Disque T para titias

Jesse Q. Sutanto · Capítulo 28 de 42

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Disque T para titias

Capítulo 25

— Eu só quero dizer… Ah, pai, me ajude aqui. Coloque um pouco de juízo na cabeça dela!

O sr. Sutopo dá alguns passos à frente e coloca a mão no braço do filho.

— Vamos, filho. Acho que é melhor deixar para lá.

— Sim — concorda a sra. Sutopo —, como costumamos lhe dizer, sempre que possível, escolha ser generoso. Então seja generoso agora. — Ela se vira para Nathan e diz: — Obrigada, o assunto está encerrado. Não vamos prestar queixa.

Nathan assente, ignorando os gemidos de reclamação de Tom.

— Obrigada, Jackie — soluça Maureen. — Me desculpe…

— Quero que você vá embora — diz Jacqueline, ainda com a voz calma. —

Nunca mais quero ver você. — Ela, então, pergunta a Nathan: — Tem algum barco disponível?

— Vou providenciar. — Nathan acena com a cabeça para um dos seguranças que acompanham Maureen, ainda choramingando, para fora do quarto. — Sinto muito por todo o transtorno. Posso ajudar em mais alguma coisa?

Jacqueline balança a cabeça, e todos nós saímos do quarto, absortos em nossos próprios pensamentos turbulentos.

 

25

No corredor, a mãe de Jacqueline checa o relógio e diz:

— Ah, meu Deus, está quase na hora da cerimônia.

— Mas e as fotos de família? — pergunta o sr. Sutopo.

— Não temos tempo. Podemos fazer depois da cerimônia, talvez? — A sra.

Sutopo me lança um olhar inquisitivo, e assinto.

— Sim, claro, podemos encaixar depois — digo no tom de voz mais tranquilizador que consigo.

— Acabei de receber um aviso de tempestade vindo para cá — comenta o sr.

Sutopo, olhando para o telefone. — Espero que não nos atinja durante a cerimônia.

Isso seria um pouco de azar, hein?

— Vai ficar tudo bem — assegura Nathan rapidamente. — Arrumamos o salão para o caso de começar a chover.

— Ótimo. Tudo bem, precisamos ir e retocar sua maquiagem para a cerimônia

— diz a mãe de Jacqueline. — Meddelin, você pode ligar para sua tia e pedir que ela nos encontre na suíte da noiva?

— Claro. — Pego meu celular e digito o número da Segunda Tia enquanto todos os outros correm para se preparar para a cerimônia. Por que ela está demorando tanto para atender?

Um barulho irrompe pelo alto-falante.

— Alô? Meddy? — A Segunda Tia está praticamente gritando.

— Segunda Tia? Onde a senhora está?

— Aduh, Meddy. Tenho probleminha.

Ah, não. Meu peito se aperta e minha mão livre se fecha completamente. Não, o que quer que seja, por favor, não pode ser muito, muito ruim. Acabei de lidar com uma crise, não posso ter um descanso? É uma luta manter o tom são da minha voz.

— O que foi?

— Hummmm. Bem, olhe só. Bem. Difícil dizer de quem é culpa, sabe? Porque ninguém diz a ninguém o que é para fazer, então todo mundo faz tudo.

— A senhora está me matando de nervoso. Por favor, só me conte o que aconteceu.

— Bem, hummm. Difícil de explicar.

Será que é possível ficar ainda mais frustrada? Tenho certeza de que estou tão ansiosa e perturbada que poderia até estrangular um cavalo. Embora eu nunca fosse capaz disso. Mas poderia.

— Segunda Tia!

— Bem, não importa, não dá para fazer nada. Por que você me ligou?

Balanço um pouco a cabeça, tentando dissipar a névoa de irritação. Respirações profundas. Inspirar. Expirar. Foco no casamento, na pobre Jacqueline. De qualquer forma, posso muito bem perguntar à minha mãe que diabos está acontecendo. Ela nunca consegue esconder um segredo de mim.

— A noiva precisa retocar a maquiagem dela antes da cerimônia.

— Ah, tudo bem! Vou lá agora.

Assim que ela desliga, rolo meus contatos para procurar o número de Ma, mas alguém pigarreia, me interrompendo.

— Nathan! — Ah, não, há quanto tempo ele está lá? O que ele ouviu? O que eu disse?

— Desculpa, não quis assustar você.

— Ah, não, não assustou. — Assustou, sim. — Posso você ajudar?

— O quê? — Ele franze a sobrancelha.

Eu me retraio. É isso que acontece quando tento falar enquanto repasso mentalmente minha conversa com a Segunda Tia procurando por algo incriminador.

— Desculpa, eu quis dizer: está precisando de alguma coisa? — Será que isso saiu muito ríspido?

— Hum. Eu queria me desculpar por… — Nathan gesticula em volta de si com um suspiro. — Você sabe. Tudo que acabou de acontecer. Tentei dissuadi-los de revistar o seu quarto. Sei que foi uma invasão de verdade.

Eu me derreto por dentro.

— Obrigada por dizer isso. Sei que você fez tudo ao seu alcance. Mas não tem problema, não ligo, e tudo acabou sendo resolvido no fim, então… — Eu te amo.

Ainda sou apaixonada por você. FOCO. Por mais doce que ele esteja sendo, não posso me distrair muito agora. Preciso ligar para Ma e descobrir o que está acontecendo. — Enfim…

— Onde está o seu namorado?

— Meu o quê?

Nathan inspira profundamente, sem dúvida tentando não demonstrar que se sente um pouco incomodado com o que está prestes a dizer:

— Seu namorado? O cara que estava no seu quarto antes.

Tudo o que tinha acabado de derreter dentro de mim congela com pontas afiadas. Merda. Vai. Com. Calma.

— Ah, ahn, ele foi dar uma volta pelo resort — digo sem entusiasmo. Ah, meu Deus, ele deve achar que sou a maior babaca do mundo, tendo-o beijado duas vezes e depois falando que tenho namorado. Argh!

— Ah, é? Que… interessante. — Seu rosto bonito está indecifrável. — Só que eu dei uma olhada na lista de passageiros do barco, e ele não está na lista do horário em que você chegou à ilha.

— É que… sim. Aham. — Pensa! Rápido! — É porque ele na verdade é um

dos membros da equipe? — revelo. Minha mente se esforça para acompanhar minha boca, revisando as palavras. Na verdade, essa não é uma má ideia. — Sim, na verdade ele não é meu namorado, ele é um cara com quem eu tive um caso de uma noite só. Ou de uma manhã só, se preferir. — O barulho que eu faço é simplesmente a risada mais falsa do mundo.

— Então um dos membros da minha equipe deixou o trabalho para ter uma…

uma coisa com você, e depois tirou uma soneca no seu quarto? Tenho que admitir que, como patrão dele, não estou muito satisfeito de saber disso.

Será que essa situação pode piorar?

— Não quero arrumar problema para ninguém — falo meio cantando. — Eu só… Ele não dormiu por muito tempo, a gente tinha acabado de… sabe.

Nathan suspira, os ombros largos se curvando um pouco.

— Sei. Acho que é só o ciúme interferindo. Para falar a verdade, está tudo certo.

Vocês dois são adultos capazes de consentir. Tem sido um dia difícil, só isso.

— Sinto muito mesmo. — E estou falando sério. Nem consigo descrever como eu sinto tanto por tudo.

Um pequeno sorriso vibra no rosto dele, transformando-o no Nathan que conheço e amo. Ah, se eu pudesse me aproximar e beijá-lo.

— Não, não precisa se desculpar. Está tudo bem. A crise passou. Tenho que ir.

Me certificar de que tudo está em ordem para a cerimônia.

— Certo, claro. Vejo você por aí.

— A gente se vê, Meddy.

Só o som do meu nome naquele tom de voz baixo e intenso é o suficiente para fazer um arrepio descer pela minha espinha. Eu o observo indo embora, depois sacudo a cabeça para esvaziar a mente mais uma vez. Ando fazendo muito isso hoje.

É difícil acompanhar toda a loucura que vem acontecendo nas últimas horas. Pego meu celular mais uma vez e ligo para Ma.

— Alô, Meddy? — No fundo, ouço o barulho de pessoas gargalhando e falando

alto.

— Ma, o que houve?

— Tem probleminha. Muito pequeno. — Alguma coisa cai e se quebra do outro lado da linha. Parece grande.

— O que está acontecendo?

— Aduh, é sua Quarta Tia, lah, ela nunca conta pra ninguém, veio aqui agora, deu aquela bebida para eles, sabe, abstinência?

— Abstinência? — Por um abençoado segundo, fico confusa. Depois a ficha cai e o pavor me inunda. — Absinto? Ela deu absinto para quem?

— Para todos os… Ah!

— Ma?

— Não escute a sua mãe.

— É a… Quarta Tia? É você?

— Sim, lógico, quem mais seria?

— Por favor, me diga o que está acontecendo. Para quem você deu absinto?

— Bom, isso não é exatamente verdade. Quer dizer, sim, eu trouxe um pouco de absinto, mas sua mãe também trouxe a porcaria da medicina chinesa dela —

sibila a Quarta Tia, a voz triunfante. Posso praticamente ver minha mãe e ela se matando com o olhar. Outra coisa se quebra no fundo e ela grita: — Ei! Parem!

Seus animais.

— A porcaria da medicina chinesa dela — repito. — Não estou entendendo…

— Bem, não é uma coisa ruim de verdade, eu acho. Olhe, não se preocupe demais, é melhor assim.

Um alarme toca, e não é só um daqueles que estão enlouquecendo dentro da minha cabeça. Olho o telefone. Merda. É o aviso para eu ir até a piscina para a cerimônia.

— Preciso ir. Por favor… — Por favor o quê? — Preciso ir. — Desligo e corro para o quarto de Jacqueline.

Como sempre, está um caos, embora agora os seguranças grandalhões tenham sido substituídos pelas madrinhas. A maquiagem de Jacqueline foi retocada, e ela está perfeita, sem nenhum vestígio do incidente horroroso com Maureen em seu rosto, a não ser o minúsculo tremor no queixo de vez em quando. Quando me vê, ela sorri.

— Meninas, posso conversar com a Meddy um minuto, por favor?

A Segunda Tia, que está agitada em volta de Jacqueline, acrescentando pequenos toques finais invisíveis em seu penteado, se vira para mim e me lança um olhar de modo significativo, mas não tenho ideia do que isso pretende transmitir.

Estou morrendo de vontade de puxá-la de lado e sacudi-la até ela me contar o que está acontecendo, mas, em vez disso, eu a observo sair do quarto com as madrinhas.

Uma vez que não há mais ninguém ali, Jacqueline suspira.

— Meddy, mil desculpas.

— O quê… Por quê?

— A coisa toda dos presentes da cerimônia de chá e por revistar o seu quarto!

Estou me sentindo péssima.

— Ah, certo. Não se preocupe com isso, por favor. Só sinto muito que você tenha passado por todo esse estresse.

Ela pega minhas mãos.

— Eu só… Maureen tinha tanta certeza de que você tinha roubado os presentes. Ainda não consigo acreditar que ela fez aquilo. — Um soluço engasgado escapa, e ela olha para o teto e pisca furiosamente para impedir as lágrimas de caírem. Pego um pedaço de papel na mesa e abano o rosto dela. — Ela é minha melhor amiga há mais de dez anos. Ainda não consigo… — Seus olhos lacrimejam, as lágrimas ameaçando cair e arruinar todo o trabalho da Segunda Tia.

— Está tudo bem — digo logo. — Vamos esquecer isso agora. Você vai ter todo o tempo do mundo depois do casamento para pensar no que aconteceu.

— Eu nem pude contar a nenhuma amiga porque são todas madrinhas, e Tom

disse que, se alguma delas soubesse, ficaríamos malvistos, porque demonstra que eu fui burra a ponto de ser enganada pela minha própria madrinha principal, então só fiquei aqui, morrendo de vontade de conversar com alguém sobre aquilo, alguém que entendesse…

— Eu entendo. Mas você não é burra. — Sério, Tom? Que porra foi essa? —

Não é mesmo. Não tinha como adivinhar.

Ela funga.

— Obrigada.

— Você está deslumbrante. Suas fotos vão ficar lindas.

— Verdade? — Ela se anima um pouco.

— Sim. Sem dúvida a noiva mais linda que eu já fotografei. E definitivamente minha cliente preferida. Bom, com certeza no top cinco.

Ela ri.

— Top cinco? Nem mesmo no top três?

Faço uma careta.

— Talvez top dez. — Sorrimos uma para a outra, depois eu a ajudo a se levantar, tirando fiapos da frente de seu vestido bufante. — Você está um sonho. —

Checo as horas no meu celular. — Preciso ir para o meu lugar no altar. Vejo você lá, Jacqueline. Você vai estar incrível. — Aperto as mãos dela mais uma vez antes de sair.

Na sala da suíte, procuro pela Segunda Tia, mas ela não está à vista. Droga.

Atravesso apressada o corredor, saio para o ar livre e desfruto da brisa fresca que vem do oceano. A cerimônia de casamento foi arrumada para acontecer na água.

Literalmente na água; o resort foi construído em forma de semicírculo, com o enorme e amplo edifício circundando delicadamente uma gigantesca piscina com borda infinita. Um palco foi construído bem em cima da piscina, então parece flutuar. Fileiras e mais fileiras de flores adornam os lados do corredor, e vasos de flores com lanternas no meio flutuam serenamente na superfície da piscina. Todo o

cenário é de tirar o fôlego.

Duas mil cadeiras estão dispostas em volta da piscina de borda infinita, e todas estão ocupadas. Ironicamente, dois mil é um número pequeno para um casamento sino-indonésio. Em Jacarta, a média dos casamentos de classe média é de três mil presentes. Os convidados parecem felizes, o que é um alívio; acho que nenhum deles sabe dos contratempos que aconteceram nos bastidores. Para todos os efeitos, esse casamento maravilhoso está correndo sem problemas. Procuro Ma e minhas tias, mas elas não estão em lugar nenhum. Seb acena para mim, e faço sinal de positivo. Ele vai cobrir toda a cerimônia a distância com sua 18-200mm. Inspirando profundamente, encaixo a lente 35mm na minha primeira câmera e a lente 24-70mm na segunda e começo a trabalhar, tirando fotos da cena como um todo e closes do máximo de detalhes que consigo sem ser inconveniente demais.

Então a música começa e a voz do apresentador explode nas caixas de som.

— Senhoras e senhores, por favor, levantem-se para saudar os pais do noivo!

As cadeiras Tiffany são arrastadas para trás conforme os convidados se colocam de pé.

— O sr. e a sra. Sutopo, pessoal! — exclama o apresentador enquanto os pais de Tom atravessam o corredor, sorrindo e acenando para os amigos e familiares.

Dou um passo ágil para um dos lados do corredor, com cuidado para não cair dentro da piscina, e tiro fotos do casal.

— Atrás vêm os padrinhos. Vamos dar uma salva de… ahn.

Estou ajustando a velocidade do obturador quando a voz hesitante do apresentador chama minha atenção, então ergo o olhar e vejo o primeiro padrinho fazer a curva e atravessar o corredor. Ou melhor, cambalear pelo corredor. Ele está visivelmente aos tropeções, a camisa meio para fora da calça. Sinto enjoo e cólicas.

O segundo padrinho não está se saindo muito melhor nem o terceiro.