Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 18 de 138

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Claridades do Sul

*O Buda*

(De Catullo Mendés)

 

O Budha scisma, as mãos sobre os artelhos.

Aquelle então que ouvira os seus conselhos Diz:—Mestre! os que não foram resgatados Do Mal, são como uns ceus anuviados!

Aos povos que d'aqui moram distantes,

Para que a Lei não errem, ignorantes,

Consente que affrontando os soes e os frios, Montes, rochas, passando a nado os rios, Teu grande dogma, ó Mestre, eu vá prégando!…

—Mas se elles, corta o Budha venerando, Te insultarem, eleito! que dirás?

—Direi só:—estas gentes não são más,

Pois vindo-lhes prégar de terra alheia,

Não me atiram aos olhos com areia,

Nem me espancam e ferem com pedradas! *NO CALVARIO*

—Mas se as gentes, acaso, allucinadas

Te espancarem, causando graves damnos?

—Estes povos, direi, são muito humanos, E ha doçura n'aquelles corações;

Pois quando erguiam pedras e bastões

Contra uma creatura tão mesquinha,

Não tiraram a espada da bainha.

—Se o ferro te ferir?

—São bons, de sorte

Que me ferem, sem querer-me dar a Morte!

—Se morreres?

—A morte é grande esmolla!

—Vae pois, o Budha diz, salva e consolla!