Disque T para titias

Jesse Q. Sutanto · Capítulo 21 de 42

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Disque T para titias

Capítulo 18

Meu coração está gritando. Será que os corações podem gritar? Bom, o meu está fazendo alguma merda esquisita.

Nathan me dá um sorriso pesaroso.

— Talvez mais tarde, quando tivermos uma brecha, podemos conversar sobre nós?

— Sim, sim. Com certeza. — Mais do que qualquer coisa, anseio pela oportunidade de esclarecer as coisas com Nathan, de compensar a lacuna de tempo entre nós, de saber tudo o que aconteceu com ele. Mas a preocupação sombria com o corpo de Ah Guan no meu quarto de hotel reaparece das profundezas da minha consciência como um monstro do pântano, e dou um passo para trás. — Vamos conversar — confirmo, e as palavras saem mais bruscas do que eu queria. O sorriso de Nathan perde uma voltagem ou duas, mas ele assente antes de se afastar, me deixando com a sensação de o estar perdendo pela segunda vez na vida.

 

18

Casamentos sino-indonésios são repletos de pequenas cerimônias. Antes do penjemputan, há uma curta cerimônia do véu, quando os pais da noiva a beijam na bochecha e depois cobrem seu rosto, completando assim sua transformação de mulher em noiva. É quase sempre um momento emocionante; na maioria das famílias sino-indonésias, não importa a idade: os filhos em geral moram com os pais até se casarem e se mudarem. Então, para a maior parte das famílias, é a hora da despedida, e a cerimônia do véu é uma lembrança visual dessa separação.

Jacqueline e seus pais não são exceção. Eu me movo rápido e em silêncio, capturando o máximo possível de imagens das emoções intensas em seus rostos sem prejudicar o momento. Quando Tante Yohana e Om Hendrik colocam o véu sobre a cabeça de Jacqueline, lágrimas surgem nos meus olhos com os sorrisos agridoces no rosto deles. Esses são os meus momentos preferidos ao fotografar casamentos. Capturar as entrelinhas. Os momentos que ficam entre os grandiosos, quando as emoções afloram sem disfarces, em cores vivas, e parece que estou capturando o ritmo de seus corações com minha câmera.

Quando a cerimônia termina, esperamos o noivo e os padrinhos chegarem para o penjemputan.

E esperamos.

E esperamos.

Mando uma mensagem para Seb para saber por que diabos tanta demora. Quer dizer, neste exato momento, tenho um cadáver no meu quarto e, de alguma forma,

não sou a pior trapalhada desse casamento.

Meddy [12:17]: Ei, cadê todo mundo? Estão atrasados para o penjemputan.

Seb [12:18]: Você não vai acreditar nesses idiotas. Estão todos apressados, se vestindo, arrumando o cabelo. Alguns não conseguem encontrar a camisa ou a calça ou a merda que for.

Suspiro e abro o grupo de mensagens com minha mãe e minhas tias.

Meddy: [12:19]: Tudo bem?

A Grande Tia manda uma linha de emojis que parecem completamente desconexos uns dos outros em vez de dar uma resposta efetiva.

Quem quer que tenha apresentado minha mãe e minhas tias aos emojis precisa ser jogado do topo de um prédio bem alto. Desde que elas descobriram os emojis, minha mãe e as irmãs acham que eles são uma forma perfeitamente aceitável de se comunicar. Só que cada pessoa tem uma interpretação ligeiramente diferente dos emojis, e demoro três vezes mais para entender exatamente o que elas estão tentando dizer. Como agora, por exemplo, o emoji de polegar para cima significa que está tudo bem, o que é bom, mas então por que há um emoji de cara zangada bem do lado dele? E depois o emoji de camisa… será que ela quer dizer que conseguiu pegar uma camisa, mas as pessoas ficaram zangadas com ela? Mas então por que o emoji de polegar para cima? Por quê?

Meddy [12:22]: Não sei o que isso significa.

Ma [12:23]: Aiya, como não consegue entender? Tão óbvio.

Grande Tia [12:24]: [outra linha de emojis]

Meddy [12:25]: Está tudo bem, certo??

Segunda Tia [12:26]: [linha de emojis]

Desisto. Quem quer que tenha dito “É tão difícil quanto domar leões”

obviamente nunca tentou domar um grupo de tias asiáticas. Vou confiar que, já que não usaram carro de polícia, delegacia ou qualquer outro emoji desastroso, as coisas vão bem. Ou pelo menos não estão catastróficas.

Assim que enfio meu celular de volta no bolso, ouço uma comoção do lado de fora. Eu me animo. Até que enfim! O noivo e seu grupo estão aqui. Levanto a minha câmera — estou usando a lente de 35mm agora, que me propicia um ângulo maior e me permite capturar todo mundo, e fotografo o momento em que as madrinhas, reunidas na porta da suíte, perguntam:

— Quem está aí?

— O noivo! — responde alguém, e as madrinhas dão risadinhas. Elas abrem as portas duplas e gritos de animação explodem, embora fracos e arrastados, já que o noivo e seus amigos estão obviamente sofrendo de uma puta ressaca.

— Vocês estão atrasados! — grita Maureen.

Tom Cruise Sutopo (preciso mesmo parar de me referir mentalmente ao noivo por seu nome completo toda vez, mas, de novo, não consigo deixar de pensar nele como um Tom Cruise falsificado) e os padrinhos na frente se contraem com o grito dela. Tom abre um pequeno sorriso e diz:

— Podemos entrar?

— Só se fizerem algumas coisas para nós! — Com essa frase, todas as madrinhas vibram, e os padrinhos soltam um grunhido teatral.

Estou sorrindo enquanto tiro fotos de todos. Adoro o acara penjemputan. Já vi madrinhas bolarem os desafios mais criativos: ordenar que um raspasse o peito do outro, mandá-los usar fraldas por cima das calças e fazer as perguntas mais aleatórias sobre a noiva, obrigando quem errasse a comer pimenta crua.

Agora, uma caixa da Victoria’s Secret é passada de uma madrinha para outra até chegar à madrinha principal.

— Só voltem depois de vestirem isso. — Ela ri, passando a caixa para Tom.

Todos os caras soltam grunhidos altos novamente, mas também estão rindo; alguns cobrem o rosto ao tirarem lingeries de renda da caixa. Aceitando o desafio, vestem as peças por cima dos ternos. Então todos percebem que sobrou um conjunto de lingerie na caixa.

— Por que sobrou um? — pergunta Maureen, segurando a calcinha de renda.

— Vocês todos precisam usar! Vai, para de se esconder! Quem está faltando?

Os padrinhos dão uma olhada em volta, parecendo confusos e… culpados.

Estranho. Por que pareceriam culpados?

— Err, Ryan não está aqui — diz Tom, finalmente.

— Por que não?

— Ele, ahn… — Ele abaixa a voz, inclinando-se um pouco, e diz: — Por favor, não conte para Jac, mas ele não está encontrando a roupa.

— O quê? — grita Maureen. — Porra, Tom. Não é POSSÍVEL. Vocês tinham UM trabalho. Um! Só aparecer aqui. E vocês não conseguem nem… — Ela para, inspira profundamente e força um sorriso. — Tudo bem, deixa para lá.

Continuando. Hora do próximo desafio. — Ela faz um aceno com a cabeça para uma das madrinhas, que clica em alguma coisa no celular. A música explode.

“Milkshake”, de Kelis. — Dancem, rapazes! — grita ela, e depois volta apressada para o interior do cômodo, sussurrando alguma coisa para uma madrinha no caminho. A madrinha assente e toma seu lugar à frente.

Maureen atravessa a sala correndo e entra no quarto, onde Jacqueline está esperando. Momentos depois, mesmo por cima da algazarra da música, ouço Jacqueline falar:

— Sério?

Não consigo evitar um suspiro. De verdade, esses padrinhos não podiam ser mais atrapalhados. Ando até o quarto e bato à porta com delicadeza. Jacqueline olha para mim e diz:

— Meddy do céu, está faltando um padrinho!

— É, eu ouvi. Olha, sei que parece um problemão, mas não é. Você já tem madrinhas e padrinhos suficientes. As pessoas nem vão notar que está faltando um, e prometo que as fotos vão ficar boas do mesmo jeito.

— Mas e quando eles andarem pelo corredor na saída da cerimônia? Não posso mandar Becca sozinha; seria muito triste.

Penso rápido.

— Ela pode sair com outro par. Coloca um padrinho no meio de duas madrinhas enquanto descem o altar.

Jacqueline e Maureen se entreolham, refletindo sobre minha sugestão, então Maureen dá de ombros.

— Ela está certa. É a melhor opção.

Jacqueline suspira.

— Tudo bem. Você pode providenciar?

— Vou falar com ela — diz Maureen. — Não se preocupe. — Ela aperta a mão de Jacqueline e sai do quarto.

Jacqueline encosta a cabeça na parede e suspira.

— Esse dia está uma zona.

Mal sabe ela.

— Casamentos sempre são uma zona. Mas o seu está indo muito bem, pode acreditar. E você está maravilhosa.

Ela dá um meio-sorriso torto. Digo que vou voltar até a sala para tirar as fotos e ela assente. Com esse pequeno contratempo resolvido, o resto da cerimônia penjemputan passa bem rápido. Os caras fazem todos os desafios e tarefas e são autorizados a entrar na suíte. Registro o momento em que Tom vê a noiva pela primeira vez com o vestido. A expressão em seu rosto faz todos suspirarem: