Na hora da virada
Trinta
Ah, meu Deus. Isso não é hora de me enrolar.
— Conta logo, droga!
Tia Pooh ri.
— Tudo bem, tudo bem. Ontem à noite, um produtor me procurou depois da batalha e me deu o cartão dele. Eu liguei pra ele mais cedo, e combinamos que ele vai fazer uma batida e você vai ao estúdio dele amanhã.
Eu pisco.
— Eu... eu vou a um estúdio?
Tia Pooh sorri.
— Vai.
— E vou fazer uma música?
— Isso aí.
— Yoooooooooo! — Eu enfio o punho na boca. — De verdade? De verdade?
— Claro que sim! Eu falei que ia fazer as coisas acontecerem!
Caramba. Eu sonho em ir a um estúdio desde meus 10 anos. Ficava parada na frente do espelho do banheiro de fones de ouvido e uma escova na mão como se fosse microfone e cantava junto com Nick Minaj. Agora, vou fazer minha própria música.
— Merda. — Tem um pequeno problema. — Mas que música eu vou cantar?
Tenho um monte no meu caderno. E um monte de ideias que ainda não escrevi. Mas essa é minha primeira música de verdade. Tem que ser a certa.
— Olha, o que quer que você faça, vai arrasar — diz tia Pooh. — Nem esquenta a cabeça.
Scrap enfia uma colherada de cereal na boca.
— Você precisa fazer alguma coisa tipo a música do garoto com quem você batalhou.
— Aquele lixo “Chocrível”? — pergunta tia Pooh. — Cara, sai daqui! Aquela merda não tem conteúdo.
— Não precisa ter conteúdo — diz Scrap. — Milez perdeu ontem à noite, mas aquela música é tão chiclete que tem mais gente ainda falando dela. Estava no topo da lista hoje de manhã.
— Espera aí — eu digo. — Você está dizendo que eu venci a batalha, que sou claramente uma rapper melhor, mas ele está ganhando toda a atenção?
— Basicamente — diz Scrap — você ganhou no voto popular porque todo mundo amou você no Ringue, mas é ele quem está levando a fama.
Eu balanço a cabeça.
— Muito cedo pra cantar vitória, cara.
— Touché — diz ele, porque ele é o Scrap e às vezes diz touché .
— Olha, não se preocupa com isso, Bri — diz tia Pooh. — Se aquele otário consegue fazer sucesso com qualquer lixo, eu sei que você consegue...