Manual de Técnicas de Ressonância Magnética
Sela turca ou sela túrcica
Anatomia básica (Figura 8.32)
Figura 8.32 A hipófise e suas relações.
Indicações comuns ■ Investigação de doenças relacionadas à função hipofisária
(hiperprolactinemia, doença de Cushing, acromegalia, hipopituitarismo, diabetes insípido, amenorreia)
■ Transtornos hipotalâmicos
■ Defeito no campo visual
■ Avaliação pós-operatória de adenomas hipofisários.
Equipamento
■ Bobina de crânio (em quadratura ou em arranjo de fase) ■ Coxins e faixas para imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido.
Posicionamento do paciente
O paciente fica em decúbito dorsal com a cabeça na bobina de crânio. A posição da cabeça é ajustada de modo que a linha interpupilar fique paralela à mesa de exame e a cabeça reta. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe através do násio. Faixas e coxins de espuma são utilizados para imobilização.
Protocolo sugerido
T1 SE sagital (Figura 8.33)
Cortes/espaçamentos finos são prescritos das margens laterais esquerda
para direita da sela turca. Esta imagem inclui a área desde a margem inferior do seio esfenoidal até a porção superior dos ventrículos laterais.
E 10 mm a D 10 mm
T1 SE/FSE coronal (Figura 8.34)
Cortes/espaçamentos finos ou intercalados são prescritos desde as clinoides posteriores até as clinoides anteriores. A margem inferior do seio esfenoidal até a porção superior dos ventrículos laterais está incluída nesta imagem. Utilize supressão de tecido se houver massa de sinal alto para descartar a possibilidade de dermoide intrasselar.
Figura 8.33 SE sagital com ponderação em T1, corte da linha média no nível do cérebro mostrando os limites de prescrição e a orientação para imagem coronal da sela turca.
Figura 8.34 FSE coronal com ponderação em T1 no nível dasela turca.
Sequências adicionais
T1 SE/FSE coronal + contraste
Prescrição de corte como para T1 coronal sem contraste.
T1 SE/FSE sagital +/– contraste
Prescrição de corte como para T1 sagital sem contraste.
T1 GRE incoerente (spoiled) 3D +/– contraste Cortes finos e um número pequeno de localizações de corte são prescritos no nível da sela turca. Ampliar a cobertura anterior e posteriormente para descontar o envolvimento do corte.
T1 SE/FSE axial +/– contraste
Como na T1 coronal, exceto que são prescritos cortes desde o assoalho da
sela turca até o círculo arterial do cérebro (círculo de Willis) (Figura 8.35).
Figura 8.35 SE sagital com ponderação em T1, corte na linha média no nível do cérebro mostrando os limites de prescrição e a orientação para imagem axial da sela turca.
Otimização da imagem
Considerações técnicas
A sela turca é uma estrutura relativamente pequena e, além disso, a visualização de microadenomas frequentemente é difícil. Consequentemente, a resolução espacial é importante. Para otimizála, use cortes finos intercalados e o menor FOV possível para manter uma boa RSR. Além disso, matriz fina associada a NEX/NSA múltiplo é necessária para manter a RSR. A aquisição volumétrica permite o uso de cortes mais finos e sem espaçamento e, portanto, às vezes é útil nessa área. Como os detalhes anatômicos e o realce por contraste são importantes, é necessária uma sequência GRE incoerente (spoiled).
Problemas com artefatos
A sela turca está localizada logo anterior e inferior ao círculo de Willis e, portanto, o artefato de fluxo costuma ser mais problemático que na imagem padrão do cérebro. Além disso, o FOV menor aumenta a probabilidade de aliasing; dessa forma, é necessário superposição se houver anatomia fora do FOV na direção de fase.
Nas aquisições volumétricas é necessário apenas um corte de fina
espessura; consequentemente, o envolvimento do corte é, em geral, problemático. Quando prescrever os cortes, sempre aumente a cobertura para compensar. Além disso, cortes extras aumentam a RSR. Em uma sequência 3D, a RSR é proporcional à raiz quadrada do número de cortes. GMN minimiza o artefato de fluxo na região da hipófise; entretanto, não apenas aumenta o sinal nos vasos, mas também diminui o TE mínimo disponível. Por conseguinte, geralmente não é benéfica nas sequências com ponderação em T1. Sequências GRE incoerentes (spoiled) através da sela turca podem sofrer alteração causada pelos artefatos de suscetibilidade magnética excessiva quando obtidas em sistemas de campo alto ($ 1,0 T). Isso é minimizado pelo uso de cortes finos (3 mm ou menos) e do TE mais curto possível. Campos de força menores podem ser beneficiados com RSR aumentada fornecida pelas aquisições 3D, tirando vantagem dos artefatos de suscetibilidade magnética reduzida associados à redução do campo de força.
Considerações do paciente
A claustrofobia é, com frequência, um problema devido à natureza confinada da bobina de crânio. Explicação minuciosa sobre o procedimento e tranquilização são necessárias para evitar sedação. Em virtude do ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, são necessários tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.
Uso de contraste
O uso de contraste não é um procedimento de rotina, exceto no diabetes insípido e nos transtornos hipotalâmicos. O contraste é, às vezes, necessário para doença de Cushing porque os microadenomas são, com frequência, muito pequenos, não sendo bem detectados nas imagens não contrastadas. Em geral, macroadenomas realçam rapidamente, mas os microadenomas, não. Entretanto, devemos observar, finalmente, que a hipófise, bem como o próprio microadenoma, apresenta contraste; portanto, é importante a cronologia cuidadosa das imagens obtidas após administração de contraste. Uma técnica frequentemente empregada é a sequência de varredura rápida/dinâmica. Cortes finos (3 mm) são obtidos através da hipófise, geralmente com um tempo de varredura igual ou inferior a 1,5 minuto. Esse procedimento é repetido 3 ou 4 vezes com um mínimo de atraso entre cada um dos conjuntos dinâmicos. Nas imagens iniciais, a hipófise normal realça, enquanto o microadenoma, não. Como mencionado anteriormente, em alguns minutos o microadenoma também realça, tornando-se isointenso com a hipófise. É comum encontrar sinal de alta intensidade no lobo posterior da hipófise nas imagens não contrastadas, sobretudo nos pacientes com diabetes. Atualmente, as causas e a importância clínica desse achado não foram totalmente avaliadas. Além disso, estudos demonstraram que metade da dose usual de gadolínio pode ser o ideal para as imagens da hipófise.