Na hora da virada
Quatorze
Eu vim pra ser o Ether. Foi mal por te arrasar. Nem é mais uma batalha, é funeral, vou te enterrar. Aqui na pista eles me chamam de legista, tô avisando. Fala a verdade, tu é uma fraude cantando.
Perdido e forasteiro, vou explicar pra você aqui: Você é uma poeira na ventania da Bri.
Sem falácia, eu tenho audácia, tenho eficácia,
Com paciência, destruo os rappers sem deixar evidência. Eu quero ter meu disco, conquistar o meu salário. E pra falar a verdade meu rap é legendário.
Milez? Que fofo. Mas tu não me apavora.
Eu sou velocidade da luz, você é milhas por hora. Teu som é arrastado. E o meu te arrasa.
Bri é o futuro, você é o Matt Lauer e vai virar fumaça. Covarde. Você é de gangue? Não tô comprando. Só fala de consumo, dessas roupinhas de marca. Fala da sua Glock, faz pouco do que vivi.
Mas todo mundo nesse ringue tá doido é por mim, Bri!
A plateia vai à loucura.
— Eu falei! — grita tia Pooh de pé nas cordas. — Eu falei pra vocês!
Milez não olha para mim e nem para o pai, que parece observá-lo de cara feia. Ele também pode estar olhando de cara feia para mim. É difícil saber com aqueles óculos.
— Beleza, pessoal! — Hype tenta acalmar todo mundo quando sai de trás dos toca-discos. — Agora temos que ver os votos. Quem levar essa vence. Juízes, como ficou?
O sr. Jimmy levanta a plaquinha. Está escrito Bri.
Dee-Nice levanta a plaquinha. Bri.
CZ levanta a plaquinha. Li’l Law.
Puta merda.
— Temos uma vencedora! — diz Hype, recebido por gritos trovejantes. Ele levanta meu braço no ar. — Senhoras e senhores, a vencedora do Calouro Royale, Bri!