Na hora da virada

Angie Thomas · Capítulo 30 de 40

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Na hora da virada

Vinte e oito

Já faço isso há meses e a grana é gradual,

Então usei as regras do Big e fiz o meu manual

Alguns passos legais que não são nada de mais, Algumas regras claras pra vender essas balas.

A regra número um é que amigo nenhum

pode ter noção da grana que eu tenho na mão,

porque a inveja desperta e é quase certa

ainda mais se for Básico. É muito rápido.

Número dois, nunca conto o que vou fazer depois. É que a concorrência tem tendência de ser consequência quando alguém quer copiar o que consigo ganhar. Vão querer meu lugar só pra roubar os clientes que forem me procurar. Número três sem chilique, só confio em Sonny e Malik. Tem gente que vai cheirar e armar de me pegar, de moletom e cara coberta só por uns dólares, na certa, Vão me roubar no parque só por recalque.

Número quatro é uma regra que eu idolatro:

Não posso comer nada que é de vender.

Número cinco, não vendo as paradas em casa.

Podem me pedir o que for, bala ou batata, e eu digo vaza. Número seis, devolução? Comigo não.

A gente vende e pega a grana. Se arrepende? Vacilão. Sete, tem gente que não gosta desse ponto,

Mas nem pra minha mãe eu dou desconto.

Família e negócios não se misturam, como água e gordura. E eu sempre penso: “Não é frescura.”

Número oito não é besteira, a grana inteira

eu guardo, e não na bolsa nem na carteira.

A número nove é muito importante:

A polícia nunca pode dar flagrante.

Se desconfiarem de mim, posso falar sem fim.

Só vão atirar e mais um pra estatística. Será meu fim. Número dez, duas palavras: momento perfeito.

Querem saber o certo? Tem que fazer direito,

Se a clientela sumir, um problema vai surgir,

Se eu sumo de fato, eles vão comprar no mercado. Seguindo esses passos o sucesso é completo

Posso comprar minhas coisas e pagar os boletos, Vender mais biscoito que o pessoal do mercado Pra minha mãe e meu pai, e alô pro Big, o mais irado.

 

— E aí? — eu termino.

Um “Ohhhh!” coletivo soa. A boca do Jojo está aberta. Um ou dois GDs se curvam para mim.

Não tem nada no mundo assim. Tudo bem, eles são de gangue e já fizeram todo o tipo de merda que nem quero saber nem imaginar. Mas sou suficiente para eles e, sinceramente, eles são suficientes para mim.

— Beleza, beleza — diz tia Pooh para eles. — Mas preciso falar com a estrela em particular. Vocês têm que pular fora.

Todo mundo vai embora, menos Scrap e Jojo.

Tia Pooh empurra de leve a cabeça do Jojo.

— Vai, malandrinho.

— Droga, Pooh! Quando você vai me deixar assumir?

Ele quer dizer assumir as cores, que quer dizer se tornar um Garden Disciple. O garotinho sempre quer entrar, como se fosse o time de basquete do Maple Grove. Ele faz sinais do GD desde que eu o conheço.

— Nunca nessa vida — diz tia Pooh. — Agora vai.

Jojo faz um som de pneu furado.

— Cara — geme ele, mas sai pedalando a bicicleta.

Tia Pooh se vira para o Scrap, que ainda não foi embora. Ela inclina a cabeça como quem diz E aí?

— O quê? — pergunta ele. — O carro é meu. Eu fico se quiser.

— Cara, tá bom — diz tia Pooh. — Por você tá tranquilo, Bri?

Dou de ombros. É estranho. Desde que Long me chamou de marginal, parece que a palavra está marcada a ferro na minha testa e não consigo arrancar de mim. Odeio isso estar me incomodando tanto.

— Tem certeza de que não quer que eu dê um jeito nos guardas? — pergunta a tia Pooh.

Ela fala tão sério que quase me dá medo.

— Absoluta.

— Tudo bem. Eu cuido de tudo, basta você falar. — Ela abre um pirulito e enfia na boca. — O que a Jay vai fazer sobre isso?

— Ela não vai me deixar sair da escola, então não importa.

— O quê, por acaso você quer ir pra Garden High?

Eu puxo meus joelhos para o corpo.

— Pelo menos eu não seria invisível lá.

— Você não é invisível — diz tia Pooh.