Manual de Técnicas de Ressonância Magnética
Pé
Indicações comuns
■ Avaliação de anormalidades ósseas e nos tecidos moles (tumor,
infecção)
■ Diagnóstico de traumatismo ósseo não detectado na radiografia
convencional
■ Tumores ósseos
■ Neuroma de Morton
■ Coalizões tarsais
■ Pé diabético.
Equipamento
■ Bobina de extremidade/bobina de cabeça/bobinas de superfície
flexíveis/bobina pequena configurada em arranjos múltiplos
■ Coxim de espuma e faixas de imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido.
Posicionamento do paciente
Devido ao eixo não ortogonal dos pés, pode ser difícil obter imagens coronais e sagitais verdadeiras sem prescrição de exames oblíquos. Com os pés em dorsiflexão é possível obter imagens sagitais verdadeiras, mas devido à curvatura dos ossos do tarso, às vezes a imagem coronal é difícil. Provavelmente, é aconselhável examinar o paciente como no exame do tornozelo, se os ossos do tarso estiverem na ROI, e reservar as técnicas de imagem específicas do pé para quando forem examinados os artelhos e os metatarsos. O paciente é, em geral, posicionado como nos exames do tornozelo na bobina de extremidade ou de cabeça. O uso dessas bobinas garante que os artelhos não ultrapassem a área da bobina anteriormente. Isto pode ocorrer se o paciente tiver pés grandes e, nessas circunstâncias, é necessário uma bobina de superfície para conseguir uma cobertura adequada. A porção anterior do pé pode ser examinada de forma eficaz e confortável com uma bobina de superfície flexível ou com duas bobinas em arranjo, com o paciente em decúbito ventral e com os pés em flexão plantar. A imobilização do pé e da bobina utilizando faixas e esponjas cruzadas é fundamental nos dois casos.
Se o paciente estiver em posição ventral, eleve o pé e a bobina de modo
que o eixo longo do pé esteja no nível da luz de alinhamento horizontal. Se os pés estiverem plantados na bobina de superfície, eleve a bobina e o pé de modo que a luz de alinhamento vertical passe através do meio do pé no eixo vertical. Esta posição melhora o conforto do paciente e garante que cada parte do pé esteja no isocentro, o que simplifica a imagem subsequente e dispensa a necessidade de descentralização. O paciente fica o mais confortável possível e imobilizado com coxins e faixas, se necessário.
Protocolo sugerido
Alinhamento do plano do exame
Os protocolos se referem aos seguintes planos anatômicos. O plano axial é perpendicular ao eixo longo do pé, mostrando os metatarsos em corte transverso. O plano coronal é análogo à incidência em AP da radiografia simples, com os metatarsos adjacentes um ao outro.
Nota: Esses planos podem não coincidir com a terminologia utilizada em outros textos e, dependendo do posicionamento do paciente, podem não corresponder à marcação do plano ortogonal no seu aparelho.
SE/FSE GRE T1 incoerente (spoiled) axial
Atua como localizador se a localização triplanar não estiver disponível, de modo que a curvatura dos tarsos e dos metatarsos possa ser avaliada. Cortes/espaçamentos médios são prescritos de cada lado da luz de alinhamento horizontal.
I 20 mm a S 20 mm
SE/FSE T1 axial
São prescritos cortes/espaçamentos finos, incluindo desde a extremidade dos dedos até os ossos do tarso, com boa resolução para fornecer nítida
imagem anatômica do pé (Figura 14.28). As sequências SE são preferidas para avaliação de lesão nos tendões, mas as sequências FSE ETL curtas podem ser utilizadas para obter maior resolução espacial em um tempo de varredura aceitável.
FSE DP/T2 axial +/– supressão de tecido
Prescrição do corte como para T1 axial.
Essas sequências mostram derrames articulares, lesões expansivas e
coleções. A adição de supressão de gordura permite a visualização de lesão trabecular sutil nas fraturas de estresse dos ossos do metatarso.
Na imagem de tecido mole (neuroma de Morton), usam-se imagens com
ponderação em T2 (TE > 65 ms).
SE/FSE T1/DP sagital (Figura 14.29)
São prescritos cortes/espaçamentos finos, da face lateral para a medial do
pé, e devem incluir da planta do pé até a porção distal da tíbia (Figura
14.30).
FSE DP T2/STIR/GRE T2/T2* coerente sagital + supressão de
tecido (Figura 14.31)
Prescrição do corte como para T1 sagital.
Para demonstração de coleções de líquido, infecção e fraturas do
metatarso ou do tarso.
Figura 14.28 Imagem FSE sagital com ponderação em DP mostrando limites de prescrição e orientação do corte para imagem axial do pé.
Figura 14.29 Imagem FSE sagital com ponderação em DP do pé.
Figura 14.30 Localizador FSE coronal com ponderação em DP do pé mostrando limites de prescrição e orientação do corte para imagem sagital do pé.
Figura 14.31 Imagem FSE sagital com ponderação em DP do pé com supressão de tecido.
Na imagem de tecido mole (neuroma de Morton), usam-se imagens com
ponderação em T2 (TE > 65 ms).
Sequências adicionais
SE T1 coronal ou FSE DP/T2 + supressão de tecido
Este plano de imagem é preferido ao sagital, em que as imagens axiais mostram patologia importante estendendo-se entre os ossos do metatarso
(Figura 14.32).
GRE DP/T2* coerente sagital 3D
Adquirida como um conjunto de dados isotrópicos, esta sequência pode ser útil para avaliar anatomia e patologia em qualquer plano. Os cortes sagitais devem incluir todo o pé, desde a planta até a porção distal da tíbia.
FSE 3D com ângulo de inclinação redirecionado variável
Fornece alta resolução e boa RSR em um tempo de aquisição mais curto do que na FSE 3D convencional.
Figura 14.32 Imagem FSE sagital com ponderação em DP do pé mostrando limites de prescrição e orientação do corte para imagem coronal do pé.
Otimização da imagem
Considerações técnicas
Os exames do pé podem ser difíceis porque o pé é pequeno em comparação com as bobinas disponíveis, comprometendo a RSR e a resolução. O uso de bobinas flexíveis, de arranjos simples e de bobinas específicas compensa essas dificuldades. Múltiplos NEX/NSA frequentemente são requeridos para otimizar a RSR. É importante uma excelente resolução espacial, especialmente no exame de estruturas pequenas, como os metatarsos e as falanges. Portanto, são necessários cortes/espaçamentos finos e matrizes finas. Shimming (homogeneização de campo) adicional pode ser necessário antes das sequências de supressão de tecido.
Problemas com artefatos
Esta área apresenta pouco artefato de fluxo, mas é aconselhável introduzir pulsos de pré-saturação espacial S em relação ao FOV para reduzir qualquer fluxo originado nos vasos distais. A GMN diminui o artefato de fluxo, mas, como aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, geralmente não é benéfica nas sequências com ponderação em T1. Entretanto, GMN pode aumentar efetivamente o contraste (dependendo da direção em que é aplicada) no líquido sinovial nas imagens com ponderação em T2 e em T2*. Em áreas pequenas, como os dedos, podem ocorrer artefatos de movimento, e técnicas FSE não sensíveis ao movimento e ao fluxo, como a PROPELLER, podem ser usadas. Graças à complexidade dessa anatomia, a supressão de gordura pode não ser uniforme. Shimming (homogeneização de campo) adicional pode ser necessário antes das sequências de supressão de tecido. Caso contrário, deve-se preferir STIR.
Considerações do paciente Os pacientes são cuidadosamente imobilizados para diminuir os artefatos de movimento. A posição do pé é importante para as imagens subsequentes nos planos ortogonais e o uso de coxim e de fita adesiva para manter o pé na posição é aconselhável. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, sempre devem ser utilizados tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.
Uso de contraste
O contraste não é utilizado rotineiramente nas imagens do pé, mas é às vezes indicado em casos de pé diabético, neuroma de Morton e alguns tumores.