Na hora da virada
Sete
DOIS
Mandei uma mensagem de texto com duas palavras pra tia Pooh: Fui chamada.
Ela aparece em quinze minutos, no máximo.
Eu a ouço antes que a veja. “Flash Light”, do Parliament, está tocando lá fora. Ela está ao lado do Cutlass, dançando. Está fazendo o Milly Rock, o Disciple Walk, tudo, como se fosse a escalação completa do programa Soul Train no corpo de uma mulher só.
Saio de casa e jogo o capuz por cima do boné; está mais frio do que a bunda de um urso-polar aqui fora. Minhas mãos estão congelando quando tranco a porta de casa. Jay saiu para a aula há alguns minutos.
Alguma coisa aconteceu, eu sei. Além do mais, ela não disse que não foi nada. Disse que não era nada com que eu precisasse me preocupar . É diferente.
— Aí está ela! — Tia Pooh aponta para mim. — A futura lenda do Ringue!
Os elásticos nas tranças tilintam quando ela dança. São verdes, como os tênis. De acordo com a Cultura de Gangue de Garden Heights Nível Básico, um Garden Disciple sempre tem que usar verde.
É, ela está nessa vida. Os braços e o pescoço são cobertos de tatuagens que só os GDs conseguem decifrar, exceto pelos lábios vermelhos tatuados no pescoço. São da namorada dela, Lena.
— O que eu falei? — Ela exibe as coroas de ouro nos dentes em um sorriso e bate na palma da minha mão a cada palavra. — Eu. Falei. Que. Você. Ia. Entrar!
Eu mal abro um sorriso.
— É.
— Você entrou no Ringue, Bri! No Ringue! Sabe quanta gente aqui queria ter uma chance dessas? O que tá pegando?
Muita coisa.
— Aconteceu alguma coisa, mas Jay não quer me dizer o quê.
— O que te faz achar isso?
— Ela comprou Popkenchurch.