Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Catherine Westbrook · Capítulo 13 de 59

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Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Cérebro

 

Anatomia básica (Figuras 8.1 e 8.2)

 

Figura 8.1 Aspecto transverso do cérebro mostrando as estruturas inferiores.

 

Indicações comuns

■ Esclerose múltipla (EM)

■ Avaliação de tumor primário e/ou doença metastática ■ AIDS (toxoplasmose)

■ Infarto (acidente vascular cerebral [AVC] versus ataque isquêmico

transitório [AIT])

■ Hemorragia

■ Perda auditiva

■ Distúrbios visuais

■ Infecção

■ Traumatismo

■ Déficits ou sintomas neurológicos inexplicados ■ Planejamento pré-operatório

■ Planejamento para radioterapia ■ Acompanhamento (cirurgia ou tratamento).

 

Equipamento

■ Bobina de crânio (em quadratura ou com múltiplos arranjos) ■ Coxins e faixas para imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido

■ Gradiente de alto desempenho para EPI, imagens de difusão e perfusão.

 

Posicionamento do paciente

O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame, com a cabeça dentro da bobina. A posição da cabeça é ajustada de modo que a linha interpupilar fique paralela à mesa de exame e a cabeça reta. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível do násio. Faixas e coxins de espuma são utilizados para imobilização.

Figura 8.2 Aspecto oblíquo do cérebro mostrando as estruturas inferiores.

Figura 8.3 FSE axial/oblíqua com ponderação em T2 do cérebro mostrando aspectos normais.

 

Protocolo sugerido

T1 SE/FSE/GRE incoerente (spoiled) sagital

São prescritos cortes/espaçamentos médios de cada lado da luz de alinhamento longitudinal de um lobo temporal ao outro. Esta imagem inclui a área desde abaixo do forame magno até o topo da cabeça.

E 37 mm a D 37 mm

T2/DP SE/FSE axial/oblíqua (Figura 8.3)

São prescritos cortes/espaçamentos médios desde abaixo do forame magno até a superfície superior do cérebro. Os cortes podem ser angulados, de modo que fiquem paralelos ao eixo da comissura anteroposterior. Esse procedimento permite a localização precisa das lesões em referência aos

atlas de anatomia (Figuras 8.4 e 8.5). Muitas clínicas e hospitais substituíram a sequência DP pela T2-FLAIR. As sequências T2-FLAIR podem ser úteis quando obtidas após a aplicação de um meio de contraste. Devido à contribuição em T1 das sequências de inversão, lesões e estruturas “realçadas” são hiperintensas. Isso auxilia na visualização de metástase leptomeníngea e/ou meningite. A única ressalva é que o “realce” de meningiomas não é visto na T2-FLAIR pós-contraste, devido aos tempos curtos de relaxação em T2. SS-FSE ou SS-EPI pode ser uma alternativa necessária para o rápido exame nos pacientes não cooperativos.

Figura 8.4 SE sagital com ponderação em T1 da linha média do cérebro mostrando o eixo das comissuras anterior e posterior.

Figura 8.5 SE sagital com ponderação em T1 da linha média do cérebro mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem axial/oblíqua.

Figura 8.6 SE sagital com ponderação em T1 mostrando os limites de prescrição e orientação do corte para imagem coronal.

T2/DP SE/FSE coronal

O mesmo utilizado para DP/T2 axial, exceto que os cortes prescritos são do

cerebelo para o lobo frontal (Figura 8.6).

 

Sequências adicionais

T1 IR axial/oblíqua (Figura 8.7)

Prescrição de corte como T2 axial/oblíqua.

Esta sequência é especialmente útil nas imagens do cérebro em pediatria.

A substância branca não apresenta mielinização plena até aproximadamente 5 anos de idade; portanto, em pacientes muito jovens, a substância cinzenta e a substância branca têm tempos de relaxação em T1 muito semelhantes, e a RCR entre esses tecidos é pequena nas sequências SE com ponderação em T1.

 

Figura 8.7 IR axial com ponderação em T1 utilizando TI de 700 ms.

FLAIR/EPI axial/oblíqua (Figura 8.8)

Prescrição de corte como T2 axial/oblíqua.

Esta sequência permite a aquisição rápida com supressão do sinal do

líquido cefalorraquidiano (LCR). Pode ser útil no exame de lesões periventriculares ou raquimedulares, como placas da EM.

T1 SE/FSE/GRE incoerente (spoiled) axial/oblíqua (Figura 8.9)

Prescrição de corte como T2 axial/oblíqua.

Imagens obtidas antes e depois da administração de contraste são

comuns, especialmente para avaliação de tumor.

T2 SS-FSE (Figura 8.10)

Útil para imagens rápidas nos pacientes não cooperativos.

T1 GRE incoerente (spoiled) 3D axial

Essa sequência é útil para imagens de alta resolução de estruturas pequenas no cérebro. Se for desejada reformatação dos cortes, é necessário obter um

grupo de dados isotrópicos (ver tópico Imagens volumétricas no Capítulo 2, Parâmetros e Compensações). Além disso, devido ao TE curto utilizado com a sequência GRE incoerente, os artefatos de fluxo são essencialmente eliminados.

Figura 8.8 FLAIR axial/oblíqua do cérebro. As anormalidades periventriculares apresentarão sinal de alta intensidade contrastando com o sinal baixo do LCR, que foi anulado utilizando TI longo.

Figura 8.9 GRE incoerente (spoiled) axial/oblíquo do cérebro.

Figura 8.10 SS-FSE com ponderação em T2 do cérebro. Todo o cérebro foi examinado em 40 s.

T1/T2 GRE/EPI axial/oblíqua (Figura 8.11)

Essas sequências, devido à sensibilidade às suscetibilidades magnéticas, mostram hemorragia melhor que SE e FSE.

SE MT axial/oblíqua

Mesma prescrição de corte que T2 axial/oblíqua.

MT é uma sequência útil para melhorar a visualização de lesões como

metástase, e de alguns tumores, porque as substâncias cinzenta e branca perdem 30 a 40% de seu sinal quando se utiliza sequência de pulso MT. A RCR entre as lesões e o cérebro circundante está, portanto, aumentada (ver

Capítulo 3, Sequências de Pulso).

DWI axial (Figuras 8.12 e 8.13)

Mesma prescrição de corte utilizada na T2 axial/oblíqua.

Esta sequência é importante na investigação precoce do AVC. Também é

utilizada em crianças para investigar os efeitos da hipoxia e os padrões de mielinização. É escolhido um valor b de 800 a 1.000 s/mm2 (quanto mais alto o valor b, maior a ponderação em difusão). Deve ser adquirida difusão isotrópica (i. e., gradientes de difusão são aplicados nos três eixos) (ver

Capítulo 3, Sequências de Pulso).

Figura 8.11 SS-EPI do cérebro. Todo o cérebro foi avaliado em 14 s.

 

Figura 8.12 DWI mostrando uma grande área de sinal alto à direita. O sinal alto em DWI pode ser resultado de difusão restrita ou do “brilho pleno de T2”.

Figura 8.13 Mapa de ADC calculado mostrando difusão restrita (AVC agudo) como sinal baixo. A pequena área de sinal alto à direita posterior representa “brilho pleno de T2”.

A sequência em DWI é adquirida, com mais frequência, utilizando-se

uma sequência EPI com ponderação em T2. Na sequência EPI com ponderação em T2 padrão, não há movimento (difusão) suficiente da água extracelular durante o ciclo de imagem para resultar no defasamento dos prótons da água. Portanto, os gradientes de difusão são utilizados para aumentar a sensibilidade ao movimento das moléculas de água extracelular. Os valores b controlam a amplitude, a duração e/ou a cronologia desses gradientes de difusão, assim sendo, determinam a ponderação de difusão dessas sequências com ponderação. O aumento do valor b aumenta a sensibilidade ao movimento (difusão) da água extracelular no tecido, consequentemente, aumenta a ponderação de difusão. O sinal nas áreas de difusão normal é reduzido devido ao defasamento dos prótons da água na presença desses gradientes de difusão. Quanto mais restrita a difusão, menor o defasamento dos prótons de água e maior o sinal na imagem de difusão. Na maioria dos sistemas RM, serão mostradas a imagem com b = 0 (i. e., a imagem EPI com ponderação em T2) e a imagem por difusão com valor b escolhido pelo operador. Alguns sistemas também exibem três imagens adicionais por localização de corte. Essas são imagens obtidas durante a aquisição por difusão. Os gradientes de difusão são aplicados em cada um dos três planos ortogonais (X, Y e Z), medindo a difusão em cada uma dessas direções. A seguir, é feita a média para produzir o “traçado” final ou a imagem com ponderação em difusão.

É importante lembrar que o sinal alto observado na imagem com

ponderação em difusão pode, na verdade, ser o sinal alto dos spins com tempo de relaxação em T2 longo “de brilho pleno”. Esses efeitos de “brilho pleno em T2” são eliminados pelo cálculo e produção de um mapa ou imagem do coeficiente de difusão aparente (ADC). O ADC expressa a quantidade de movimento de água extracelular. O mapa de ADC é calculado a partir do valor b de 0 e o valor b que foi utilizado na aquisição de difusão (mais comumente 1.000 s/mm2 no exame DWI do cérebro) para

produzir um mapa de ADC de “2 pontos” (Figura 8.13). Em algumas situações, pode ser necessário DWI com dois valores b. Isto, junto com o valor b de 0, seria utilizado para calcular o mapa de ADC em “3 pontos”. Em qualquer dos casos, os valores do pixel em um mapa de ADC representam o ADC de pixels na imagem. Nas áreas com difusão restrita (i. e., ADC baixo), os valores dos pixels são escuros. O ADC alto, observado na presença de prótons de água móveis, resultará em um pixel brilhante no mapa de ADC. O cálculo e a produção do mapa de ADC são muito importantes para diferenciar entre AVC agudo e crônico. Dependendo do sistema da RM, o mapa de ADC pode ser produzido automaticamente ou podem ser necessárias algumas etapas mínimas adicionais de processamento.

Imagem por tensor de difusão (DTI)

Quando a difusão da água ao longo das três direções ortogonais do magneto (X, Y e Z) é medida e obtida a média, apenas informação de difusão isotrópica é adquirida; é que a difusão tem direção aleatória. No cérebro isto é observado na substância cinzenta. Na substância branca a estrutura do tecido “direciona” a difusão. Na substância branca, a difusão é orientada ao longo de alguns trajetos. Este tipo de difusão direcionada é referido como anisotropia (difusão anisotrópica). A fim de obter imagens da difusão anisotrópica, mede-se a difusão em mais de três eixos. Na física, o tensor é, basicamente, o movimento como uma função da direção. A DTI é, essencialmente, a imagem da difusão que é ordenada na direção (anisotrópica em vez de isotrópica). No mínimo, a DTI precisa medir a difusão ao longo de, pelo menos, seis eixos. Na prática clínica, são medidas doze ou mais direções. Devido à perda da RSR, à medida que aumenta o número de direções medidas, a DTI é particularmente útil com forças de campo altas, como 3 T. Atualmente a DTI é utilizada no mapeamento dos tratos de substância branca como mapas de anisotropia fracionada (FA) ou

como imagens da fistulografia (Figuras 8.14 a 8.18).

Imagens axiais com ponderação em perfusão

Prescrição de corte como T2 axial/oblíqua.

Figura 8.14 FLAIR com ponderação em T2 mostrando lesão.

Figura 8.15 Anisotropia fracionada (FA) mostrando difusão anisotrópica (solicitada) nos tratos da substância branca.

Figura 8.16 EPI coronal com ponderação em T2 mostra lesão.

Figura 8.17 FA mostra tratos da substância branca em relação à lesão.

Figura 8.18 Fistulografia mostra a orientação da fístula em relação à lesão.

Esta sequência fornece resolução temporal das lesões realçadas e indica

atividade. A injeção em bolus de gadolínio deve ser iniciada imediatamente após o início do exame. Imagens com ponderação em T1 pós-realçadas são realizadas após uma série de perfusão (ver tópico Imagem dinâmica no

Capítulo 3, Sequências de Pulso).

O uso de um injetor de contraste compatível com RM aumenta muito a

consistência das informações da perfusão. Além disso, para otimizar os efeitos da suscetibilidade é necessário injeção em bolus rápida de contraste. A velocidade de injeção mínima preferida é de 4 m ℓ /s. A quantidade ou o volume injetado pode variar, dependendo da concentração do contraste, de sua capacidade de relaxação, da força do campo e/ou da sequência de pulso utilizada. Em 1,5 T os efeitos mais fortes são observados com uma sequência GRE-EPI. Se esta sequência for utilizada, uma dose de 0,1 mmol/kg é, tipicamente, adequada. Devido ao aumento dos efeitos da suscetibilidade observados na sequência GRE-EPI, são obtidas apenas informações sobre a perfusão de grandes vasos. Se for necessário obter informações sobre a perfusão em um vaso pequeno, então, deve ser utilizada uma sequência SE-EPI. Entretanto, é importante lembrar que devido aos efeitos de suscetibilidade reduzidos obtidos com a sequência SE-EPI, pode ser necessário uma dose ou concentração mais alta de gadolínio. Nem todos os agentes com gadolínio exercem o mesmo efeito nos tempos de relaxação em T1 e em T2. Existem alguns agentes com capacidade de relaxação mais alta. Esses agentes, quando utilizados nas imagens de perfusão, resultam em maior redução do sinal quando comparados à mesma dose de um agente de contraste padrão devido à capacidade de relaxação aumentada. Em 3,0 T, os efeitos da suscetibilidade são aumentados em função da força do campo para uma dose reduzida de gadolínio (0,5 mmol/kg) com uma sequência GRE-EPI ou com uma dose padrão (0,1 mmol/kg) de gadolínio com uma sequência SE-EPI. As sequências SE-EPI também resultam em menos artefatos de suscetibilidade. Resumindo, a dose de gadolínio utilizada na imagem de perfusão depende do tipo de contraste utilizado, da força do campo e da técnica de aquisição escolhida.

Quando a imagem de perfusão é utilizada para obter imagens de AVC, a

área afetada pelo AVC aparece como uma área de chegada tardia do contraste ou totalmente sem perfusão. Entretanto, na obtenção de imagens de um tumor, a área de perfusão anormal, frequentemente, será mostrada

como uma área de hiperperfusão. As imagens nas Figuras 8.19 e 8.20 mostram este efeito. A área do tumor residual é indiferenciável do tecido adjacente devido ao edema e outras alterações. Os dados da perfusão mostram claramente uma área de perfusão aumentada ou de hiperperfusão indicando tumor residual ou recorrente.

 

Figura 8.19 Imagem com ponderação em T2 mostra grande área de edema após tratamento.

Figura 8.20 Dados da perfusão mostram área de hiperperfusão no edema, indicando tumor recorrente.

 

Otimização da imagem

Considerações técnicas

O uso de bobinas em quadratura ou em arranjo de fase fornece sinal uniforme e alto. Entretanto, o uso de bobina de arranjo de fase com mais de quatro canais pode exigir o uso de um algoritmo de correção da uniformidade para produzir uma imagem com sinal totalmente uniforme. Independentemente da bobina escolhida, imagens com excelente RSR e resolução espacial devem ser facilmente obtidas com tempos de varredura razoáveis.

O FSE é a sequência de pulso mais utilizada na aquisição de imagens

com ponderação em DP e em T2 por causa dos tempos de varredura mais curtos, em comparação com CSE. Existem controvérsias se as imagens com ponderação em DP e em T2 devem ser adquiridas como parte de uma aquisição de eco dupla ou separadamente. TR na ordem de 3.500 ms ou mais altos geralmente são utilizados em FSE com ponderação em T2. Entretanto, nas imagens com ponderação em DP do cérebro esse TR alto não é ideal. Se o TR for aumentado acima de 2.000 ms, a intensidade do sinal do LCR aumenta devido à saturação reduzida e à alta densidade de prótons do LCR. Isso pode reduzir o contraste entre algumas lesões periventriculares, como EM e LCR. É principalmente por isso que, em geral, opta-se pelas sequências T2-FLAIR em vez das sequências com ponderação em DP no cérebro.

O borramento pode ser mais proeminente com o ETL longo

tradicionalmente associado à sequência FSE com ponderação em T2. ETL e TE curtos são necessários na ponderação em DP para minimizar os efeitos em T2, enquanto ETL e TE longos são necessários para o contraste em T2. O borramento aumenta quanto mais longo for o trem de ecos ao longo do tempo. Devido ao defasamento em T2, os ecos que ocorrem muito fora no trem de eco têm amplitude de sinal mais baixa do que aqueles no início do trem. Se o TE efetivo não coincidir com esses ecos tardios, os dados obtidos são mapeados nas linhas de resolução do espaço K e resultam em borramento. O espaçamento do eco também é importante porque, se o espaçamento do eco for longo, os ecos finais do trem ocorrerão muito mais tarde e, portanto, terão intensidade de sinal mais baixa do que se o espaçamento for curto, mesmo no trem de eco contendo um número relativamente pequeno de ecos. Em contrapartida, se o espaçamento de eco for curto, os ecos finais são coletados mais cedo e terão intensidade de sinal mais alta, mesmo em um trem com maior número de ecos. (Nota: O termo “comprimento do trem de eco” refere-se ao número de ecos coletados em vez do intervalo de tempo necessário para fazê-lo.) O método exato para controlar o espaçamento de eco varia entre os fabricantes. Gradientes de troca mais rápidos (i. e., taxas de retorno mais altas) permitem ETL longo com espaçamento de eco rígido. De modo geral, o espaçamento de eco deve ser mantido o mais baixo possível, para minimizar o borramento (tipicamente, entre 10 e 15 ms).

Como resultado dessas limitações, alguns defendem a aquisição de

imagens com ponderação em DP e em T2 separadamente, o que permite o uso de TR e ETL mais curtos na aquisição de DP. Alternativamente, outros fornecedores permitem que o trem de ecos seja desdobrado em aquisições FSE eco duplo, de modo que a imagem com ponderação em DP é adquirida dos primeiros ecos do trem de eco e a imagem com ponderação em T2 dos últimos ecos. Isto resulta na ponderação mais ideal para as duas imagens, mas observe que em FSE, ao contrário do CSE, o tempo de aquisição das imagens em DP é mais curto que para T2 ou duplo eco. Isto ocorre porque é utilizado TR de 2.000 ms, em vez de 10.000 ms. Portanto, poupa-se tempo quando é necessária apenas a ponderação em DP. No CSE, visando à redução do tempo de varredura, as imagens com ponderação em T2 já apresentam TR relativamente curto. Portanto, as imagens com ponderação em DP e em T2 têm tempos de aquisição semelhantes e são rotineiramente obtidas de forma simultânea em uma sequência de eco duplo. Por conseguinte, não se poupa tempo adquirindo imagens com ponderação em DP.

Apesar das vantagens do tempo com o uso de FSE no cérebro, os

múltiplos pulsos de 180° na sequência FSE reduzem a sensibilidade às lesões hemorrágicas. Se houver suspeita de lesões hemorrágicas, pode ser adquirida uma sequência de GRE coerente, além das sequências regulares (TE de 15 a 25 ms). Devemos observar também que, em muitas clínicas e hospitais, as imagens T2-FLAIR substituíram as imagens com ponderação em DP do cérebro. As sequências T2-FLAIR geralmente demonstram sangue subaracnóideo muito bem.

Devido à RSR relativamente alta, geralmente são necessários apenas

alguns NEX/NSA para obter a qualidade adequada da imagem. Entretanto, este pode não ser o caso quando se examinam estruturas pequenas com cortes finos e/ou FOV menor. Neste caso, pode ser necessário aumentar o NEX/NSA. A largura da banda de recepção pode ser diminuída para aumentar a RSR sem aumentar significativamente o artefato de desvio químico. Entretanto, de modo geral, à medida que a largura da banda de recepção é reduzida, o espaçamento do eco aumenta e poderia resultar em aumento do borramento em FSE. FOV retangular ou imagens paralelas podem ser utilizados para reduzir os tempos de varredura nas imagens axial e/ou coronal com a direção de codificação de fase sendo da direita (D) para a esquerda (E).

Problemas com artefatos

A principal fonte de artefato no cérebro é o movimento de fluxo das artérias carótida e vertebral. A introdução de pulso de pré-saturação espacial em I em relação ao FOV reduz esse problema de forma significativa. Na imagem com FOV grande, não é necessário introduzir pulsos de pré-saturação espacial em qualquer ponto além de I, porque não há fluxo proveniente de qualquer outra direção. Se for utilizado FOV pequeno, às vezes são necessários pulsos de pré-saturação espacial superior (S) ou D e E.

GMN também minimiza o artefato, especialmente na fossa posterior.

Entretanto, isso não apenas aumenta o sinal nos vasos, mas também o TE mínimo disponível, e, portanto, geralmente é reservada para sequências com ponderação em T2 e em T2*. O gating (sincronização) periférico diminui o artefato ainda mais; porém, como o tempo de varredura depende da frequência cardíaca, é um procedimento demorado e, portanto, não é comumente utilizado. Ocorrem fantasmas ao longo do eixo de codificação de fase, que pode ser trocado para remover o artefato da região de interesse. Entretanto, na maioria dos exames do cérebro, essa estratégia é desnecessária porque as técnicas de supressão de gordura são satisfatórias.

Os pacientes não cooperativos tendem a causar artefatos de movimento, a

menos que sejam utilizadas sequências muito rápidas. FSE, embora mais rápida que SE, frequentemente provoca artefatos de movimento mais graves porque uma das linhas centrais do espaço K está sendo preenchida durante cada TR. As técnicas SS-FSE diminuem muito os efeitos de movimento e permitem que todo o cérebro seja examinado em aproximadamente 30 segundos ao utilizar ETL alto, de até 128. As sequências SS-FSE, embora muito rápidas, ainda podem mostrar algum grau de movimento do paciente. A eliminação completa do efeito de movimento do paciente exige o uso de técnicas SS-EPI. Entretanto, as sequências EPI apresentam tendência para

mostrar artefato de suscetibilidade magnética ar/tecido (ver Capítulo 3, Sequências de Pulso). Novas técnicas de aquisição, que preenchem o espaço K de maneira diferente, também podem ser empregadas para reduzir ou até mesmo eliminar os efeitos da movimentação do paciente. Essas técnicas são conhecidas como PROPELLER, BLADE, MultiVane e JET (dependendo do fabricante).

Os efeitos paramagnéticos (em especial, a suscetibilidade magnética)

contribuem bastante para os artefatos de distorção normalmente vistos nas sequências SS-EPI, usadas para obter imagens DWI. Esses artefatos aumentam em sistemas de campos mais altos (como 3 T), mas podem ser diminuídos ao se reduzir a quantidade de vistas da codificação de fase (p. ex., FOV retangular ou imagens paralelas). Infelizmente, quando apenas se reduz a matriz de fase, o resultado é a diminuição na resolução espacial.

 

Considerações do paciente A claustrofobia frequentemente é um problema devido à natureza confinante da bobina de crânio. Além disso, os fatores neurológicos podem aumentar a probabilidade de movimento pelo paciente. Os exemplos incluem epilepsia, doença de Parkinson e redução da percepção ou da consciência. Tranquilizantes e, nos casos extremos, sedação ou anestesia geral às vezes são necessárias. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, é necessário o uso de tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo. As sequências EPI utilizam tempos de elevação de gradiente muito rápidos. Quanto mais rápido o tempo de elevação, maior a chance de induzir a estimulação dos nervos periféricos. Para reduzir esta probabilidade, a direção da codificação da frequência deve ser da D para a E em todas as sequências EPI axiais no cérebro. Isto não é necessário nas sequências SS-FSE. Além disso, os pacientes devem ser orientados a colocar os braços ao longo do corpo e não cruzar os tornozelos para evitar criar um circuito condutor que possa precipitar indução excessiva de corrente.

 

Uso de contraste

Os agentes de contraste podem ser utilizados com vários fins na imagem padrão do cérebro. Em geral, são necessários na avaliação de tumor, em processos inflamatórios como EM ou na avaliação de anomalias vasculares. Processos infecciosos, como abscessos, também são muito suscetíveis ao realce. Além disso, as meninges também realçam, de modo que podem ser visualizados tuberculose, disseminação de tumor leptomeníngeo e irritação meníngea pós-traumatismo. O contraste também é utilizado para verificação da idade do infarto. Infartos muito recentes podem apresentar algum grau de realce, mas a resposta máxima ao contraste ocorre, em geral, após ruptura da barreira hematoencefálica. Infartos antigos ou crônicos não realçam. SE ou T1 GRE incoerente (spoiled) é a sequência preferida depois da administração do contraste. Se for adquirida uma sequência GRE incoerente (spoiled) 3D utilizando voxels isotrópicos, o grupo de dados pode ser reformatado em outros planos e/ou localizações de corte. As imagens de perfusão, com injeção rápida de gadolínio, são valiosas para determinar a atividade da lesão. Nesses casos são necessárias aquisições rápidas, como SS-FSE ou EPI.