Na hora da virada
Parte Três | Virada
CINCO
Vou parar na sala da diretora Rhodes.
Meus braços estão presos nas costas. Long me arrastou até aqui e estou sentada há alguns minutos. Ele está na sala da dra. Rhodes agora. Ela mandou a secretária, sra. Clark, chamar minha mãe e ficar de olho em mim, como se fosse eu quem precisasse ser vigiada.
A sra. Clark olha meu arquivo no computador para procurar o número da Jay. Estou surpresa de ela não saber de cor.
Eu olho para a frente. A sala tem pôsteres motivacionais em todas as paredes. Um estampa uma grande mentira: “Não se pode controlar o que os outros fazem. Só se pode controlar como reagir.”
Não se pode, não. Não com seu braço puxado para trás do corpo, ou quando você está deitada no chão com um joelho nas costas. Não se pode controlar nada nessa hora.
A sra. Clark pega o telefone e disca. Depois de alguns segundos, diz:
— Alô, aqui é da Escola de Artes Midtown. Posso falar com a sra. Jayda Jackson, por favor?
Jay é quem atende o telefone na Templo de Cristo, então espero que a sra. Clark comece a explicação imediatamente. Mas ela franze a testa.
— Ah. Entendi. Obrigada.
Ela desliga.
Estranho.
— O que a minha mãe disse?
— Fui informada que sua mãe não trabalha mais lá. Há alguma outra forma de fazer contato com ela?
Eu me sento da forma mais ereta que consigo.
— O quê?
— Devo tentar o celular ou o número de casa?
— Tem certeza de que ligou para a Igreja do Templo de Cristo?