Manual de Técnicas de Ressonância Magnética
Seios paranasais
Anatomia básica (Figura 8.42)
Figura 8.42 Corte anterior dos seios paranasais.
Indicações comuns
■ Estadiamento de neoplasias antes da ressecção ■ Diferenciação entre inflamação e neoplasia.
Equipamento
■ Bobina de crânio (em quadratura ou em arranjo múltiplo) ■ Coxins de espuma e faixas para imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido.
Posicionamento do paciente
O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame, com a cabeça dentro da bobina de crânio. A cabeça é posicionada de modo que a linha interpupilar fique paralela à mesa de exame e a cabeça fique reta. O paciente é posicionado de forma que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível do násio. São utilizados coxins de espuma e faixas para imobilização.
Protocolo sugerido
T1 SE sagital
São prescritos cortes/espaçamentos médios de cada lado da luz de alinhamento longitudinal por toda a cabeça. Esta imagem inclui a área desde o forame magno até o topo da cabeça.
E 37 mm a D 37 mm
T1 SE/FSE coronal
São prescritos cortes/espaçamentos médios desde a porção posterior do seio esfenoidal até a ponta do nariz. Todos os seios paranasais são incluídos nesta imagem, desde a margem inferior dos seios maxilares até a margem
superior dos seios frontais (Figura 8.43).
T1 SE/FSE axial
Como T1 coronal, exceto que os cortes são prescritos desde a margem inferior dos seios maxilares até a margem superior dos seios frontais
(Figura 8.44).
Figura 8.43 SE sagital com ponderação em T1, corte da linha média no nível do cérebro revela os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem coronal dos seios paranasais.
Figura 8.44 SE sagital com ponderação em T1, corte na linha média mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem axial dos seios paranasais.
T2/DP SE/FSE coronal/axial
Prescrição de corte como para T1 axial e coronal.
Sequências adicionais
O uso de RM em imagens dos seios paranasais recentemente foi ampliado para procedimentos intervencionistas. O uso de sistemas de magnetos abertos que permitem obter imagens em tempo quase real é benéfico na cirurgia endoscópica funcional dos seios paranasais. As potencialidades multiplanares da RM permitem a rápida visualização do nervo óptico em três planos, de modo que este tipo de cirurgia tornou-se mais rápido e mais seguro.
Otimização da imagem
Considerações técnicas
A RSR e a RCR dos seios paranasais são, com frequência, insatisfatórias devido à baixa densidade de prótons nas cavidades preenchidas com ar. A resolução óssea da RM não é tão boa quanto a da tomografia computadorizada (TC), mas é útil na visualização da natureza e da magnitude de massas nos tecidos moles. A resolução espacial não é, em geral, tão importante quanto a boa RSR nesta região. Os cortes médios são escolhidos para manter a RSR e são utilizados NEX/NSA múltiplos, desde que o tempo de varredura seja mantido dentro de limites razoáveis. A FSE permite o uso de matrizes finas e de NEX/NSA múltiplo com manutenção de tempo de varredura relativamente curto.
Problemas com artefatos
A principal fonte de artefato é proveniente dos vasos carotídeos, vertebrais e jugulares. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em I em relação ao FOV reduz, em geral, o artefato a níveis aceitáveis. GMN pode ser usada, mas como aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, geralmente não é benéfica nas sequências com ponderação em T1. Nas imagens axiais e coronais, o artefato de fase ocorre da D para a E, o qual pode obscurecer os seios maxilares. Entretanto, a estratégia de mudar a direção de fase coloca este artefato em S para I, que pode interferir com os seios frontal, etmoidal e esfenoidal. Nessas circunstâncias, a mudança do eixo de fase raramente é benéfica, a menos que os seios maxilares estejam sendo examinados e o artefato de fluxo seja um problema. Se o eixo de fase for mudado nas imagens coronais, é necessária a superposição para evitar o envolvimento do pescoço e do topo da cabeça. O artefato de suscetibilidade magnética causado pelas restaurações dentárias interfere, às vezes, com os seios maxilares. Os artefatos de suscetibilidade podem ser reduzidos aumentando a largura da banda de recepção e evitando sequências GRE, se possível.
Considerações do paciente
A claustrofobia frequentemente é um problema devido à natureza confinada da bobina de crânio. Nesses casos é necessário tranquilizar o paciente e explicar minuciosamente como o procedimento é realizado. Alguns pacientes podem ter secreções nasais abundantes, precisando deglutir ou assoar o nariz com frequência durante o exame.
Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas
sequências, é necessário o uso de tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.
Uso de contraste
O contraste realça o revestimento mucoso dos seios paranasais, mas seu uso não é comum nas doenças sinusais. Entretanto, é útil para diferenciar entre tumores captantes e derrames que não captam contraste.