Dom Quixote - Parte II

Miguel de Cervantes · Capítulo 6 de 84

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Dom Quixote - Parte II

Aprovação

 

Por comissão e mandado dos senhores do Conselho, vi a

Segunda parte de don Quijote de la Mancha, por Miguel de

Cervantes Saavedra: não contém coisa contra nossa santa fé

católica, nem bons costumes, antes, muitas de honesta

recreação e agradável divertimento, que os antigos julgaram

conveniente a suas repúblicas, pois ainda na severa dos

lacedemônios erigiram estátua ao riso, e os de Tessália lhe

dedicaram festas, como diz Pausânias, referido por Bosio livro

II De signis Ecclesiæ, capítulo 10, alentando ânimos murchados

e espíritos melancólicos, de que se acordou Túlio no primeiro

De legibus, e o poeta dizendo:

Interpone tuis interdum gaudia curis

o que faz o autor mesclando as veras às burlas, o doce ao proveitoso e o moral à farsa, dissimulando na isca do donaire o anzol da repreensão, e cumprindo com o acertado assunto em que pretende a expulsão dos livros de cavalarias, pois com sua boa diligência manhosamente limpando de sua contagiosa dolência a estes reinos, é obra mui digna de seu grande engenho, honra e glória de nossa nação, admiração e inveja das estranhas. Este é meu parecer, salvo, etc. Em Madrid, a 17 de março de 1615.

O mestre Josef de Valdivielso