertos, —O Ceu por que chorais é uma ficção christã!