Na hora da virada

Angie Thomas · Capítulo 17 de 40

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Na hora da virada

Dezesseis

— Não foi nada — respondo.

Ela suspira e se levanta da cama.

— Tudo bem. Pode se levantar. Nós temos que ter uma conversinha antes de você ir pra escola.

— Sobre o quê?

— Como você pôde me contar que venceu no Ringue, mas não pôde me contar que suas notas estão caindo mais rápido do que a calça frouxa da Pooh?

— Hã?

— Hã? — Ela me imita e me mostra o celular. — Recebi um e-mail da sua professora de poesia.

A professora Murray.

A conversa no preparatório para o ACT.

Ah, droga.

Sinceramente? Eu esqueci. Estava no ar depois da batalha, de verdade. Aquela sensação de quando a plateia fez festa para mim deve ser igual a ficar doidona, e estou viciada.

Não sei o que dizer para a minha mãe.

— Desculpa.

— Desculpa nada! Qual é sua maior responsabilidade, Bri?

— O estudo acima de tudo — eu resmungo.

— Exatamente. O estudo acima de tudo, inclusive acima do rap. Achei que tivesse deixado isso claro.

— Mas não é nada de mais, caramba!

Jay levanta as sobrancelhas.

— Garota — diz ela com aquele jeito lento que é um aviso. — É melhor você se controlar.

— Só estou dizendo que os outros pais não fariam tempestade em copo d’água por isso.

— Ora, veja só, não sou os outros! Você pode ir melhor, você já foi melhor, então melhore. O único cinco que eu quero ver aqui são seus cinco dedos segurando o lápis pra estudar. E o único dois que quero ver são seus dois olhos grudados nos livros. Entendeu?

Ela é tão rigorosa comigo.

— Sim, senhora.

— Obrigada. Se arrume pra escola.

Ela sai.