Na hora da virada
Vinte
Mas quando o ônibus para na Midtown, não sou nada.
Na Midtown, você tem que ser excelente para repararem em você. Brilhante, na verdade. E parece que todo mundo está tentando superar todo mundo. O que importa é quem ficou com o papel principal nessa peça ou naquele recital. Quem ganhou aquele prêmio pelo que escreveu ou pela arte que fez. Quem tem a maior extensão vocal. É a competição de popularidade com esteroides. Se você não é excepcional, não é ninguém.
Eu sou o oposto de excepcional. Minhas notas são mais ou menos. Eu não ganho prêmios. Nada que eu faça é suficiente. Eu não sou suficiente. A não ser quando sou complicada demais para os professores resolverem e eles me mandam para a sala da diretora.
Na escada da escola, dois garotos fazem a dança do “Wipe Me Down” enquanto Milez canta “Choc, choc, choc” nos fones de um deles. Não sei por que eles estão se torturando com aquele lixo.
— E aí... — Eu seguro as alças da mochila. — O que vocês vão fazer no almoço?
— Eu tenho preparatório para o SAT — diz Sonny.
— Caramba, você está fazendo os dois? — pergunto. Sonny é mais obcecado com essa coisa de faculdade do que a Jay.
Ele dá de ombros.
— Eu faço o que tenho que fazer.
— E você? — pergunto a Malik e, de repente, meu coração bate superrápido com a ideia de almoçar sozinha com ele.
Mas ele franze a testa.
— Desculpa, Bri. Tenho que ir ao laboratório trabalhar num documentário. — Ele mostra a câmera.
Já era a minha ideia. Acho que não vou ver nenhum dos dois até a hora de pegarmos o ônibus de volta. É que o Sonny e o Malik têm os grupos deles na Midtown. Infelizmente pra mim, o Sonny e o Malik são o meu grupo. Quando estão com os grupos deles, eu não tenho nada além de não ser ninguém. Os dois são brilhantes. Todo mundo das artes visuais ama o grafite do Sonny. Malik já ganhou dois prêmios com os curtas que faz.
Eu só preciso aguentar mais um ano nesse lugar. Mais um ano sendo a Bri quieta e despretensiosa que fica na dela enquanto os amigos brilham.
É.
Entramos na fila da segurança.
— Vocês acham que o Long e o Tate se acalmaram desde ontem? — pergunta Sonny.
— Provavelmente não.