Disque T para titias
Dedicatória
PARTE 3
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Epílogo
Agradecimentos
Sobre a autora
Leia também
Para Mama e Papa, que com certeza me ajudariam a desovar um cadáver.
Caro Leitor,
Muito obrigada por escolher Disque T para titias. Este livro é uma carta de amor para minha família — uma turma ridiculamente grande e marcada por uma longa história de imigração. Todos os meus quatro avós emigraram da China para a Indonésia entre 1920 e 1930 e, ao chegarem, trocaram seus sobrenomes chineses por indonésios, a fim de evitar a xenofobia. Chen se tornou Sutanto. Ho virou Wijaya. Ao se integrarem completamente na cultura indonésia, o mesmo aconteceu com seus filhos. Meus pais cresceram falando indonésio como primeira língua e mandarim como segunda.
No caso da minha geração, meus pais nos enviaram a Singapura para evitar os conflitos da década de 1990, que culminaram em protestos contra a população chinesa. Felizmente, hoje a Indonésia é um país com uma diversidade maravilhosa, em termos de raça e religião, e podemos contar com o tipo de liberdade que nossos pais não tiveram. Quando estávamos em Singapura, meus primos e eu logo adotamos o inglês como primeira língua. Alguns de nós (leia-se: eu) se esqueceram do indonésio quase completamente. Sempre que meus pais nos visitavam, precisávamos nos esforçar para nos comunicarmos.
O resultado de todos esses deslocamentos é uma confusão de idiomas. Minha família é tecnicamente trilíngue, mas cada uma das três línguas que falamos é, digamos, “imperfeita” de alguma maneira. Eu me sinto mais confortável em inglês; depois, em mandarim, porque estudei o idioma por dez anos em Singapura; e por último, em indonésio. Meus pais são fluentes em indonésio e mandarim, mas falam um inglês limitado e hesitante. Quando conversamos, as frases são irregulares e truncadas, e, com frequência, temos que nos esforçar para transmitir o que queremos dizer. Esse é o preço que meus pais pagaram para que meu irmão e eu nos mantivéssemos em segurança.
Algumas das tias em Disque T para titias falam o inglês vacilante da geração dos meus pais. No entanto, seu conhecimento da língua inglesa não reflete sua inteligência, e sim o sacrifício que fizeram por nós. Elas são, em essência, trilíngues, e sinto muito orgulho desse legado. Tenho consciência de que, ao escrever isso, estou me posicionando sobre uma linha muito tênue entre a autenticidade e o estereótipo, e espero que eu consiga desconstruir o segundo. Este livro não representa a comunidade asiática em termos absolutos; é impossível que apenas uma obra seja capaz de representar uma comunidade tão vasta de indivíduos.