Na hora da virada
Seis
Mas o problema do Popkenchurch não é o drama digestivo que pode vir depois. Jay só compra quando alguma coisa ruim acontece. Quando deu a notícia de que a tia dela, Norma, tinha câncer terminal dois anos atrás, ela comprou Popkenchurch. Quando se deu conta de que não poderia me dar um laptop novo no último Natal, Popkenchurch. Quando a vovó decidiu não se mudar do estado para ir ajudar a irmã a se recuperar do derrame, Jay comprou Popkenchurch. Eu nunca vi ninguém descontar a agressividade em uma coxa de frango como ela fez naquele dia.
Isso não é bom.
— Qual é o problema?
— Bri, não há nada com que se preoc...
Meu celular vibra na mesa e nós duas pulamos.
A tela se ilumina com um número que não reconheço.
São 17h30.
Jay sorri.
— Aí está sua ligação.
Minhas mãos estão tremendo até as pontas dos dedos, mas clico na tela e levo o aparelho ao ouvido. Me obrigo a falar.
— Alô.
— É a Bri? — pergunta uma voz muito familiar.
Minha garganta fica seca de repente.
— É. É eu... ela... sou eu. — Que se dane a gramática.
— E aí? É o DJ Hype! Está pronta, garotinha?
Esse é o pior momento de todos para se esquecer como se fala. Eu limpo a garganta.
— Pronta pra quê?
— Pronta pra arrasar? Parabéns, você conseguiu uma vaga no Ringue hoje!