Manual de Técnicas de Ressonância Magnética
Timo
Indicações comuns
■ Avaliação do timo na miastenia gravis ■ Avaliação de massas do timo em geral ■ Avaliação do mediastino após cirurgia.
Equipamento
■ Bobina corporal (body coil)/bobina torso em arranjo de fase ■ Dispositivos de CR
■ Derivações de gating em ECG ■ Tampões ou fones de ouvido.
Posicionamento do paciente
O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame com os dispositivos de CR e as derivações de gating de ECG (se necessário) ligadas a ele. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal, no nível do esterno. O paciente pode colocar primeiro os pés no magneto se o traçado do ECG for
insatisfatório (ver Capítulo 5, Gating e Técnicas de Compensação Respiratória).
Protocolo sugerido
GRE incoerente (spoiled) rápido em apneia sagital/SE T1 Atua como localizador se a localização triplanar não estiver disponível ou como sequência diagnóstica. Cortes/espaçamentos médios são prescritos de cada lado da luz de alinhamento longitudinal. Esta imagem inclui a área desde o diafragma até o ápice do pulmão.
E 15 mm a D 15 mm
SE T1 axial
Cortes/espaçamentos médios são prescritos no nível do timo.
SE T1 axial + contraste
Como na SE T1 axial, exceto pelo uso de supressão de tecido para diferenciar patologia expansiva de gordura.
Sequências adicionais
SE/FSE T2 axial
Prescrição de corte como para T1 axial.
Imageamento com desvio químico (GRE dentro/fora de fase [in phase/out phase])
Em imagens in phase/out phase, a razão de desvio químico pode ser usada para comparar alterações na intensidade do sinal recebido a partir do tecido tímico em relação aos músculos paraespinais. Esse método é útil para diferenciar hiperplasia tímica de neoplasia quando se observa massa no mediastino anterior.
Otimização da imagem
Considerações técnicas A RSR do tórax é relativamente insatisfatória porque a densidade de prótons nos campos magnéticos é baixa. Além disso, existe pouca gordura para fornecer bom contraste. A utilização de uma bobina em arranjo de fase ajuda a manter a RSR. Isto é especialmente útil quando são necessários cortes e matriz mais finos. O uso de múltiplos NEX/NSA não reduz apenas parte do artefato respiratório e cardíaco em virtude da média do sinal, mas também melhora a RSR causada pelo aumento da coleta de dados. A desvantagem desta estratégia é o aumento associado ao tempo de varredura, embora este aumento possa ser compensado, em algum grau, com o uso de matriz mais grosseira. Em alguns sistemas, as sequências FSE não são compatíveis com as técnicas de CR que utilizam registro de fase. Entretanto, junto com múltiplos NEX/NSA e FOV retangular/assimétrico, seu uso frequentemente aumenta a resolução e a RSR, podendo ser vantajoso nos exames do timo.
Problemas com artefatos
Os movimentos respiratório, cardíaco e de fluxo são os artefatos mais óbvios no tórax. Esses artefatos ocorrem ao longo do eixo de codificação de fase e o grau de interferência na imagem depende principalmente da proficiência da CR e do gating ECG. Assegure-se de que os dispositivos de CR estejam adequadamente conectados e atuando de forma eficiente. Alternativamente, as técnicas em apneia podem ser utilizadas para prender a respiração. Verifique se as derivações do ECG estão corretamente ligadas e que o traçado ECG tenha boa amplitude e esteja deflagrando corretamente
(ver Capítulo 5, Gating e Técnicas de Compensação Respiratória). Quando adequadamente utilizado, o gating do ECG reduz efetivamente o artefato do movimento cardíaco. Entretanto, a qualidade da imagem é comprometida se o gating do ECG não for eficiente.
O eixo de codificação de fase está, em geral, situado de A para P nas
imagens axiais, de modo que qualquer fantasma de fase interfere no timo situado anteriormente. Portanto, é necessário mudar o eixo de fase de D para a E para remover o artefato da glândula timo. Esta estratégia posiciona o eixo longo da anatomia ao longo do eixo de fase, portanto é necessário superposição para evitar o artefato de “dobradura” (aliasing), especialmente
se o FOV for pequeno (ver Capítulo 4, Fenômenos de Fluxo e Artefatos).
Os pulsos de pré-saturação espacial também são importantes para reduzir
ainda mais o artefato de fluxo. Esses pulsos são introduzidos em S e em I em relação ao FOV para diminuir o artefato de fluxo oriundo da aorta e da VCI. GMN diminui ainda mais o artefato de fluxo, mas como também aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, geralmente não é útil nas sequências com ponderação em T1. Um shimming (processo de homogeneização do campo de força) adicional pode ser necessário antes das sequências de supressão de tecido.
Considerações do paciente
As imagens do timo geralmente são adquiridas em crianças porque o timo diminui de tamanho à medida que a criança cresce. Por este motivo, pode ser necessário sedação, dependendo da idade da criança.
Os pacientes devem ficar o mais confortáveis possível e é importante
informar minuciosamente como é realizado o exame. Se o paciente estiver nervoso, é frequente a alteração no traçado do ECG, reduzindo a efetividade do gating do ECG. Nessas circunstâncias, a tranquilização constante do paciente pode estabilizar sua frequência cardíaca e respiração, melhorando a eficiência do gating. Devido ao ruído do gradiente excessivamente alto em algumas sequências é necessário disponibilizar tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.
Uso de contraste O contraste frequentemente é administrado para melhor visualização do timo. Esta estratégia é especialmente útil quando associada a pulsos de pré-saturação química/espectral.