Manual de Técnicas de Ressonância Magnética
Laringe
Anatomia básica (ver Figura 8.45)
Indicações comuns
■ Carcinoma de laringe
■ Avaliação antes da reconstrução da laringe ■ Transtornos das cordas vocais e da fonação.
Equipamento
■ Bobina de pescoço anterior/bobina volumétrica de pescoço ■ Coxins de espuma e faixas para imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido.
Posicionamento do paciente
O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame. A bobina é colocada ao redor ou anterior ao pescoço do paciente. A cabeça do paciente é retificada porque, em geral, este procedimento também retifica o pescoço. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível da cartilagem tireóidea (pomo de Adão). A luz de alinhamento vertical deve ficar localizada a meio caminho entre as faces posterior e anterior do pescoço. Um coxim macio pode ser colocado sob o pescoço do paciente para facilitar o posicionamento, embora muitas bobinas específicas garantam que o pescoço assuma naturalmente a posição correta. Faixas e coxins de espuma são utilizados para imobilização.
Protocolo sugerido
T1/T2 SE/FSE sagital (Figura 8.50)
São prescritos cortes/espaçamentos finos desde a face lateral esquerda até a face lateral direita da pele do pescoço. Esta imagem inclui a área desde a margem superior do palato duro até as articulações esternoclaviculares.
E 25 mm a D 25 mm
T1 SE/FSE axial
São prescritos cortes/espaçamentos finos no nível das cartilagens laríngeas
e das cordas vocais (Figura 8.50). Os cortes podem ser angulados paralelamente à laringe para os tumores limitados às cordas vocais.
T1 SE/FSE coronal
Como na T1 axial, exceto que os cortes são prescritos desde a face posterior da traqueia até a face anterior do pescoço.
Figura 8.50 FSE sagital com ponderação em T2 no nível do pescoço mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem axial da laringe.
Os cortes podem ser angulados de forma a ficarem paralelos à laringe
para os tumores limitados às cordas vocais (Figura 8.51). Esta imagem inclui a área desde a margem superior do palato duro até as articulações esternoclaviculares.
DP/T2 SE/FSE axial/coronal
Prescrição de corte como para T1 SE/FSE. Útil para diferenciar tumor em estádio avançado dos músculos e da glândula tireoide.
Sequências adicionais
T1 EPI/GRE incoerente (spoiled) rápido
Durante a fonação, para avaliar a função das cordas vocais.
Otimização da imagem
Considerações técnicas
O exame da porção anterior do pescoço é notoriamente difícil. A RSR frequentemente é insatisfatória, especialmente se for utilizada uma bobina abaixo do padrão. Uma bobina de pescoço anterior moldada à face e ao pescoço provavelmente é a melhor escolha para este exame. Entretanto, mesmo com essas bobinas, frequentemente são necessários múltiplos NEX/NSA para manter a RSR. A resolução espacial também é importante nesta área, portanto, são necessários cortes/espaçamentos finos e matriz razoavelmente fina para a otimização da resolução. O uso dessas matrizes e de múltiplos NEX/NSA frequentemente prolonga o tempo de varredura.
Figura 8.51 FSE sagital com ponderação em T2 no nível do pescoço mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem coronal/oblíqua da laringe.
Uma possível solução para esses problemas é o uso de FSE associado ao
FOV retangular/assimétrico. A FSE diminui significativamente o tempo de varredura e fornece RSR mais alta, sobretudo nas sequências com ponderação em T2. O FOV retangular/assimétrico permite a aquisição de matrizes finas com tempos de varredura mais curtos. Nas imagens coronal e axial, o eixo longo do retângulo é colocado de S para I e de A para P, respectivamente.
Problemas com artefatos O artefato nesta região origina-se do movimento de fluxo nos vasos carotídeos, vertebrais e jugulares e da deglutição. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em S e em I em relação ao FOV reduz significativamente o artefato de fluxo. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em relação ao FOV aumenta sua efetividade, mas é preciso cautela porque pode obscurecer anatomia importante. GMN reduz ainda mais o artefato, mas, como também aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, em geral, não é benéfica nas sequências com ponderação em T1.
O paciente deve ser avisado para deglutir o menos possível durante o
exame. O uso de NEX/NSA múltiplo diminui os fantasmas em qualquer fase, mas prolonga os tempos de varredura. O movimento respiratório pode mover a bobina de pescoço anterior durante a aquisição dos dados. Caso isto ocorra, oriente o paciente a respirar superficialmente. Além disso, a colocação de coxins de espuma entre o tórax e a bobina ajuda a reduzir o movimento da bobina.
Considerações do paciente
É importante explicar minuciosamente o procedimento e a importância de minimizar a deglutição durante sua realização. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, é necessário o uso de tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.
Uso de contraste
Raramente é indicado, mas pode ser útil para diferenciar a magnitude ou a natureza da lesão.