Dias Vazios
OdinRights
DADOS DE COPYRIGHT
Sobre a obra:
a
A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura.
É expressamente proibida e totalmente repudiável a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente conteúdo
Sobre nós:
O Le Livros e seus parceiros disponibilizam conteúdo de dominio publico e propriedade intelectual de forma totalmente gratuita, por acreditar que o conhecimento e a educação devem ser acessíveis e livres a toda e qualquer
pessoa. Você pode encontrar mais obras em nosso site: lelivros.com ou em
qualquer um dos sites parceiros apresentados neste link.
"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais
lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir
a um novo nível."
logo
Barbara Nonato
Esta é uma obra de ficção.
Copyright © 2019 Barbara Nonato
Todos os direitos reservados.
Contato com a autora através do e-mail: barbaranonato@yahoo.com.br.
No Facebook: Barbara Nonato - Autora
No Instagram: @barbaranonato_escritora
Dedico esta história às muitas vozes que estão por aí, pelo mundo, e que
precisam ser ouvidas; e às muitas pessoas que precisam ser vistas.
E ao Chewie, o sábio, que deitava nos meus pés enquanto eu lia, mas
precisou viajar no tempo às vésperas do lançamento deste livro. Foi pouco,
mas foi muito, Porrito.
- Barbara Nonato -
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"...
(Milton Nascimento)
____________________
Era um sonhar sem fim, que não terminava e a cada vez que eu acreditava estar prestes a acordar, cada vez em que eu me sentia mais próxima daquela provável realidade física, outro sonho começava e eu mergulhava no espaço onírico novamente. Durante o sonho, às vezes eu ouvia vozes, não via ninguém, mas sabia que havia pessoas ali, apesar de aquelas vozes não falarem comigo. Falavam entre si, cantarolavam solitárias, pareciam falar ao telefone, mas comigo não. Algumas destas vozes me soavam como conhecidas e talvez o fossem; outras eu não me recordo de ter ouvido antes, mas elas eclodem com alguma frequência durante o sonho, como se estas vozes estivessem sempre habitando meu inconsciente, como se transitassem nesta realidade desconhecida, apesar de eu não conseguir alcançá-las. Não sei se os donos das vozes me viam, se viam, acho que me ignoravam. E ouço portas no sonho. Barulho de portas abrindo ou fechando, barulho de elevadores ou coisas sendo levadas em carrinhos. Às vezes, correria, falatórios incomuns, ou gritos, ou choro. Em outras vezes, intermináveis bips mecânicos, ora curtos e repetitivos, ora contínuos. E eu apenas tentava acordar, mas não conseguia. A cada tentativa, mais um sonho nascia, me privando daquela possibilidade de realidade. E eu sonhava as coisas mais loucas, mais estranhas, mais esquisitas. Despencava em abismo disforme.
Era complicado ter que enfrentar uma noite tão longa e eu não me lembro de ter vivenciado outra semelhante. Já sonhei com meus pais, com meu cachorro ainda filhote; sonhei com aulas de física sendo dadas pelo professor de geografia; sonhei com uma rua escura e dois olhos sinistros me acompanhando para depois cederem espaço a uma explosão que quase me despertou, mas não fora grande o suficiente. Após este sonho, continuei dormindo. Sonhei com ratos, gordos e sujos, que me mordiam o pé direito e, por mais que eu me mexesse e tentasse puxar meu pé, não o conseguia. Nem mesmo esta agonia foi capaz de me despertar, eu senti cada mordida e tive a impressão de que lágrimas me inundaram o rosto. Se havia alguém ali velando meu sonho, este alguém não me viu chorar.
____________________