Dias Vazios

Barbara Nonato · Capítulo 10 de 36

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Dias Vazios

Capítulo 9

 

Durante os dois dias que se seguiram, a visita de tios e primos, os mesmos tios e primos que sequer deram as caras no hospital durante aqueles anos por julgá-la caso perdido, foi inevitável. Era como se aquelas pessoas precisassem se mostrar presentes após seu despertar para reafirmar algo que Rebeca nem sabia se existia. Apesar de todo o tumulto enfrentado dentro de casa com o falatório de tantas pessoas, Rebeca gostou de sentir-se acolhida. O pai de Rebeca, que morava em outro estado, deu apenas um telefone, prometendo uma visita para quando pudesse se ausentar do trabalho. A recuperação da filha valia menos que sua conta bancária e sua nova esposa, sem dúvidas.

A enfermeira Hilda, para surpresa de Rebeca, conseguia passar despercebida na maior parte do tempo. Pela manhã fazia suas caminhadas e à tarde, após fazer questão de lavar toda a louça do almoço, lia. Hilda era apaixonada pela literatura inglesa clássica e carregava sempre alguns exemplares em sua bolsa, fossem de Jane Austen ou das irmãs Brontë. Conforme Amélia insistia em afirmar. Hilda mantinha-se na dela. Entretanto, por mais discreta e tranquila que a mulher parecesse, para Rebeca ela era um cão de guarda, uma naja, cuja cabeça estava sempre para fora do cesto de vime.

O grupo de amigos havia combinado de visitá-la apenas no final de semana e Rebeca estava ansiosa, esperando que este dia chegasse. Rebeca não sabia, mas a ideia fora de Hilda. A enfermeira conseguira convencer Dan de que alguns dias eram necessários para sua ambientação e ele determinou que o encontro aconteceria somente no sábado. A chegada surpresa de Lionel era mais um motivo para empolgação, pois ele viera por causa de seu despertar. Estariam todos lá, com exceção de Luciana que, de acordo com Fernanda, ainda não havia confirmado se poderia ir. Mundo, sequer fora mencionado.

Mundo não tinha qualquer noção de que o encontro fora marcado. Iriam no sábado, após o expediente de trabalho. A decisão em relação ao dia partiu de Dan, que queria estar presente para impedir que a empolgação fizesse com que os outros falassem em excesso. Em paralelo, ele almejava também dar à Rebeca tempo o suficiente para estabilizar-se naquela nova realidade e, se possível, colocar os dois pés no chão de seus vinte e oito anos, arrancando-os definitivamente dos dezesseis.

Não se vive doze anos em poucos dias. De forma alguma.

 

No sábado, após o encerramento da última aula do curso de inglês, Ana Paula deslocou-se rumo ao bairro onde passara sua infância. Agradeceu aos céus por ser um sábado, pois, àquelas horas, durante a semana, o trânsito estaria tão caótico quanto o inferno em dias de festa profana. A distância que separava a Ilha do Governador, bairro onde ficava o curso que Ana Paula coordenava, da Penha, para onde a moça deslocava-se, não era extensa, porém, a região mergulhava nas trevas da fumaça de óleo diesel e dos engarrafamentos todo final de tarde. Uma breve parada para um café expresso no Plaza, pois, para Ana Paula, nas horas de tensão, a cafeína era seu Denzel Washington.

Olhou para o relógio do carro e constatou que, por seus cálculos, chegaria à casa de Rebeca pouco antes do horário combinado pelo grupo. Por volta das seis e meia, talvez um pouco depois, e esperava que o fato de adiantar-se alguns minutos não fosse considerado um problema.

Seu nervosismo era tão grande quanto a sua irritação. Não que ela não quisesse a recuperação de Rebeca, ela queria; a questão envolvia as possíveis consequências trazidas por esta recuperação. E as consequências não eram poucas e tampouco eram pequenas. Ela jurava para si que se não fosse aquele maldito acontecimento - bendito? -, não estaria hoje casada com o grande amor de sua vida.

Certamente, caso se tratasse de um sábado comum, estaria com Afonso em um shopping sofisticado, na fila do cinema, esperando para assistir à estréia da semana ou até mesmo em casa, arrumando-se para um jantar. Mas estava atravessando a Estrada do Galeão em direção à casa de Rebeca; rumava para a Penha, bairro onde não punha os pés desde quando sua vida financeira começara a dar certo. Provavelmente veria as mesmas casas, os mesmos muros e, se fosse tão azarada como julgava ser em alguns momentos, esbarraria com faces de um passado que ela gostaria de manter bem enterrado. A vida havia mudado, havia dado uma guinada de 360 graus e revisitar tempos remotos era sempre um incômodo para ela, apesar de nada disso ser mencionado nem mesmo para o marido. Se Fernanda havia mostrado naquela selfie que tinha condições de voltar sorrindo ao seu bairro de origem, ela também teria.

A estrada do Galeão ficara para trás e agora, mansamente, Ana Paula encarava a pouca movimentação da Avenida Brasil. Mais a frente, dentro de poucos minutos, pegaria a saída para a Avenida Lobo Júnior e depois disso, com três ou quatro minutos, estaria na casa de Rebeca. Aumentou o rádio e Era Uma Vez ecoou alto dentro do carro e ela se deixou levar por aquele som.

Era uma vez

O dia em que todo dia era bom

Delicioso gosto e o bom gosto das nuvens serem feitas de algodão

Dava pra ser herói no mesmo dia em que escolhia ser vilão

E acabava tudo em lanche

Um banho quente e talvez um arranhão[2]

A música a levava de volta à tempos diferentes e confrontava seu medo. Medo que cresceu e mudou de forma, virou irritação e extrapolou todos os limites quando Ana Paula estacionou em frente à casa de Rebeca e percebeu que ali na calçada havia um carro estacionado. Apesar de estar um pouco adiantada, ela não fora a primeira a chegar.

 

Rebeca sabia que os amigos haviam combinado de chegar por volta das sete em sua casa e pedira à mãe que fizesse cachorro quente, pois este era o lanche favorito nas tardes em que eles reuniam-se para assistir filmes ou para jogar. Na geladeira, deitadinhas, as diversas latas de Coca-Cola disputavam espaço nas prateleiras e também esperavam por aqueles que estavam por chegar. Porém, eram seis ainda quando a campainha tocou e ao espiar da varanda ela viu o homem alto, barba por fazer, sem paletó, apesar de usar gravata e segurando uma garrafa de vinho. Era Afonso.

Quando mais jovens, Rebeca e Afonso sempre se deram muito bem e a diferença de três anos na idade deles não causava nenhum afastamento. Na época em que moravam no mesmo bairro, ele ocupava uma casa na calçada em frente e ambos, quando havia oportunidade, dividiam seus finais de tarde conversando sobre filmes. Apesar de não terem o mesmo gosto, Afonso apreciava os filmes de ação enquanto Rebeca gostava mais dos suspenses, o cinema sempre os aproximou. Eram eles também que obtinham os melhores resultados quando o grupo se reunia para jogar Scotland Yard; não havia caso que não fosse desvendado por Afonso ou por Rebeca ou pelos dois simultaneamente. Toda aquela proximidade incomodava Ana Paula, que nutria uma paixão quase obsessiva por Afonso, mas Rebeca não tinha qualquer outro interesse no rapaz além da amizade, apesar de Ana Paula não acreditar muito naquela suposta falta de interesses.

— Oi, Afonso! - Rebeca disse ainda antes de chegar até o portão, quando estava na calçadinha de acesso à entrada de casa.

— Oi! Você está ótima, Rebeca - ele disse e um brilho diferente e leve pôde sem notado em seu olhar. — Trouxe vinho! - Afonso então levantou a mão direita, mostrando a garrafa.

Afonso trouxera vinho. Claro! Era evidente! Ele era um homem de trinta e um anos, bem sucedido no trabalho e engravatado, enquanto Rebeca, que ainda se mantinha agarrada ao passado e de mãos dadas com os seus dezesseis, havia pedido à mãe que fizesse cachorro quente e comprasse Coca-Cola. Sem que ela tivesse qualquer noção, sua atitude havia pontuado uma grande diferença entre os dois e, muito provavelmente, entre Rebeca e o restante do grupo: enquanto todos andaram para frente, ela ainda estava lá atrás; enquanto o vinho embalava seus encontros, o intervalo de doze anos fez com que ela se mantivesse como uma adepta de refrigerantes.

Se alguém perguntasse o motivo que o levara a chegar mais cedo, Afonso não saberia explicar. Acarretava o fato à ansiedade, mas era mais que isso. Em algumas ocasiões, a vida parecia tão insignificante que qualquer possibilidade de retorno ao passado, era mais que válida. Diferente da esposa, ele nutria ótimas lembranças do bairro e de seu passado. Ele queria ver Rebeca logo, queria ver os amigos todos reunidos, queria os bons tempos de volta. A nostalgia era parte relevante de sua personalidade pacata.

— Você também está muito bem. Diferente...

Saber o que dizer era complicado para Rebeca. Ela sempre foi muito comunicativa, mas depois de todo o seu afastamento, da mesma forma em que ela não sabia o que esperar das pessoas, também não tinha noção alguma do quê as pessoas esperariam dela. E não era só isto! Rebeca já havia percebido que em alguns momentos suas reações eram compatíveis com a idade em que desaparecera do mundo - expressão que, para desgosto de Amélia, ela insistia em utilizar - e talvez as pessoas esperassem mais dela. Naquela noite não seria diferente. Ela se reuniria com os antigos amigos, cujas idades eram iguais ou superiores aos seus vinte e oito anos e teria que adaptar-se a isto e de certa forma manter este padrão. Mas como ter vinte e oito sem ter visto o tempo passar?

Eles entraram e sentaram-se na varanda à espera dos demais.

— Fiquei contente quando soube que você se recuperou, Rebeca. E Ana Paula também - ele fez uma breve pausa antes de explicar. — Nós estamos casados... Você sabe, não é?

Ela sabia e fazia gosto daquela união. Sempre se deu muito bem com Afonso, o que, em diversos momentos, gerou dúvidas, pois os amigos acreditavam que havia entre eles algum interesse que ia além da amizade. Era um triste engano; não havia nada. Não para Rebeca, já Afonso...

Afonso, em tempos atrás, tinha sim interesse em Rebeca, apesar de nunca tê-lo verbalizado ou assumido. Era uma paixão adolescente, que acabou encoberta quando ela entrou em coma e seu relacionamento com Ana Paula evoluiu. Encoberta, não necessariamente esquecida, ele julgava. Ele não sabia se teria sido assim se não fosse o acontecimento que desviou Rebeca do convívio com o grupo; ele não sabia se teria sido assim se Ana Paula não tivesse insistido tanto em uma aproximação maior. Mas, para sua insatisfação, que lhe causava um pouco de irritação, Rebeca parecia vê-lo apenas como um amigo, nada mais. De qualquer forma, o tempo havia passado, ele havia se casado e muitas coisas foram deixadas para trás. Apenas deixadas para trás, não necessariamente esquecidas!

O cão de Rebeca saiu para a varanda e deitou-se aos pés de Afonso, ganhando do rapaz um breve afago na cabeça. Lá da sala, sentada na poltrona onde habitualmente Rebeca ficava, a enfermeira Hilda mantinha-se atenta a tudo, apesar de ter em frente aos olhos um exemplar com capa dura de "O Morro dos Ventos Uivantes". A mulher sempre disfarçou muito bem.

Na varanda, a conversa entre os dois era fluida e girava em torno do passado, o que gerava algumas risadas. Rebeca sabia que não adiantaria fazer quaisquer perguntas, pois todos estariam bem instruídos pelo "doutor" Daniel e nada de relevante seria dito. Se insistisse, se tentasse extrair alguma informação e não conseguisse, a conseqüência direta seria sua irritação, então era melhor nem tentar. Todo aquele marasmo a incomodava, mas reconhecer que há tempo para tudo era uma necessidade e, se soubesse aproveitar a reunião com os amigos e mantivesse sua atenção voltada para pequenos detalhes, poderia descobrir alguma coisa. Alguém talvez deixasse escapar algo.

A opção de não especular não fora propriamente uma escolha de Rebeca, era uma necessidade. Não se tratava de conformismo, visto que ela nunca se conformava com a incompletude; mas sabia que sua insistência apenas faria com que os amigos tivessem cautela. Era preciso deixá-los livres e, se tivesse sorte - tinha? - eles deixariam alguma informação, por mínima que fosse, escapar.

A conversa de Rebeca e Afonso foi interrompida pelo barulho de uma motocicleta, que virou a esquina acelerando alto.

 

Quando viu que o marido se escancarava em sorrisos na varanda da casa de Rebeca, um alerta soou dentro de Ana Paula e, em um ímpeto, ela deixou o carro, batendo os pés firmemente no chão. Seu rosto pegava fogo e sua ira extrapolava todos os limites. Foi contida por Jamile, que também acabara de estacionar e percebera o que estava por acontecer.

— Menos, Ana Paula, por favor - Jamile disse segurando a amiga pelo cotovelo e tentando contê-la. Na outra mão, trazia uma caixa de bombons importados para presentear Rebeca.

Afonso e Rebeca estavam tão distraídos com as lembranças da adolescência que não perceberam a chegada das duas.

— E por quê? Porque eu devo me conter? Menos por que, Jamile? Será que só por Rebeca ser uma coitada que acabou de sair do coma, eu devo deixar que ela flerte deliberadamente com o meu marido?

Jamile detestava aquela obsessão de Ana Paula. Sempre viu a relação entre ela e Afonso como algo doentio, onde Ana Paula impunha condições e ele sobrevivia a elas.

— Pelo simples fato de que você está exagerando, só por isso! - Jamile falava entre dentes, tentava ser discreta para que a discussão não fosse notada. — E ela não está flertando! Rebeca e Afonso sempre se deram muito bem e nós duas sabemos disso, eles moravam um de frente para o outro, cresceram juntos. E mesmo com todo este contato, nunca houve nada entre os dois! Estão conversando apenas e você deveria parar com essa palhaçada.

Na cabeça de Ana Paula, nunca houvera nada entre eles porque ela não deixava brechas. Se Afonso ia, ela ia também; quando Afonso estava, ela também estava. Se todos combinavam de encontrarem-se em determinado horário, ela chegava antes para não dar a ele qualquer oportunidade de passar algum tempo sozinho com Rebeca. Depois de doze anos ela se descuidou. Ali, naquela varanda, havia uma brecha e ela não tinha qualquer noção de quando fora aberta. Há quanto tempo ele havia chegado?

— Nós vamos entrar normalmente e você vai se dar a chance de entender o que está acontecendo antes de criar um escândalo.

Jamile! Mais uma vez Jamile, sempre tão serena, tão sensata e discreta, era a ex-jamanta quem de certa forma travava os ímpetos de Ana Paula. Fora assim anos atrás, apesar de nenhuma das duas comentar sobre o fato.

Quando ambas preparavam-se para dar os primeiros passos em direção à calçada, o som de uma motocicleta acelerando foi ouvido ao longe. Logo depois, o veículo de duas rodas dobrou a esquina e estacionou colado na traseira do carro de Jamile. Quando o motociclista tirou seu capacete, elas viram que se tratava de Lionel.

— Puta merda! Quem diria... Jamile Jamanta em cima do salto e estonteante - o roqueiro mantinha os mesmos ares de sempre.

— Ei! Sem apelidos idiotas, por favor. E, além do mais, você já me viu após meu emagrecimento, portanto qualquer piadinha boba é descabida.

Jamile detestava comparações, detestava quando as pessoas insistiam em fazê-la voltar aos tempos da obesidade e Lionel parecia ter aquele dom. Ele havia crescido, mas talvez não tivesse amadurecido.

Da varanda, após ter sua atenção despertada pelo barulho da moto e considerando que Jamile levantava a voz com Lionel, Rebeca viu o quanto a amiga estava mudada. Mais altiva, mais segura. A Jamile de doze anos atrás jamais contestaria qualquer atitude e nunca retrucaria àqueles que lhe jogavam na cara seu excesso de peso; ela se calaria e abaixaria a cabeça.

— Foi só uma brincadeira... - Lionel tentou consertar o que não tinha conserto e depois, como se nada tivesse acontecido, cumprimentou as amigas.

— Eu não sabia que você viria - foi Ana Paula quem questionou a chegada do rapaz que, até então, ela julgava estar em turnê.

— Avisei pro Dan... No dia seguinte à alta de Rebeca eu meti o pé. Deixei um atestado médico à disposição do meu empresário e peguei um avião - inesperadamente seu semblante pareceu mais sério. — Não dava pra ficar em cima de um palco cantando sem saber o que estava acontecendo aqui.

Jamile levantou uma de suas sobrancelhas em sinal de desconfiança, o que não passou despercebido à Ana Paula.

— Não? - A modelo perguntou e, em seguida, deu sua alfinetada: — Mas foi exatamente isso que você fez nos últimos anos... Se manteve em cima de um palco, ganhando dinheiro com Dias Vazios, enquanto Rebeca dormia, não foi?

— Antes não havia nada a ser feito além de esperar, mas agora ela acordou e precisa dos amigos, não é isso que vocês acham? Nada mais justo que eu, que estive lá naquela noite e que sempre fui parte do grupo, estivesse aqui, Jamile Jamanta - o rapaz justificou, sem medo de cutucar a amiga mais uma vez. — E Dias Vazios, eu acredito que você saiba, é uma homenagem à Rebeca.

Talvez fosse mais e, de certa forma, eles não sabiam. Dias Vazios não retratava apenas a ausência de Rebeca ou a lacuna deixada por sua ausência, a canção ia além. Falava de todas as ausências, do afastamento estabelecido entre os membros do grupo e da ruptura estabelecida naquela amizade antes tão sólida.

A careta que Jamile fez foi interrompida por Rebeca, que chegava ao portão da casa.

— Fico muito feliz em ver vocês depois de tanto... tempo - e depois abraçou cada um deles, convidando-os para entrar.

 

— Não imaginei que você fosse chegar cedo.

Aproveitando-se do fato de que os amigos estavam distraídos, Ana Paula aproximou-se do marido para tomar satisfações. Há quanto tempo ele havia chegado? O que acontecera entre ele e Rebeca desde então? Se havia algo que ela detestava eram os raros momentos em que perdia o controle em relação ao tempo e Afonso, ela sabia, não tinha o hábito de adiantar-se apesar de também não se atrasar. Se ele chegara mais cedo foi proposital, certamente tinha interesses em jogo, mas quais?

—Nem eu - foi a resposta de Afonso, antes de seguir em direção ao quintal, para encontrar Daniel, que acabava de chegar, e trazia Fernanda consigo.

— Imagina! Ficar sem carro justamente hoje... - ela se queixava enquanto deixava o interior do veículo e Afonso não soube identificar exatamente com quem. A impressão era de que frente à necessidade de justificar-se para não se sentir por baixo, Fernanda falava até sozinha.