Dias Vazios

Barbara Nonato · Capítulo 28 de 36

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Dias Vazios

Capítulo 27

 

 

O aparelho de telefone vibrou dentro do bolso da calça de Afonso que, certo de que se tratava de mais uma cobrança da esposa, não deu-se ao trabalho de ler a mensagem. Deixaria para depois.

Estacionou o carro em frente à fachada do clube, lembrando-se da fotografia que retratava o grupo e que fora tirada ali anos antes. Na ocasião nenhum deles imaginava as mudanças que estavam por vir. Depois, ele e Rebeca entraram, encontrando Daniel que aguardava na recepção pelo retorno do administrador.

— Conseguiu alguma coisa? - Afonso foi incisivo.

— O administrador está tentando localizar as filmagens do baile de 2006. Eles têm tudo em arquivo também, assim como as fotos, mas este material quase não é usado então, ele não sabe exatamente onde está.

— Ah! - Rebeca protestou. — E ele não poderia ter dito isso antes?

— Foi o que pensei, mas acho que ele não nos levou a sério da outra vez em que estivemos aqui e por isso não falou sobre estas filmagens...

Era mentira.

O homem aceitara remexer os arquivos e buscar os DVDs mediante a generosa oferta de Daniel, muito empenhado no caso, de custear todo o champanhe da festa. O cheque, de valor altíssimo, já estava assinado e muito bem guardado dentro de sua carteira, mas o médico achou melhor omitir este fato de seus amigos.

— Não sou eu quem vai se prender a detalhes, não mesmo - ele pensava, enquanto resgatava dois discos na sala da diretoria. — Não tenho nada a ver com isso, nunca tive. Doze anos é tempo mais que suficiente para fazer um acordo cair por terra e, considerando a qualidade das imagens, não acredito que alguém possa ser identificado no vídeo. Esse pessoal está insistindo muito e se eu não fizer algo que possa satisfazê-los, vou ter problemas. Entre manter palavra que não é e nem nunca foi minha e ter bebida de qualidade na festa, fico com a segunda opção. Aqueles merdas nunca me deram nada...

Alguns minutos depois o administrador surgiu na recepção. Ele trazia discos nas mãos.

— A gravação deve estar nesses discos, vejo pela descrição nas capas. Mas, será necessário que assistam aqui. Não posso permitir que o material saia do clube...

— Quanto a isso, não há problemas. Estou com um notebook no carro e podemos usá-lo para assistir às gravações sem ocupar seus equipamentos e sem interferir na rotina do clube.

Daniel foi até seu carro e trouxe o notebook. Depois, sentaram-se os três no refeitório do clube, pois ali a movimentação de pessoas transitando àquele horário era menor.

— Vocês não acham mesmo que vamos assistir ao vídeo aqui, não é? -Ele perguntou, acionando um programa que copiava conteúdos.

— E não vamos? É o único jeito... O homem disse que os discos não podem sair do clube.

Foi a inocência de Rebeca que sempre encantou Afonso, já para Daniel, não se tratava de inocência; àquela altura dos acontecimentos era displicência.

— Claro que não - o médico respondeu. — Não estamos assistindo a um comercial de margarina, Rebeca. Estamos buscando pistas e não vai ser uma simples vista d'olhos que vai revelá-las. Estas gravações devem ser analisadas minuciosamente, com muita calma e não por uma parte de nós, mas pelo grupo inteiro. Todos podem ter o que acrescentar, todos podem vir a recordar de algo ao assistir isto. Vou copiar os arquivos e nós vamos fingir que não há nada de interessante nos vídeos. Mais tarde, em casa, veremos tudo e com todos reunidos.

— Isso é roubo, mas não vai ser o advogado aqui, que deixou de cobrar o mandato de um policial, que vai questionar esta situação - Afonso informou, debochando e sua própria falha e depois se lembrou: — Ah!... Temos visita. O marido da Luciana chegou pela manhã. Ana Paula me avisou pelo aplicativo de mensagens. Parece que a presença dele causou desconforto aos demais.

Afonso não fazia a menor ideia da mensagem que o aguardava dentro de seu bolso, na tela do telefone celular.

Daniel, apesar de saber que o homem havia telefonado para a casa de Dona Amélia, não deu muita atenção ao comunicado feito por Afonso. Seu objetivo ali era obter cópias dos discos sem que o administrador suspeitasse. O que quer que o marido de Luciana tivesse causado teria que ficar para mais tarde.

 

Na mesa do almoço o silêncio imperava. A presença de Nilo, por mais que o homem tentasse agradar, era ofensiva, incômoda. Luciana sequer tinha forças para levar o garfo à boca e Jamile, que continuava em jejum e já percebia que seu estômago estava menos avantajado, apesar de fraca, de uma poltrona próxima mantinha-se atenta ao seu redor. Remexer o passado realmente não lhe fazia bem.

— Não acredito que você não vai almoçar - Nilo dirigiu-se a ela em determinado momento, quando ele já servia-se do segundo prato. — Tudo isso pra manter a forma? Você está bem assim, bem bonita, com curvas boas pra pegar... - ele a cobiçava, seus olhos voltados diretamente para o decote de Jamile, desceram pelo restante do corpo da moça.

— Só não sinto fome - ela respondeu tentando encerrar o assunto e sem encará-lo diretamente.

Não adiantou.

— Mulher boa precisa ter carnes... Precisa ter o que mostrar, precisa ter curvas para serem apalpadas. Veja Luciana, por exemplo... Minha mulher é magra, quase uma caveira e talvez seja por isso que não pega barriga. Falta sustância! - Ele levantava a voz. — E eu acho que o fato de você ter sido gorda como uma porca na adolescência, não significa que, agora que parece normal, não possa comer, não é?

E Nilo riu, aquela risada nojenta que em casa matava a esposa de medo, mas ali a matara de vergonha.

Agora que parece normal... Gorda como uma porca... O eco da voz de Nilo estilhaçou os tímpanos de Jamile. Ela sentiu asco.

Luciana notou que a máscara usada pelo marido começava a cair. Ele não conseguiria ser gentil por muito tempo, ao menos não com os amigos dela, de quem fazia questão de impor seu afastamento. Como se fosse possível pedir desculpas só com o olhar, ela encarou Jamile e viu que lágrimas brotavam nos olhos da moça.

Nilo também viu.

— Ué! É frouxa? Precisa chorar só porque a chamei de porca gorda? Ah!... Coisas de mulher, sempre fracas, sempre inferiores e sem qualquer condição de escutar umas verdades - ele mantinha o tom irônico.

Se havia algo que alimentava Nilo mais que um segundo - ou terceiro -prato de comida, era perceber que havia magoado alguém e se fosse uma mulher, tanto melhor. Frente às mágoas causadas, o sadismo do homem adquiria formas, ganhava asas e crescia. Nilo era doente. Dali pra frente a tendência era piorar.

Mundo interveio:

—Acredito que você possa ter ofendido nossa amiga, Nilo. Peço, por favor, que guarde algumas opiniões pessoais só para você. Ninguém, em momento algum, tem intenção de causar discórdia ou constrangimento nesta casa.

— Claro! Nada de discórdia - a ironia de Nilo virou sarcasmo. — Vamos apenas celebrar a amizade, correto? - E levou mais uma garfada generosa à boca, deixando que grãos de arroz caíssem ao redor do prato.

Puta merda, cadê Afonso que não chega? Eu quero ir embora, ir pra casa... -, era o que Ana Paula, fragilmente tocada com as palavras do homem, pensava. Era certo que desentendimentos aconteciam entre eles, mas Nilo era uma pessoa que podia ser considerada de fora e ela sentia que o grupo tinha sido invadido; era como se ao permanecer ali, ela compactuasse com toda aquela atrocidade.

Jamile levantou-se e seguiu para o andar de cima, convicta de que só sairia de seu quarto após a chegada de Daniel e após providências serem tomadas em relação à presença daquele homem. Quem era ele para lhe jogar o passado na cara? E porque Luciana havia contado ao marido sobre seu excesso de peso? A forma como ele falara soava diferente das brincadeiras de Lionel, muito diferente. Contudo, havia mais, não foi somente a ofensa. O homem incomodava Jamile até mesmo quando estava com a boca fechada e para ela, era como se houvesse algo de escuso nele, além de seu comportamento sórdido.

A situação era vergonhosa. A vergonha, contudo, não impediu Luciana de raciocinar. Nilo não conhecia seus amigos pessoalmente e durante todos aqueles anos, o pouco contato que tivera foi com Fernanda, através das ligações telefônicas que ele atendia ou, em sua perspectiva, interceptava. Ela não se recordava de ter mencionado o excesso de peso de Jamile. Ou será que havia falado? Em meio ao problema de violência doméstica que estendia-se por tantos anos e das poucas vezes em que ele lhe ouvira e dera atenção, como lembrar-se da possibilidade de ter feito um comentário? Em paralelo, conhecendo o hábito de Nilo de não dar nenhum valor ao que ela dizia ou pensava, se ela falou, porque ele memorizara tal fato?

Depois do almoço, o café foi servido na sala de estar. Mais uma vez, foi Nilo quem falou bobagem:

— Não tem cerveja? - Ele perguntou à Dona Genoveva. — Esse negócio de cafezinho depois do almoço é coisa pra desocupado ou pra quem precisa conter o sono e voltar ao trabalho. Estou aqui pra me divertir, pra espairecer e uma cervejinha gelada vem bem a calhar.

A resposta veio de Lionel, que detestava bebidas alcoólicas e acarretava à dose de vodca tomada anos atrás, sua falta de lembranças sobre a fatídica noite.

— Não. Não há bebida alcoólica na casa. Durante um bom tempo a casa ficou fechada e nós, quando viemos para cá não nos preocupamos em providenciar cervejas. Nenhum de nós tem o hábito de beber.

— Quer dizer então que nem você, que se diz roqueiro, entorna umas biritas de vez em quando? Eu jurava que você curtisse até coisa mais forte, droga pesada... Parece típico... Tem tanto cantorzinho por aí que morre de overdose, não é mesmo?

— Chega, Nilo!

Durante seus oito anos de casada Luciana argumentara com o marido uma vez só, na noite em que ele achou que ela olhava para o homem na barraca de cachorro quente. Apanhou tanto que decidiu não mais se arriscar. Ali foi diferente. Luciana reagiu e ela não sabe se sua reação foi movida pela força que emanava dos amigos ou pela sua própria fraqueza, que já cansava de existir.

— Como é que é? - foi a resposta de Nilo.

— Eu também acho. Não vai ser ofendendo as pessoas que você vai conquistar a confiança delas... Se está aqui, Nilo, faça por onde ser aceito pelo nosso grupo, por favor, e não nos cause problemas ou constrangimentos - Fernanda disse e seu tom era quase uma ameaça.

Sem saber, ao peitar Nilo, Fernanda transferira para si a ira que ele direcionava a esposa. Ela não tinha noção alguma do que era causar problemas na concepção de Nilo, muito menos, tinha conhecimento dos problemas que ele podia causar ou do problema que ela acabara de causar; assim como também não sabia dos tipos de constrangimentos que ele armazenava em seu rosário de crueldades e lançava mão se preciso fosse.

— Você tem razão. O estranho aqui sou eu e não devo agir de maneira que possa denegrir a harmonia que sempre uniu todos vocês.

Ele deu ênfase à palavra harmonia, o que fez com que Ana Paula buscasse o olhar de Mundo. Ficou claro para ambos que aquele homem sabia mais do que dizia saber sobre o grupo. Era como se ele conhecesse os desentendimentos que permeavam a todos nos últimos anos e como soubesse que se havia algo que lhes faltava, era harmonia.

— Vou descansar um pouco. A viagem foi cansativa e mal dormi durante a noite, com receio de perder o horário do ônibus. Você me acompanha até seu quarto, Luciana.

Não foi uma pergunta. Não foi um pedido. Foi uma ordem, todos perceberam.

Luciana seguiu Nilo para o andar de cima e entraram no quarto. Jamile percebeu a movimentação e deu uma espiada no corredor, vendo o exato momento em que a amiga fechava a porta atrás de si e ainda em tempo de ouvir sua súplica: Por favor, aqui não!

O que Luciana tanto temia?

 

Passava das cinco da tarde e o fato de ver que Rebeca desceu do carro de Afonso quando o marido estacionou em frente a casa simultaneamente à Daniel, não incomodou Ana Paula. Em outros tempos ela questionaria, argumentaria que Rebeca poderia perfeitamente ter voltado aboletada no veículo de Dan, mas não havia tempo para tal. Nilo soava como urgência maior.

Já Afonso, este estranhou o fato de encontrar sua esposa amigavelmente sentada em uma cadeira ao lado de Mundo. Eles não pareciam tão próximos pela manhã, quando saiu para a delegacia.

— Você não leu a minha última mensagem - reclamou rapidamente e depois perguntou sobre a visita ao clube: — Descobriram algo?

— Não necessariamente. Trouxemos cópias das filmagens do baile de 2006. Na realidade, nós roubamos este conteúdo, mas isso não vem ao caso.

— Meu Deus! - Ana Paula surpreendeu-se com o suposto roubo.

— E o que tem nestes vídeos? - Mundo perguntou, seguido pelo olhar atônito de Fernanda, que chegava a varanda.

Ana Paula percebeu que havia algum desconforto no olhar da amiga. Fernanda, que dificilmente perdia a aparência tranquila e desafiadora, mostrava-se tensa.

— É o que vamos descobrir agora - Daniel respondeu, seguindo em direção à sala de vídeo.

Enquanto Daniel instalava seu notebook na televisão grande, Lionel subiu para chamar Jamile que ainda estava no quarto.

— Você está de sacanagem! - Ela disse quando Lionel lhe explicou o que aconteceria. — Não basta eu ter sido chamada de porca gorda por um idiota desconhecido? Vocês ainda vão fazer com que eu me assista enorme, vendo meu antigo corpo em uma tela de 60 polegadas?

Jamile sentiu-se como a metáfora de algo conhecido, porém ignorado. Era o passado voltando para cuspir a realidade até então encoberta, em sua cara. Ela via-se gorda nas fotografias antigas e, mesmo após seu emagrecimento, via-se gorda em algumas ocasiões, quando enfrentava um espelho, por mais que este evidenciasse sua boa forma. As pessoas a encaravam e lembravam-se da jamanta que tantos traumas lhe causara no passado. Mas ver-se de verdade, em vídeo, não era algo para o qual estava preparada. Confrontar o ontem e o hoje é para poucos, é para aqueles que têm coragem. Ela não sabia se tinha.

— Você não pode se deixar levar pelas palavras daquele homem, Jamile. O que ele pensa ou diz não deve ser considerado. Nilo mostrou-se um verdadeiro boçal mais cedo.

— Ah! Falou aquele que não perde uma oportunidade de fazer piadas, que não deixou de me chamar de jamanta durante todos estes anos...

— Me desculpe.

Jamile apenas encarou Lionel, como se esperasse que ele dissesse mais alguma coisa.

Ele disse.

— Eu nunca tive intenção de ofendê-la, mas percebo que ofendi. Nunca mensurei minhas palavras e nunca tive sensibilidade suficiente para perceber o quão seu excesso de peso a incomodava e que não era engraçado ser gorda. Mesmo após sua mudança, eu insisti neste apelido idiota e só o que posso fazer é pedir desculpas e garantir que você está linda. Você superou o que sempre foi visto como problema, você deu a volta por cima e hoje é motivo de orgulho para todos nós.

— Não superei. Você não tem ideia do que eu passo, não sabe quanto me custa... Você não sabe o que é ter um corpo magro e uma mente gorda, que só enxerga o que quer... Nunca foi fácil pra mim, nunca! Foram tantas as vezes em que eu precisei fingir ou mentir para não ser julgada pelas outras pessoas que, com a mais absoluta certeza, me julgariam somente por eu ser diferente; ou para que não caíssem sobre mim as culpas que habitualmente são depositadas nas costas de quem pesa mais do que deveria - o choro veio com tudo, trazendo as lembranças das ocasiões em que ela comia descompassadamente para satisfazer sua tensão, dos episódios de vômito após os excessos e do jejum estabelecido há dias.

Era verdade. As diferenças destacavam-se e tornavam-se motivo para qualquer ato, por mais que não houvesse qualquer ligação real. Mundo foi julgado por ser pobre; Dan, por ser rico. Fernanda foi a fofoqueira durante a vida toda, enquanto o ciúme que Ana Paula sentia de Afonso era sua característica mais citada. Não seria ela, a gorda, que sairia ilesa das considerações alheias. Se as dores eram particulares, o escárnio, infelizmente, sempre foi público.

— Então, me conte. Converse comigo, Jamile e permita que eu a ajude.

Jamile viu sinceridade nos olhos de Lionel e abraçou o amigo, certa de que poderia realmente contar com ele. Ela, de fato, precisava desabafar.

— Sim, eu conto. Mais tarde, pois agora temos um vídeo pra assistir, não é?

Ela contaria, estava decidida. Não há como regurgitar o passado e já não havia espaço dentro dela para reter mais nada.

Jamile sorriu para Lionel e ele sorriu de volta. Depois, de braços dados, seguiram pelo corredor.

A intenção era reunir todo o grupo durante a exibição das imagens então, sem medo, Lionel fez sinal para que Jamile aguardasse e bateu à porta do quarto de Luciana.

Luciana abriu uma pequena fresta, colocando o rosto do lado de fora.

— Dan trouxe uns vídeos e quer que todos nós acompanhemos a exibição lá embaixo, na sala da televisão.

Sem saber o motivo, Lionel sussurrava.

Luciana deu uma espiadela para o interior do quarto e confirmou que Nilo roncava. Depois, encarou os amigos, como se repensasse as possibilidades, assentiu com a cabeça e deixou o cômodo, fechando a porta atrás de si. A mesma força, desconhecida até então, que a impulsionara para Petrópolis, a jogava para fora daquele quarto.

 

Enquanto esperava que todos estivessem reunidos na sala, Daniel foi até a cozinha e deu um telefonema para a casa de Rebeca. Ele tinha quase certeza de que o telefonema narrado pela enfermeira Hilda partira de Nilo, já que a voz de homem havia perguntado também por Luciana, mas não custava nada confirmar a hipótese e verificar se outros telefonemas não aconteceram.

— Não doutor, desde aquela ligação, não houve nenhuma outra - Hilda disse do outro lado da linha.

— Então é bem provável que tenha sido mesmo o marido de Luciana. Ele está aqui, na casa, e por isso pode ter parado de telefonar. O homem tanto especulou que apareceu hoje cedo. Você por acaso deu este endereço a ele? - Daniel perguntou já sabendo a resposta. Hilda era muito íntegra para cometer tamanho excesso e invadir espaços ou falar mais do que devia não era característica da profissional.

— De forma alguma! E não teria dado nem mesmo se eu quisesse... O homem mal me deu tempo de falar... Era um grosseirão.

— Obrigada, enfermeira. Preciso ir. Consegui uns vídeos antigos que talvez revelem algo. E sobre o homem, o marido de Luciana, o jeito vai ser engolir esse tal de Nilo por mais alguns dias. Até! - e desligou.

Do outro lado, distante dali e em uma casa simples da Penha, enquanto Dona Amélia atenta assistia à novela, a enfermeira Hilda precisou de uma cadeira para se sentar, pois suas pernas decidiram-se por não mais aguentar o peso de seu corpo. O mundo definitivamente era algo pequeno demais.