Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Catherine Westbrook · Capítulo 22 de 59

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Manual de Técnicas de Ressonância Magnética

Glândulas salivares

 

Indicações comuns

■ Detecção de massas nas glândulas salivares ■ Estadiamento de neoplasias e envolvimento ganglionar.

 

Equipamento

■ Para as glândulas parótidas: Bobina de crânio em quadratura ou em

múltiplos arranjos. Coxins de espuma e faixas para imobilização

■ Para as glândulas submandibulares e gânglios cervicais: Bobinas de

pescoço anterior/volume. Coxins de espuma e faixas para imobilização

■ Tampões ou fones de ouvido.

 

Posicionamento do paciente

Para as glândulas parótidas

O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame, com a cabeça na bobina de crânio. A cabeça é ajustada de modo que a linha interpupilar fique paralela à mesa de exame e a cabeça reta. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível do meato acústico externo. Faixas e coxins de espuma são utilizados para imobilizar o paciente.

Para as glândulas submandibulares e gânglios cervicais

O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame. A bobina é colocada ao redor ou anterior ao pescoço do paciente. É preciso cautela para incluir o assoalho da boca na bobina. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível do ângulo da mandíbula. A luz de alinhamento vertical deve estar localizada no meio do caminho entre as faces posterior e anterior do pescoço. Um coxim fino pode ser colocado debaixo do pescoço do paciente para garantir que o pescoço assuma naturalmente a posição correta.

 

Protocolo sugerido

T1 SE sagital

São prescritos cortes/espaçamentos finos de cada lado da luz de alinhamento longitudinal. A área desde a base do crânio até o osso hioide está incluída nesta imagem para visualização das glândulas parótidas e submandibulares.

E 37 mm a D 37 mm

T1 SE/FSE coronal

Mostra principalmente as glândulas parótidas. São prescritos cortes/espaçamentos finos desde os corpos vertebrais posteriormente até o processo alveolar superior. A cadeia de gânglios linfáticos cervicais e a base do crânio estão incluídas na imagem.

T1 SE/FSE axial

São prescritos cortes/espaçamentos finos desde o aspecto superior do meato acústico externo até o ângulo da mandíbula para as glândulas parótidas, ou no nível das glândulas submandibulares (localizadas logo abaixo da mandíbula). A cobertura é ampliada para disseminação tumoral.

DP/T2 SE/FSE axial Mostra tecido anormal e ductos dilatados no diagnóstico de massas nas glândulas salivares. São prescritos cortes/espaçamentos finos no nível das duas glândulas. A cobertura é ampliada para disseminação tumoral. STIR/supressão de tecido é, às vezes, necessária na imagem das glândulas parótidas.

 

Sequências adicionais

T2 SS-FSE/FSE

A sialografia associada à RM pode ser útil na investigação de obstrução de ducto do sistema salivar. As imagens intensamente com ponderação em T2

são adquiridas e pós-processadas (ver Capítulo 11, Abdome, para uso desta técnica em outras áreas).

 

Otimização da imagem

Considerações técnicas

As glândulas salivares são estruturas relativamente pequenas, portanto, a resolução espacial é importante. A RSR é otimizada com o uso da bobina correta. As parótidas costumam ser examinadas com bobinas de crânio em quadratura ou em arranjo de fase que geram sinal alto e uniforme. As glândulas submandibulares podem ser, às vezes, imageadas com esta bobina, desde que o paciente consiga se mexer bem dentro dela; de outra forma, é necessária uma bobina de pescoço anterior. Cortes e matrizes finos são importantes para manter a resolução necessária e, como resultado, múltiplos NEX/NSA são requeridos para manter a RSR. O uso de FSE associado ao FOV retangular/assimétrico também melhora a RSR e facilita a aquisição de matrizes finas em tempos de varredura relativamente curtos. As técnicas de supressão de gordura são, às vezes, necessárias nas sequências FSE com ponderação em T2 porque os componentes gordurosos da parótida retornam sinal semelhante ao de patologia. O sistema de ductos salivares pode ser efetivamente visualizado com imagens FSE intensamente com ponderação em T2 (sialografia associada à RM). O uso de TE (250 ms), TR (10 s) e de ETL longos (16 a 20) produz imagens em que o único sinal que retorna é proveniente do líquido no ducto. Como os ductos são pequenos, a boa resolução também é necessária, portanto, as aquisições 3D podem ser superiores às aquisições 2D.

Problemas com artefatos

A principal fonte de artefato nesta área é proveniente dos vasos carotídeos jugulares e vertebrais. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em S e I em relação ao FOV diminui este fenômeno. A GMN diminui ainda mais o artefato de fluxo, mas também aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, e geralmente não é benéfica nas sequências com ponderação em T1. Fantasmas de fase ocorrem ao longo do eixo D para E nas imagens axial e coronal e interfere nas parótidas situadas lateralmente. A mudança do eixo de fase, de modo que este fique situado de S para I, diminui este problema, mas frequentemente é necessária a superposição. A mudança frequentemente é problemática, sobretudo no exame das glândulas submandibulares. Bandas de pré-saturação espacial cuidadosamente colocadas sobre a garganta ajudam a diminuir este problema, mas podem obscurecer as próprias glândulas. É aconselhável orientar o paciente a deglutir o mínimo possível durante a aquisição dos dados.

 

Considerações do paciente

Alguns pacientes com patologia oral produzem muita saliva e têm dificuldade para deglutir. Este problema frequentemente leva a asfixia ou artefato de deglutição importante. Tente acalmar e tranquilizar o paciente o máximo possível antes do exame. Ofereça ao paciente muitos lenços de papel e, nos casos extremos, considere realizar o exame com o paciente em decúbito ventral. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, sempre é necessário disponibilizar tampões de ouvido para evitar comprometimento auditivo.

 

Uso de contraste

O uso de contraste não é rotineiro, mas pode ser útil na diferenciação entre patologia e anatomia normal.