Na hora da virada
Trinta e dois
SETE
O problema do carro do meu irmão é o seguinte: dá para ouvir bem antes de ver.
Scrap ainda está cantando “Chocrível” quando reparo naquele ronco familiar se aproximando. O vovô diz que o Trey precisa de um cano de descarga novo. Trey diz que precisa de dinheiro pra um cano de descarga novo.
O Honda Civic velho para no estacionamento de Maple Grove e cabeças se viram na direção dele, como sempre. Trey estaciona, sai e parece olhar diretamente para mim.
Ops! Isso não é bom.
Ele atravessa o estacionamento. O cabelo e a barba cresceram desde que ele voltou para casa. O vovô diz que ele parece estar numa crise de meia-idade.
O vovô diz que nosso pai cuspiu o Trey. Eles são idênticos, até as covinhas. Jay alega que ele até anda como o nosso pai, com um gingado como se a vida estivesse resolvida. Ele está com o uniforme do Sal’s, uma camisa polo verde com uma logo de fatia de pizza no peito e um boné combinando. Ele devia estar indo para o trabalho.
Um GD no pátio repara nele e cutuca um dos amigos. Em pouco tempo, estão todos olhando para o Trey. Com sorrisinhos debochados.
Assim que chega perto de mim, Trey diz:
— Parece que o telefone virou uma coisa inútil, né?
— Bom dia pra você também.
— Sabe há quanto tempo estou dirigindo por aí te procurando, Bri? Você nos deixou preocupados.
— Eu falei pra Jay que ia andar um pouco.
— Você precisa dizer aonde está indo — diz ele. — Por que não atendeu o telefone?
— Do que você está falando... — Eu pego o celular no bolso do moletom. Droga. Recebi várias mensagens de texto e tenho ligações perdidas dele e da Jay. Sonny e Malik também mandaram mensagens. Aquela meia-lua pequena no alto explica por que eu não sabia. — Desculpa. Botei no silencioso por causa da escola e esqueci de desativar.