Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Catherine Westbrook · Capítulo 27 de 59

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Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Coluna torácica

 

Indicações comuns

■ Doença de disco torácico

■ Compressão da medula torácica ■ Visualização de placa de EM na medula torácica ■ Tumor de medula torácica

■ Visualização da extensão inferior de uma siringe cervical.

 

Equipamento

■ Bobina de coluna posterior/bobina de coluna em arranjo de fase ■ Derivações de sincronização periférica, se necessário ■ Tampões ou fones de ouvido.

 

Posicionamento do paciente

O paciente fica em decúbito dorsal com a bobina de coluna se estendendo desde a parte superior dos ombros até a margem costal inferior para garantir a cobertura completa da região torácica da coluna vertebral e do cone medular. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível do centro da bobina, que corresponde aproximadamente ao nível da quarta vértebra torácica. Se necessário, são conectadas derivações de sincronização periférica.

 

Protocolo sugerido SE/FSE T1 sagital/coronal ou GRE coerente T2*

Atua como localizador se a localização triplanar não estiver disponível. Podem ser utilizados os planos coronal ou sagital.

Localizador coronal. São prescritos cortes/espaçamentos médios em relação à luz de alinhamento vertical, desde o aspecto posterior dos processos espinhosos até a margem anterior dos corpos vertebrais. Esta imagem mostra a área desde a sétima vértebra cervical até o cone medular.

P 40 mm a A 30 mm

Localizador sagital. São prescritos cortes/espaçamentos médios de cada lado da luz de alinhamento longitudinal, desde as margens laterais esquerdas até as direitas dos corpos vertebrais. A área desde a sétima vértebra cervical até o cone medular está incluída nesta imagem.

E 7 mm a D 7 mm

SE/FSE T1 sagital (Figura 9.9)

São prescritos cortes/espaçamentos finos em ambos os lados da luz de alinhamento longitudinal, desde as margens laterais esquerdas até as direitas dos corpos vertebrais (a menos que seja necessário incluir as regiões paravertebrais). A área desde a sétima vértebra cervical até o cone medular é incluída na imagem.

E 22 mm a D 22 mm

Figura 9.9 Imagem FSE sagital com ponderação em T1 da linha média da coluna torácica.

SE/FSE T2 sagital ou GRE coerente T2* (Figura 9.10)

Prescrição de corte como para T1 sagital.

SE/FSE T1 axial/oblíqua ou gradiente eco coerente T2* (Figura 9.11)

Os cortes/espaçamentos finos são angulados de forma que fiquem paralelos ao espaço de disco ou perpendiculares à lesão que está sendo examinada

(Figura 9.12). Na doença de disco geralmente são suficientes três ou quatro cortes por nível. Nas lesões maiores, como tumor ou siringomielia, são necessários cortes mais espessos cobrindo a lesão e uma pequena área acima e abaixo da mesma.

Sequências adicionais

SE/FSE T1 sagital/axial/oblíqua +/– contraste

Na avaliação do cone e de outras lesões medulares.

 

Figura 9.10 Imagem FSE sagital com ponderação em T2 da linha média, no nível da medula torácica.

Figura 9.11 Imagens FSE axiais/oblíquas com ponderação em T2, no nível da medula torácica.

Figura 9.12 Imagem FSE sagital com ponderação em T2 da linha média, no nível da coluna torácica, mostrando os limites da prescrição de corte e a orientação para imagem axial do cone.

 

Otimização da imagem

Considerações técnicas

A RSR nesta região depende principalmente da qualidade da bobina. O brilho da superfície posterior da pele pode causar problemas, sobretudo na imagem T1 sagital, na qual os tecidos adiposos posteriores à coluna torácica retornam sinal alto. Além disso, ocorre queda do sinal originado na parte anterior do tórax devido a sua distância da bobina situada posteriormente. Por este motivo, a bobina de coluna posterior não é utilizada para obter imagens do tórax, a menos que o paciente seja uma criança muito pequena. As bobinas em arranjo de fase são úteis para obter imagens da medula cervical e torácica completa, mantendo RSR e resolução ideais.

A resolução espacial é importante especialmente nas imagens

axiais/oblíquas, porque é difícil visualizar as raízes neurais na região torácica. Cortes finos com espaçamento pequeno e matrizes relativamente finas são utilizados para manter a resolução espacial. NEX/NSA múltiplos também são aconselháveis se a RSR intrínseca for insatisfatória. Portanto, a menos que seja utilizado FSE, o tempo de varredura geralmente é de vários minutos.

Felizmente, o FOV retangular/assimétrico é utilizado de forma muito

efetiva nas imagens sagitais porque a região torácica da coluna vertebral se enquadra no retângulo com seu eixo longitudinal avançando de S para I. Este procedimento facilita a aquisição de matrizes finas com tempo de varredura curto. Com FOV reduzido na direção de fase, aliasing pode ser um problema. Na imagem sagital este artefato se origina da dobradura do tórax anterior no FOV. O aumento do FOV total ou a utilização de superposição (se disponível) pode eliminar ou reduzir este artefato. Além disso, é eficaz a introdução de pulsos de pré-saturação espacial no FOV (ver

Capítulo 4, Fenômenos de Fluxo e Artefatos). Na prática, é utilizado um FOV relativamente grande para obter imagens da coluna torácica e ocorre perda de sinal na parte anterior do tórax; aliasing não é, em geral, problemático.

Os múltiplos pulsos de RF de 180° usados nas sequências podem

prolongar o tempo de decaimento em T2 da gordura, de modo que a intensidade do sinal da gordura nas imagens FSE com ponderação em T2 é mais alta que na spin eco convencional. Isto, às vezes, dificulta a detecção de anormalidades medulares. Portanto, deve ser utilizada sequência STIR na obtenção de imagens dos corpos vertebrais.

Problemas com artefatos

O fluxo das pulsações liquóricas comumente causa intenso fantasma de fase na região torácica, embora a velocidade do fluxo seja, com frequência, menor que na área cervical. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em S e I em relação ao FOV é necessária para reduzir esses problemas relacionados ao fluxo. GMN também minimiza o artefato de fluxo, mas como aumenta o sinal oriundo do líquido cefalorraquidiano e o TE mínimo disponível, em geral, é reservada para as sequências com ponderação em T2 e em T2*. FSE é comumente utilizada nesta área porque a redução associada no tempo de varredura permite o uso de matrizes muito finas. Entretanto, esta sequência frequentemente mostra aumento do artefato de fluxo em comparação às sequências SE e GRE. Portanto, se o artefato de fluxo também causar problemas, SE e GRE podem ser substituídos.

Fantasma de fase do movimento cardíaco e respiratório é a principal

fonte de artefato na região torácica. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial no FOV sob campos pulmonares e cardíacos é muito eficaz para a redução deste artefato. A sincronização periférica diminui o artefato ainda mais; porém, como o tempo de varredura depende da frequência cardíaca do paciente, às vezes, é mais demorado. O uso de sincronização periférica é, portanto, mais bem reservado para os casos de artefato de fluxo intenso que não pode ser reduzido a um nível tolerável por outras medidas.

Nas imagens sagitais a mudança do eixo de fase de modo que avance de

S para I em vez de A para P remove o artefato da medula. Entretanto, se houver cifose significativa, o artefato ainda pode obscurecer as regiões cervical e lombar. Além disso, se for utilizado FOV retangular/assimétrico, a mudança do eixo de fase coloca o eixo longitudinal do retângulo em situação horizontal e anula seus benefícios. Nos sistemas mais novos é possível utilizar pulsos de pré-saturação espacial curvos, possibilitando a colocação acurada das bandas na aorta torácica.

Devido à implementação de FOV pequeno nas imagens axiais/oblíquas, é

comum a ocorrência de aliasing e, portanto, é necessário superposição. Além disso, o artefato de fase decorrente do movimento das paredes laterais do tórax durante a respiração e alguma pulsação dos vasos frequentemente interfere nas imagens. A introdução cuidadosa de pulsos de pré-saturação espacial em A, D e E do FOV é, em geral, eficaz para a redução deste fenômeno. CR raramente é necessária na coluna torácica porque a bobina de coluna situada posteriormente causa queda de sinal proveniente da parede torácica anterior e, portanto, o artefato respiratório é, em geral, menos problemático do que quando se obtém a imagem de todo o tórax na bobina corporal (body coil). Entretanto, se o movimento do diafragma for mais significativo representando um problema particular, o uso da CR pode ser considerado.

 

Considerações do paciente

Os pacientes que sofreram traumatismo raquimedular podem apresentar incapacidade grave e dor intensa. É óbvio que, nessas circunstâncias, o exame deve ser realizado o mais rapidamente possível. Por causa do ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências é preciso disponibilizar tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.

 

Uso de contraste

O uso de contraste não é empregado rotineiramente na doença discal. Entretanto, nos casos de disseminação leptomeníngea de determinados tumores, como meduloblastoma, o seu uso é de grande valia. Outras lesões raquimedulares, como ependimomas e pinealoblastomas, também são bem realçadas com contraste, bem como os processos infecciosos e as placas de EM ativa. Os tumores ósseos, especialmente aqueles com sinal baixo nas imagens com ponderação em T1, são realçados com o contraste, mas frequentemente isto aumenta a intensidade do sinal, de modo que se tornam isointensos em relação às vértebras circundantes. Nessas circunstâncias, deve ser utilizada a supressão de tecido ou alguma técnica de saturação/supressão de gordura com base na frequência, como a técnica Dixon, que pode ser implementada para reduzir o sinal proveniente da medula gordurosa nos corpos vertebrais. STIR não deve ser utilizada junto com contraste, porque a inversão de pulso pode anular o sinal proveniente do tumor que, em consequência do realce do contraste, passa a apresentar tempo de recuperação em T1 semelhante ao da gordura.