Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Catherine Westbrook · Capítulo 19 de 59

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Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Faringe

Anatomia básica (Figura 8.45)

 

Figura 8.45 Corte sagital/oblíquo no nível da boca, da laringe e da faringe.

 

Indicações comuns

■ Estadiamento de carcinoma orofaríngeo ■ Massas faríngeas e parafaríngeas ■ Investigação de apneia do sono ■ Transtornos da deglutição.

 

Equipamento

■ Bobina de pescoço anterior/bobina volumétrica de pescoço para

envolvimento dos gânglios cervicais

■ Bobina de crânio (em quadratura ou em arranjo de fase) para a área da

faringe e base do crânio

■ Coxins e faixas para imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido.

 

Posicionamento do paciente

O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame, com a cabeça na bobina de crânio. A cabeça é posicionada de modo que a linha interpupilar fique paralela à mesa de exame e a cabeça reta. Se a imagem do pescoço for realizada para envolvimento ganglionar, a bobina de pescoço anterior ou volumétrica é colocada ao redor ou anterior ao pescoço do paciente. É preciso cautela para incluir a base do crânio na bobina. A cabeça do paciente é retificada, porque este procedimento geralmente também retifica o pescoço.

O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal

fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível do ângulo da mandíbula. Nas imagens dos gânglios cervicais, a luz de alinhamento vertical deve ficar localizada a meio caminho entre as faces posterior e anterior do pescoço. Um coxim macio pode ser colocado sob o pescoço do paciente para facilitar essa posição, embora muitas bobinas específicas garantam que o pescoço assuma naturalmente a posição correta. Faixas e coxins de espuma são utilizados para imobilização.

Protocolo sugerido

T1 SE/FSE coronal (Figura 8.46)

São prescritos cortes/espaçamentos desde a margem posterior da medula cervical até a face anterior do pescoço. Esta distância é medida em relação à luz de alinhamento vertical antes do exame. Esta imagem inclui a área

desde a base do crânio até as articulações esternoclaviculares (Figura 8.47).

P 25 mm a A 25 mm

DP/T2 SE/FSE axial

São prescritos cortes/espaçamentos finos desde a cartilagem tireóidea até a

base do crânio (Figura 8.48).

DP/T2 SE/FSE sagital

Como DP/T2 axial, exceto que são prescritos cortes das paredes laterais esquerda para direita da faringe.

A cobertura é ampliada se houver suspeita de doença ganglionar ou

parafaríngea. Esta imagem inclui desde a base do crânio até a cartilagem

tireóidea (Figura 8.49).

 

Sequências adicionais

Na avaliação da disseminação tumoral o plano de varredura e a cobertura do corte são alterados, dependendo do local do tumor primário, da seguinte forma:

 

■ Tumores orais incluem os gânglios cervicais nos planos axial e coronal

Figura 8.46 FSE sagital com ponderação em T1 localizadora da faringe.

 

Figura 8.47 FSE sagital com ponderação em T2 localizadora mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem coronal da faringe.

Figura 8.48 T1 FSE coronal localizadora mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem axial da faringe.

Figura 8.49 T1 FSE coronal localizadora mostrando limites de prescrição e orientação do corte para imagem sagital da faringe.

■ Tumores nasofaríngeos incluem o seio esfenoidal no plano sagital e

axial

■ Tumores orofaríngeos incluem o espaço parafaríngeo, a base da fossa

craniana média e o triângulo anterior do pescoço nos planos axial e sagital.

As sequências rápidas são úteis nas imagens dinâmicas da faringe para

avaliar a deglutição. O paciente é orientado a engolir pão ou batata amassada embebida em gadolínio e obtém-se a imagem do bolus durante a deglutição. Como a fase faríngea superior da deglutição é muito rápida, sequências como EPI, que conseguem adquirir 20 a 25 imagens por segundo, são necessárias, combinadas a boa resolução. Além disso, as imagens em 3D da faringe podem ser utilizadas para avaliar a anatomia durante o sono.

 

Otimização da imagem

Considerações técnicas

O exame da porção anterior do pescoço é notoriamente difícil. A RSR é frequentemente insatisfatória, sobretudo se for utilizada uma bobina abaixo do padrão. A bobina de crânio provavelmente é a melhor escolha para este exame, embora seja necessária uma bobina anterior ou volumétrica moldada à face e ao pescoço para visualizar melhor os gânglios cervicais e a disseminação inferior do tumor. Entretanto, até mesmo com as melhores bobinas, frequentemente são necessários NEX/NSA múltiplos para manter a RSR. A resolução espacial também é importante nesta área, portanto, são necessários cortes/espaçamentos finos e matriz razoavelmente fina para otimizar a imagem. O uso dessas matrizes e de múltiplos NEX/NSA frequentemente prolonga o tempo de varredura.

Uma solução para esses problemas é o uso de FSE associado ao FOV. O

FSE reduz significativamente o tempo de varredura e fornece RSR mais alta, especialmente nas sequências com ponderação em T2. O FOV retangular/assimétrico permite a aquisição de matrizes finas com tempo de varredura mais curto. Nas imagens coronal e axial, o eixo longo do retângulo é colocado em S para I e em A para P, respectivamente.

Problemas com artefatos

O artefato nesta região é originado do movimento de fluxo nos vasos carotídeos, vertebrais e jugulares e da deglutição. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em S e em I em relação ao FOV reduz significativamente o artefato. Este procedimento aumenta a efetividade, mas é preciso cautela para não obscurecer a anatomia importante. GMN reduz ainda mais o artefato, mas, como também aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, em geral, não é benéfica nas sequências com ponderação em T1.

A deglutição é um problema comum nesta área. Se o paciente deglutir

com muita frequência, o artefato de movimento interfere na imagem. O uso de múltiplos NEX/NSA para diminuir este artefato reduz os fantasmas de fase, mas prolonga o tempo de varredura. Se o paciente não deglutir, o acúmulo de saliva nas fossas piriformes pode, às vezes, dificultar a interpretação da imagem. O paciente deve ser aconselhado a deglutir o mínimo possível durante o exame, mas tentar eliminar a saliva da boca quando necessário. O movimento respiratório pode mover a bobina de pescoço anterior durante a aquisição dos dados. Se isto for um problema, oriente o paciente a respirar superficialmente. Além disso, pequenos coxins de espuma colocados entre o tórax e a bobina ajudam a reduzir o movimento da mesma. O artefato de suscetibilidade magnética causado por restaurações dentárias interfere, às vezes, com a anatomia importante. Artefatos de suscetibilidade podem ser reduzidos aumentando a largura da banda de recepção e evitando sequências GRE, se possível.

 

Considerações do paciente

Alguns pacientes com patologia oral ou faríngea produzem muita saliva e sentem dificuldade para deglutir. Frequentemente, isto leva a asfixia ou artefato de deglutição importante. Tente acalmar e tranquilizar o paciente o máximo possível antes do exame. Dê a ele muitos lenços de papel e, nos casos extremos, considere realizar o exame em decúbito ventral. O paciente é orientado a deglutir o mínimo possível durante o exame, mas garantir que a boca fique sem saliva quando o fizer. Isto evita o acúmulo de saliva nas fossas piriformes.

Devido ao ruído do gradiente excessivamente alto associado a algumas

sequências, é necessário o uso de tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.

 

Uso de contraste

Raramente é indicado, mas pode ser útil para diferenciar a magnitude e a natureza de uma lesão.