Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Catherine Westbrook · Capítulo 17 de 59

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Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Órbitas

 

Anatomia básica (Figuras 8.36 e 8.37)

 

Figura 8.36 As estruturas da órbita em corte sagital.

 

Indicações comuns ■ Proptose

■ Transtorno visual

■ Avaliação de lesões orbitárias ou oculares.

 

Equipamento

■ Bobina de superfície pequena para globo e órbita ■ Bobina de crânio em quadratura ou bobina com múltiplos arranjos para

o ápice da órbita, quiasma óptico e vias ópticas intracranianas

■ Faixas e coxins de espuma para imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido.

 

Posicionamento do paciente

O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame. Em geral, o exame das duas órbitas é realizado simultaneamente. Se forem utilizadas bobinas de superfície, estas são colocadas sobre cada órbita, mas não devem tocar o paciente. Prendedores especiais costumam ser fornecidos pelos fabricantes para que as bobinas sejam colocadas anteriormente sobre os olhos. Assegure-se de que o lado de recepção das bobinas esteja à frente dos olhos, isto é, na direção da mesa. Isto permite que o paciente fixe o olhar e os mantenha parados, reduzindo, portanto, o artefato de movimento. Toda maquiagem deve ser removida dos olhos antes do exame, porque pode causar artefato na imagem e desconforto para o paciente, especialmente se contiver metal.

O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal

fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível das órbitas. Se forem utilizadas bobinas de superfície, elas corresponderão ao centro das bobinas. Faixas e coxins de espuma são utilizados para imobilização.

Figura 8.37 Estruturas internas do olho.

 

Protocolo sugerido

T1 SE/FSE sagital

São prescritos cortes/espaçamentos médios de cada lado da luz de alinhamento longitudinal através da cabeça toda. Esta imagem inclui a área desde o forame magno até o topo da cabeça.

E 37 mm a D 37 mm

T1 ou T2 SE/FSE axial/oblíqua (Figura 8.38)

Cortes/espaçamentos finos ou intercalados são prescritos no verdadeiro plano axial ou angulados em relação ao nervo óptico, desde a margem

inferior da órbita até acima do quiasma óptico (Figuras 8.39 e 8.40).

STIR ou T2 SE/FSE coronal

Como para T1 axial/oblíqua, exceto que os cortes são prescritos desde a margem posterior do globo até o aspecto posterior do quiasma. Utilize

supressão de tecido nas sequências SE/FSE (Figura 8.41).

 

Figura 8.38 T2 FSE axial/oblíqua da órbita mostrando nitidamente a lente do olho (cristalino), o globo, os nervos ópticos e o quiasma óptico.

Figura 8.39 SE sagital com ponderação em T1 da órbita e do nervo óptico mostrando a orientação correta dos cortes axial/oblíquo paralelos ao nervo óptico.

 

Figura 8.40 SE sagital com ponderação em T1, corte no nível da órbita mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem axial/oblíqua das órbitas e do nervo óptico.

Figura 8.41 SE sagital com ponderação em T2 no nível da órbita mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem coronal das órbitas e do nervo óptico.

 

Sequências adicionais

T1 SE/FSE coronal/axial

Igual à axial/coronal descrita anteriormente, exceto pelo uso de contraste e supressão de tecido.

Se houver suspeita de neurite óptica, obter imagens de todo o cérebro.

 

Otimização da imagem

Considerações técnicas

A RSR na região do globo e no aspecto anterior da órbita é alta se forem utilizadas bobinas de superfície. Isto permite excelente resolução espacial das estruturas pequenas, como o nervo óptico, mas ocorre perda de sinal no ápice orbitário. Portanto, a escolha da bobina depende muito da cobertura necessária. A bobina de superfície é a melhor escolha se a área de interesse for o globo, a área retro-orbitária e a porção do nervo óptico na órbita. Entretanto, utiliza-se bobina de crânio se forem necessárias informações sobre o quiasma óptico e as vias ópticas intracranianas. Cortes intercalados finos ou espaçamento muito pequeno são necessários para obter a resolução na órbita e no quiasma óptico. Matrizes finas e FOV pequeno também são necessários para manter a resolução e, portanto, a preservação da RSR exige NEX/NSA múltiplo.

FSE provavelmente é a sequência ideal, especialmente nas imagens com

ponderação em T2, porque a velocidade é importante devido ao artefato de movimento causado pelo piscamento e pelo movimento dos olhos. Considerando-se o alto teor de gordura na órbita, frequentemente é necessário STIR/supressão de tecido para a visualização adequada das estruturas orbitárias. Isto é especialmente verdadeiro nas sequências T2 FSE, nas quais a gordura retorna um sinal semelhante ao do LCR que circunda o nervo óptico.

Problemas com artefatos

O movimento dos olhos é a principal fonte de artefato. Oriente o paciente a focalizar no teto do centro do magneto e a piscar o mínimo possível. Utilize a sequência mais rápida possível para manter contraste, resolução e RSR bons. FSE é uma sequência de pulso útil para atingir esse objetivo. O movimento de fluxo no círculo de Willis frequentemente causa problemas no quiasma óptico, que está logo ao lado. A introdução de bandas de pré-saturação espacial em S e P em relação ao FOV reduz este problema. Além disso, as bandas de pré-saturação espacial introduzidas em I em relação ao FOV reduzem o movimento de fluxo das carótidas. GMN também diminui o movimento de fluxo, mas, como aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, em geral, é reservada para as sequências com ponderação em T2.

Como nesta área comumente é utilizado FOV pequeno, aliasing é um

problema, sobretudo se for utilizada bobina de crânio, porque o tecido fora do FOV no eixo de fase produz sinal. Portanto, é necessário superposição para sua eliminação. Se for observado qualquer artefato de suscetibilidade magnética, sobretudo superior à órbita, este pode ser causado por maquiagem que permaneceu nas pálpebras. A maquiagem precisa ser completamente removida antes do exame. O artefato de desvio químico pode ocorrer nos sistemas de intensidade de força de campo elevada devido à presença de gordura intraorbitária. As técnicas de supressão de gordura diminuem esse problema e, se forem utilizadas, a largura da banda de recepção pode ser reduzida para aumentar a RSR. Pode ser necessário preenchimento adicional com calço antes das sequências de supressão de tecido.

Caso se utilizem sequências GRE, deve-se tomar cuidado para assegurar

que o TE esteja dentro de fase para eliminar o artefato de desvio químico. Caso se utilize supressão de gordura com GRE com ponderação em T1, deve-se selecionar o menor TE possível (independentemente de estar dentro ou fora de fase), uma vez que o desvio químico não será visto, pois não há sinal contra o qual o sinal da água possa se deslocar.

 

Considerações do paciente

Alguns pacientes podem ser cegos ou ter apenas visão parcial. É fundamental que o paciente compreenda a importância de manter os olhos parados. O paciente deve ser treinado sobre como manter o foco antes do exame e orientado sobre quando, durante o exame, é indesejável piscar os olhos e quando isto é permitido. É óbvio que se o paciente for cego, não será possível focalizar e, portanto, a técnica é adaptada para garantir que as sequências sejam realizadas o mais rápido possível. Toda a maquiagem dos olhos deve ser retirada antes do exame para evitar artefato e diminuir o desconforto, porque algumas maquiagens podem aquecer durante o exame. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas imagens, é necessário o uso de tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.

 

Uso de contraste

O contraste é útil na avaliação do nervo óptico e do quiasma óptico, bem como de massas intraorbitárias. Entretanto, devido à presença de gordura orbital, o contraste só serve para aumentar o sinal dessas estruturas, de modo que fiquem isointensas com a gordura nas imagens com ponderação em T1. Portanto, é necessário supressão de gordura quando se utiliza contraste. É importante observar que a STIR não pode ser utilizada com esse fim, porque o contraste diminui o tempo de recuperação em T1 do tecido, sendo semelhante ao da gordura. Por conseguinte, o pulso de inversão utilizado nas sequências STIR às vezes anula o sinal dos tecidos contrastados assim como o da gordura. Se for necessária a supressão de gordura, utilize supressão de tecido ou qualquer técnica que suprima gordura com base na frequência de ressonância. É preciso mencionar também que, se um meio de contraste for administrado, pelo menos uma sequência cobrindo todo o cérebro deverá ser obtida.