Manual de Técnicas de Ressonância Magnética
Glândulas tireoide e paratireoides
Anatomia básica (Figuras 8.52 e 8.53)
Figura 8.52 Corte sagital da tireoide e suas relações.
Indicações comuns
■ Bócio retroesternal
■ Avaliação de carcinoma de tireoide recorrente ■ Detecção e caracterização de adenoma de paratireoide.
Equipamento
■ Bobina de pescoço anterior/bobina volumétrica de pescoço ■ Coxins de espuma e faixas para imobilização ■ Tampões ou fones de ouvido.
Posicionamento do paciente
O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame. A bobina é colocada ao redor ou anterior ao pescoço do paciente. A cabeça do paciente é retificada, porque este procedimento geralmente também retifica o pescoço. O paciente é posicionado de modo que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe inferior à cartilagem tireóidea (pomo de Adão). A luz de alinhamento vertical deve ficar localizada a meio caminho entre as faces posterior e anterior do pescoço. Um coxim macio pode ser colocado sob o pescoço do paciente para facilitar este posicionamento, embora muitas bobinas específicas garantam que o pescoço assuma naturalmente a posição correta. Faixas e coxins de espuma são utilizados para imobilização.
Figura 8.53 Corte anterior da tireoide e suas relações.
Protocolo sugerido
T1 SE/FSE coronal
São prescritos cortes/espaçamentos finos no nível da tireoide em relação à luz de alinhamento vertical. Esta imagem inclui a área desde a mandíbula até o arco aórtico.
A 0 mm a A 20 mm
Figura 8.54 Imagem com ponderação em T1, plano coronal, mostrando os limites de prescrição e a orientação do corte para imagem axial da laringe.
T1 SE/FSE axial/coronal
São prescritos cortes e espaçamentos finos através da tireoide ou da região de interesse. Os cortes são deslocados inferiormente para bócio
retroesternal (Figura 8.54).
DP/T2 SE/FSE axial/coronal
Prescrição de corte como para T1 axial/coronal.
STIR/supressão de tecido é, às vezes, necessária para as glândulas
paratireoides.
Otimização da imagem
Considerações técnicas
A porção anterior do pescoço é uma área notoriamente difícil de ser examinada. A RSR é, com frequência, insatisfatória se for utilizada uma bobina abaixo do padrão. Uma bobina de pescoço anterior moldada na face e no pescoço provavelmente é a melhor escolha para este exame. Entretanto, mesmo com essas bobinas frequentemente são necessários múltiplos NEX/NSA para manter a RSR. A resolução espacial também é importante nesta área, portanto, são necessários cortes/espaçamentos finos e matriz razoavelmente fina para otimizar a resolução. O uso dessas matrizes e de múltiplos NEX/NSA frequentemente gera tempos de varredura longos.
Uma solução para esses problemas é o uso de FSE associada a FOV
retangular/assimétrico. A FSE reduz significativamente o tempo de varredura e fornece RSR maior, especialmente nas sequências com ponderação em T2. O FOV retangular/assimétrico permite a aquisição de matrizes finas com tempos de varredura menores. Nas imagens coronal e axial, o eixo longo do retângulo é inserido em S para I e em A para P, respectivamente. Às vezes, a glândula paratireoide retorna um sinal muito alto nas sequências FSE com ponderação em T2, exigindo o uso de técnicas de pré-saturação química/espectral.
Problemas com artefatos
O artefato nesta região é causado pelo fluxo nos vasos carotídeos, vertebrais e jugulares e pela deglutição. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial em S e em I em relação ao FOV diminui significativamente o artefato. A introdução de pulsos de pré-saturação espacial no FOV aumenta sua efetividade, mas é preciso cautela para não obscurecer anatomia importante. GMN diminui ainda mais o artefato, mas, como também aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, geralmente não é benéfica nas sequências com ponderação em T1.
A deglutição é um problema comum nesta área. O uso de NEX/NSA
múltiplos para diminuir o artefato de movimento reduz os fantasmas de fase, mas aumenta o tempo de varredura. O paciente deve ser aconselhado a deglutir o mínimo possível durante o exarme. O movimento respiratório pode mover a bobina de pescoço anterior durante a aquisição dos dados. Caso isto ocorra, oriente o paciente a respirar superficialmente. Além disso, pequenos coxins de espuma colocados entre o tórax e a bobina ajudam a reduzir o movimento da bobina.
Considerações do paciente
É importante explicar minuciosamente o procedimento e a importância de minimizar a deglutição durante a realização do exame. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, é necessário o uso de tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.
Uso de contraste
Raramente é indicado o uso de contraste, mas este pode ser útil para diferenciar a magnitude ou a natureza de uma lesão.