Manual de Técnicas de Ressonância Magnética
Plexo braquial
Anatomia básica (Figura 10.30)
Figura 10.30 Os componentes do plexo braquial.
Indicações comuns ■ Diagnóstico e caracterização das lesões do plexo braquial,
especialmente aquelas secundárias a carcinoma de mama e dos brônquios
■ Síndrome do desfiladeiro torácico ■ Avaliação do plexo braquial após traumatismo.
Equipamento
■ Bobina corporal (body coil)/bobina de pescoço anterior/bobina
volumétrica de pescoço/bobinas com múltiplos arranjos
■ Dispositivos de CR
■ Tampões ou fones de ouvido.
Posicionamento do paciente
O paciente fica em decúbito dorsal na mesa de exame e os dispositivos de CR são conectados, se necessário. O paciente é posicionado de forma que a luz de alinhamento longitudinal fique na linha média e a luz de alinhamento horizontal passe no nível das articulações esternoclaviculares.
Protocolo sugerido
SE/FSE T1 axial
Atua como localizador se a localização triplanar não estiver disponível, ou como uma sequência diagnóstica. São prescritos cortes/espaçamentos espessos de cada lado da luz de alinhamento horizontal. Esta imagem inclui a área desde as articulações esternoclaviculares até a terceira vértebra cervical.
I 25 mm a S 25 mm
SE/FSE T1 coronal/oblíqua (Figura 10.31)
Ao se usar imagem sagital, são prescritos cortes finos intercalados, paralelos ao eixo longo das vértebras cervicais inferiores (C4 a C7), desde a face posterior da porção cervical da medula espinal até as articulações esternoclaviculares. Essa imagem inclui a área desde a terceira vértebra cervical até o arco aórtico. Uma imagem axial pode ser usada para ajustar o plano coronal de modo que o plexo braquial seja apresentado simetricamente.
Figura 10.31 SE coronal com ponderação em T1 do plexo braquial normal.
GRE incoerente (spoiled) T1 axial 3D
Ao se usar imagem sagital, são prescritos cortes finos e um número pequeno ou médio de localizações de corte perpendiculares às vértebras cervicais inferiores desde o arco aórtico até a terceira vértebra cervical. A cobertura pode ser ampliada para permitir a dobradura do corte.
SE/FSE DP/T2 axial
São prescritos cortes/espaçamentos finos desde o arco aórtico até a terceira vértebra cervical. Às vezes, a introdução de pulsos de supressão de tecido é útil para diferenciar entre tumor e gordura.
SE/FSE T1 sagital/oblíqua
Ao se usar uma imagem coronal em que o plexo braquial seja exibido, são prescritos cortes/espaçamentos finos perpendiculares ao eixo longo do plexo braquial sintomático, abrangendo desde a medula espinal até o aspecto medial do úmero. Essa imagem oblíqua e sagital exibe um corte transversal do plexo braquial com mais precisão do que o plano sagital verdadeiro.
Otimização da imagem
Considerações técnicas
As características da RSR e da RCR do plexo braquial dependem do tipo de bobina utilizada. Bobinas de superfície e bobinas volumétricas especificamente desenhadas retornam um sinal mais intenso do que a bobina corporal, portanto a resolução espacial obtida é melhor. A SE fornece ótimo contraste, mas a FSE pode ser implementada se necessário. A resolução espacial é importante porque é necessária para mostrar as vias neurais no plexo braquial. As séries coronais exigem os mais finos cortes intercalados. A aquisição volumétrica também é benéfica porque são obtidos cortes muito finos sem espaçamento, associados à visualização da anatomia em qualquer plano. Entretanto, os tempos de varredura são bem longos, aumentando a probabilidade de movimento. Como o objetivo da aquisição volumétrica é mostrar a anatomia, GRE incoerente (spoiled) em T1 é a sequência de pulso de escolha.
Problemas com artefatos
A principal fonte de artefato é o movimento respiratório, portanto utiliza-se CR se houver problemas nesse sentido. Uma alternativa é a técnica de apneia, que pode ser utilizada para interromper o movimento respiratório. O artefato de movimento ocorre na direção de fase, portanto a mudança do eixo de fase para e I nas séries coronais frequentemente é benéfica. FOV relativamente pequeno é escolhido para otimizar a resolução espacial, com aliasing sendo um problema se for utilizada bobina corporal (body coil). Portanto, é necessário superposição de amostra se a anatomia estiver localizada no interior da bobina, mas fora do FOV na direção de fase.
Os pulsos de pré-saturação espacial na direção S para I são importantes
para reduzir o fluxo nos vasos carotídeos e jugulares. Além disso, nas séries coronais os pulsos de pré-saturação espacial D e E diminuem o artefato de fluxo causado pelos vasos subclávios. GMN também diminui o artefato de fluxo, mas como aumenta o sinal nos vasos e o TE mínimo, geralmente não é útil nas sequências com ponderação em T1. Sempre ocorre alguma dobradura de corte no primeiro e no último corte da aquisição volumétrica. Pulsos de pré-saturação espacial situados sobre a anatomia fora do volume, na direção da aquisição do corte, diminuem significativamente este fenômeno. Por exemplo, na aquisição volumétrica axial, os pulsos de pré-saturação espacial introduzidos em S e em I em relação ao volume da imagem anulam o sinal dos cortes que podem se dobrar no volume a partir
de cima e de baixo (ver tópico Imagens volumétricas no Capítulo 2, Parâmetros e Compensações).
Considerações do paciente
Informe ao paciente a duração da aquisição de volume e a importância de permanecer quieto. Devido ao ruído de gradiente excessivamente alto associado a algumas sequências, é necessário disponibilizar tampões ou fones de ouvido para evitar comprometimento auditivo.
Uso de contraste
O contraste pode ser utilizado para realçar massas no plexo braquial, mas não é um procedimento de rotina.
Pontos-chave
■ Na maioria dos casos, a bobina corporal (body coil) produzirá imagens ideais do tórax.
Para RSR mais alta, devem ser utilizadas bobinas torso em arranjo de fase de resolução mais alta
■ As sequências SE com ponderação em T1 são tradicionalmente usadas para mostrar a
anatomia e o sangue escuro (black blood). Imagens de sangue escuro (black blood) podem ser obtidas com a técnica de IR dupla (DIR) para anular o sinal do sangue
■ As sequências GRE são úteis na avaliação do uxo, e as sequências com ponderação em T2
revelam patologia e líquido livre
■ A compensação dos artefatos de movimento siológico no tórax pode ser reduzida com
muitas opções de imagem, incluindo: compensação respiratória, técnicas de apneia, gating cardíaco, triggering cardíaco ou outras opções de imagem (pulsos de saturação ou anulação do momento do gradiente). As técnicas de apneia são realizadas pela aquisição de sequências de imagem rápidas (≤ 20 segundos) e orientando-se o paciente a prender a respiração durante a aquisição da imagem
■ O movimento cardíaco é bem reduzido pelo gating cardíaco ou pela mudança da direção
de codi cação fase, de modo que os artefatos de movimento sejam afastados da região de interesse
■ Graças ao posicionamento oblíquo do coração no tórax, imagens cardíacas especí cas são
necessárias para visualizar as câmaras cardíacas e realizar um imageamento funcional
■ Sequências cardíacas especí cas também são necessárias para avaliar anatomia e função
cardíacas
■ O imageamento das mamas requer atenção ao protocolo e experiência por parte do
radiologista responsável pelo exame. Questões como ansiedade e posicionamento da paciente, prescrição de corte e tempo de contraste são fundamentais para um diagnóstico de qualidade
■ Especialização técnica e conhecimento acerca do funcionamento da RM são altamente
desejáveis quando se examinam áreas como a axila e o plexo braquial, que normalmente apresentam artefatos provenientes de espessuras e movimentos corpóreos regionais diferentes.
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