Claridades do Sul
*A Lanterna*
O sabio antigo andou pelas ruas d'Athenas, Com a lanterna accesa, errante, á luz do dia, Buscando o varão forte e justo da Utopia, Privado de paixões e d'emoções terrenas.
Eu tambem que aborreço as cousas vãs, pequenas E que mais alto puz a sã Philosophia,
Ha muito busco em vão—ha muito, quem diria! O mais cruel ideal das concepções serenas.
Tenho buscado em balde, e em vão por todo o mundo; Esconde-se o ideal no sitio mais profundo, No mar, no inferno, em tudo, aonde existe a dôr!…
De sorte que hoje emfim, descrente, resignado, Concentrei-me em mim só, n'um tedio indignado, E apaguei a lanterna—É só um sonho o Amor! *ULTIMA PHASE DA VIDA DE D.