Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Catherine Westbrook · Capítulo 45 de 59

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Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Obstetrícia

 

Indicações comuns

■ Avaliação de desproporção cefalopélvica no segundo e no terceiro

trimestres de gestação, ou após o parto

■ Placenta prévia

■ Avaliação de doença pélvica concomitante à gravidez e de

anormalidades fetais.

 

Equipamento

■ Bobina corporal (body coil)/bobina com múltiplos arranjos ■ Faixas de compressão (se essa medida for tolerável no período pós-

parto)

■ Tampões ou fones de ouvido.

 

Posicionamento da paciente

A paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame. A luz de alinhamento longitudinal fica na linha média e a luz de alinhamento horizontal passa no nível do ponto médio entre a sínfise púbica e a crista ilíaca. Compressão não deve ser aplicada na gestação ou imediatamente após a cesariana.

 

Protocolo sugerido

SE T1 sagital Cortes/espaçamentos médios são prescritos de cada lado da luz de alinhamento longitudinal para incluir a sínfise púbica e o sacro. O sistema de software pode ser utilizado para medir as dimensões da entrada e da saída da pelve.

E 15 mm a D 15 mm

SE/FSE/SS-FSE T1 e T2 sagital/coronal/axial

Tal como no protocolo padrão, para doença pélvica concomitante à gravidez e para avaliar anormalidades fetais.

 

Otimização da imagem

Considerações técnicas

A RM pode ser utilizada para medir as proporções da pelve e para avaliar lesões pélvicas concomitantes à gestação. O objetivo da pelvimetria por RM é visualizar os marcos ósseos do sacro e da sínfise púbica, de modo que possam ser realizadas medições acuradas. Boa RSR ou resolução espacial geralmente é desnecessária e, como pode ser necessário encaixar essas pacientes em um horário apertado, o tempo de varredura passa a ser o fator mais importante. Se forem utilizados matriz mais grosseira e NEX/NSA mais baixo, a realização deste protocolo demora apenas 1 a 2 minutos.

Se o exame da pelve estiver sendo realizado à procura de anormalidades

fetais ou de doença pélvica concomitante, pode ser difícil obter boa resolução devido ao movimento fetal. A sedação do feto por meio da injeção de fármacos através da veia umbilical pode ser utilizada para acalmá-lo, se clinicamente justificado. Uma alternativa muito efetiva consiste em utilizar sequências rápidas, como SS-FSE ou BGRE. O FOV retangular/assimétrico melhora a resolução, embora o volume do abdome no eixo AP possa causar aliasing (dobra).

Problemas com artefatos Os movimentos fetal e intestinal podem interferir com a imagem, mas não o suficiente para obscurecer os marcos ósseos necessários para as medidas de pelvimetria. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em S e em I em relação ao FOV reduz o fluxo na aorta e na VCI. É preciso muita cautela se forem colocadas bandas de pré-saturação sobre o feto, porque elas aumentam a deposição de RF sobre ele. A minimização do tempo de varredura é a melhor forma de diminuir o efeito do movimento fetal na imagem. Ocasionalmente, o artefato respiratório é problemático, mas raramente é necessário CR e as técnicas em apneia podem, com frequência, ser utilizadas.

 

Considerações da paciente

Na maioria dos países a RM ainda não é indicada no primeiro trimestre de gestação, devido a possíveis riscos não conhecidos. Entretanto, no segundo e terceiro trimestres a RM é, com frequência, preferida à TC ou a outras modalidades de imagens que utilizem radiação ionizante. Nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA) aprova o uso da RM nos três trimestres da gravidez se a RM eliminar a necessidade de exames mais invasivos. Nos estágios mais tardios da gestação, a paciente pode ter sensação de desmaio em decúbito dorsal devido à compressão exercida pelo bebê na VCI. A elevação discreta do quadril às vezes alivia essa sensação, mas nos estudos de pelvimetria este fenômeno também complica o cálculo do tamanho da pelve porque a paciente não está mais realmente no plano sagital. Este problema é superado formandose um ângulo oblíquo no plano sagital a partir do localizador, mas este procedimento prolonga o tempo de varredura devido às sequências extras envolvidas. É aconselhável manter a paciente em decúbito dorsal e completar o exame o mais rápido possível, em vez de colocá-la obliquamente. Compressão não deve ser utilizada se a paciente estiver grávida ou no período imediatamente após a cesariana. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, tampões ou fones de ouvido precisam ser disponibilizados para evitar comprometimento auditivo.

 

Uso de contraste

Em geral, não se administra contraste porque o efeito de sua administração a gestantes e lactantes ainda não foi estabelecido.

 

Pontos-chave

■ Faixas de compressão (se toleráveis) e coxins de espuma são de grande ajuda para um

bom imageamento diagnóstico da pelve. Esses equipamentos reduzem os movimentos respiratório e intestinal. Agentes antiespasmódicos são e cazes em reduzir ainda mais os artefatos intestinais

■ A sequência com ponderação em T2 sagital é a primeira sequência ideal para avaliar a

maioria dos órgãos na linha média da pelve

■ Em geral, o protocolo para pelve deve incluir sequência com ponderação em T2 em todos

os três planos, e sequência GRE T1 no plano axial, para obter imagem dinâmica. SE com ponderação em T1 ou FSE também podem ser usados

■ No imageamento da pelve feminina, a sequência com ponderação em T1 com saturação

de gordura é especi camente necessária para caracterizar gordura ou hemorragia nos anexos uterinos quando há suspeita clínica de cisto dermoide ou endometriose

■ A DWI, que deve ser associada às técnicas de imagens paralelas, está rapidamente se

tornando um complemento necessário ao protocolo para pelve para diferenciar lesões malignas de benignas e para avaliar a resposta do tumor à terapia.

 

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