Na hora da virada

Angie Thomas · Capítulo 29 de 40

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Na hora da virada

Vinte e sete

— Fui suspensa — eu conto à tia Pooh.

— De novo? Por quê?

Eu me sento no carro ao lado do Scrap.

— Uma merda aí.

Conto tudo, que os seguranças visam os alunos de pele preta e marrom e que me jogaram no chão. Os GDs balançam a cabeça. Tia Pooh fica com sangue nos olhos. Jojo alega que teria “dado uma surra nos guardas”, o que faz todo mundo rir, menos eu.

— Você não teria feito nada, garoto — eu digo.

— Pela minha mãe. — Tia Pooh bate palmas a cada palavra. — Juro pela minha mãe que eles se meteram com a pessoa errada. Mostre quem são e dou um jeito nos otários.

Tia Pooh não vai de zero a cem; ela vai de tranquila a pronta pra matar. Mas não quero que ela seja presa por causa de Long e Tate.

— Eles não valem isso, tia.

— Quantos dias você pegou, Bri? — pergunta Scrap.

Droga. Ele fala como se eu tivesse ido para a prisão.

— Três dias.

— Até que não é ruim — diz ele. — Pegaram seus doces?

— Não. Por quê?

— Então me dá um Starbursts.

— Custa um dólar — eu digo para ele.

— Não tenho grana. Mas posso pagar amanhã.

Eu que não sou trouxa.

— Então você pode comprar o Starbursts amanhã.

— Porra, é só um dólar — diz Scrap.

— Porra, são só 24 horas — eu digo com a minha melhor imitação do Scrap. Tia Pooh e os outros morrem de rir. — Eu não vendo fiado. É contra os Dez Mandamentos dos Doces, mano.

— O quê? — diz ele.

— Yo! Cacete! — Tia Pooh bate no meu braço. — Galera, ela recriou os “Dez Mandamentos do Crack” do Big. É maneiro. Bri, recita aí.

É sempre assim. Eu deixo a tia Pooh ouvir umas rimas que escrevi e ela fica tão pilhada que me pede para cantar rap para os amigos. Pode acreditar, se você for ruim, um membro de gangue vai ser o primeiro a dizer.

— Tudo bem. — Eu coloco o capuz. Tia Pooh faz uma batida no capô do carro. Mais gente no pátio se aproxima.

Eu balanço a cabeça. De repente, estou no clima.