Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Catherine Westbrook · Capítulo 11 de 59

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Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

7 Meios de Contraste

Introdução

O realce por contraste é extremamente valioso em muitos processos mórbidos, inclusive tumores, inflamação e infecção. Embora essas patologias apresentem um elevado teor de água e sejam, com frequência, visualizadas nas imagens ponderadas em T2, algumas vezes não há contraste suficiente entre a lesão e o tecido circundante. Além disso, as imagens ponderadas em T1 apresentam uma RSR mais elevada e são, portanto, vantajosas, embora a água e a patologia sejam muitas vezes isointensas nessas sequências. Por conseguinte, algumas vezes é necessário realçar seletivamente a patologia por meio da administração de um meio de contraste. Como em outras modalidades de diagnóstico, o meio de contraste de RM pode ser classificado como positivo ou negativo de acordo com sua finalidade: aumentar ou diminuir a quantidade de sinal retornado pelo tecido em questão. Os meios positivos costumam conter o metal terra rara, gadolínio, da família dos lantanídeos, como seu princípio ativo; os negativos historicamente contêm óxido de ferro. Aqui apresentamos apenas os aspectos gerais desse assunto. O leitor que deseje explicações mais

detalhadas deve ler o Capítulo 11 do livro MRI in Practice ou um livro-texto equivalente.

 

Meios de contraste positivos Até este momento, há nove meios de contraste positivos para RM disponibilizados comercialmente. O princípio ativo desses agentes é o gadolínio. Em seu estado natural, o gadolínio, que resulta da extração de minérios em estado bruto, é um metal terra rara, do grupo dos lantanídeos e de cor prateada. Abaixo dos 20°C, o gadolínio metálico é ferromagnético devido à presença de sete elétrons desemparelhados; à temperatura do corpo, é altamente paramagnético. Em nível molecular, o efeito real desses elétrons desemparelhados de carga negativa é um campo magnético oscilante com uma frequência similar à frequência de Larmor dos núcleos de hidrogênio próximos. Isso provoca um encurtamento do tempo de T1 por meio do aumento da capacidade dos núcleos de hidrogênio de dissipar energia, mas provoca também um encurtamento do tempo de T2 devido ao efeito de defasamento das flutuações microscópicas no campo magnético local.

Na dose recomendada de 0,1 a 0,2 mmol/kg, o efeito predominante é o

encurtamento em T1; por essa razão, os meios à base de gadolínio são conhecidos como agentes de realce para T1. A única exceção a essa regra ocorre quando um bolus de agente à base de gadolínio é usado junto com um GRE em imagem de perfusão, causando uma diminuição momentânea

na intensidade de sinal T2* em toda a rede capilar (ver Capítulo 3, Sequências de Pulso).

In vivo, os íons de gadolínio livres tendem a se ligar a proteínas nos

vários tecidos do corpo. Isso é indesejável do ponto de vista toxicológico, e, por essa razão, o gadolínio é combinado a uma molécula conhecida como ligante. Os ligantes usados podem ter forma cíclica ou linear. O ligante cíclico circunda o íon de gadolínio, o linear se agarra a ele, e, em cada caso, o composto resultante é chamado de quelato. O quelato evita fortemente que os íons de gadolínio se liguem aos tecidos endógenos no corpo do paciente. Outra função dos ligantes é facilitar a rápida eliminação do corpo através dos rins. Uma grande quantidade de gadolínio é excretada em menos de 1 hora. Recentemente, tem havido preocupação com o uso de meios de contraste à base de gadolínio em pacientes com disfunção renal, principalmente devido à sua relação com a fibrose sistêmica nefrogênica (FSN). Apesar de a causa exata dessa rara doença ainda ser objeto de debate, supõe-se que os íons de gadolínio sejam liberados dos ligantes por um processo chamado transmetalação. Esse processo envolve a substituição do íon de gadolínio por um cátion encontrado naturalmente no corpo, como o zinco. A doença causa espessamento e endurecimento característicos na pele e dor nas articulações.

O gadolínio é normalmente administrado por via intravenosa (IV), mas

também pode ser injetado diretamente em uma articulação ou ser administrado oralmente. O gadolínio oral fornece contraste positivo do trato gastrintestinal, marcando o intestino e, assim, aumentando a visualização de órgãos abdominais, como o pâncreas. O gadolínio oral tem sabor neutro e é misturado facilmente com água antes de sua ingestão. Os problemas são decorrentes do “branqueamento” do intestino, embora isso possa ser minimizado pelo ajuste cuidadoso da dose e pela cronometragem ótima da sequência de exame depois da ingestão. Uma solução diluída do quelato de gadolínio também pode ser injetada diretamente em uma cavidade, como, por exemplo, uma articulação. A artrografia por ressonância magnética é uma técnica importante, especialmente no quadril, no ombro e no tornozelo.

 

Meios de contraste negativos

Por muitos anos, o óxido de ferro foi usado como um meio de contraste negativo em RM. A natureza superparamagnética do óxido de ferro provoca alterações microscópicas na homogeneidade do campo magnético nas proximidades de qualquer partícula injetada na corrente sanguínea ou absorvida pelos tecidos, como o parênquima hepático. Isso, por sua vez, causa defasamento dos momentos magnéticos, encurtamento no tempo de decaimento de T2 e redução acentuada na intensidade do sinal. Assim como o gadolínio, o ferro em forma pura pode ser tóxico e deve ser tornado seguro antes de sua administração. A maioria dos meios negativos originais usava nanopartículas de óxido de ferro revestidas por um polímero a fim de evitar que o ferro fosse liberado na corrente sanguínea. As partículas de óxido de ferro atualmente caíram em desuso, mas muitas unidades ainda usam sucos de fruta, como abacaxi e mirtilo, para obter contraste negativo no intestino. O mecanismo de contraste deve-se à alta concentração de íons paramagnéticos de manganês, que, assim como o óxido de ferro, causam perda de homogeneidade no campo magnético e defasamento.

 

Conclusão

O desenvolvimento dos meios de contraste foi rápido e sua utilização aumentará a capacidade diagnóstica da RM no futuro. Assim, é importante que os usuários da RM se mantenham atualizados com esses avanços para garantir o uso ótimo e seguro desses agentes.

 

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