Portal das Reencarnações

Isaac Luria · Capítulo 33 de 35 · parte 2/5

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Portal das Reencarnações

Portal das Reencarnações – Parte 38

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

Na protuberância do lado sul se sentava o Rabi Aba. Ao lado da árvore que se encontra do outro lado destas protuberâncias, a oeste delas, se sentava o Rabi Elazar.

O meu mestre se sentou, então, na protuberância norte, no local em que ficava o Rabi Shimon bar Iochai.

E eu me sentei na protuberância do lado sul, no local do Rabi Aba, mas sem o saber.

Só depois de ficarmos ali é que meu mestre me explicou tudo isso, sendo que eu não sabia de nada daquilo de antemão. Portanto, fiquei sabendo que um dos amigos que compôs o Idra Raba era da minha raiz de alma, ou seja, o Rabi Aba.

Isso se fez saber pelo fato de eu ter sentado no seu local sem saber. Só devo dizer que quanto a este fato de nos sentarmos nestas protuberâncias, eu tenho dúvidas se foi nesta posição que sentamos ou invertido.

Meu mestre me disse que uma vez, quando ainda era pequeno, eu amaldiçoei a minha mãe e por isso ele me pediu que eu me penitenciasse por três dias seguidos, dia e noite; e meditasse que isso eram 72 horas, que são paralelas às duas coroas de Chassadim e Guevurot de Aba e Ima, ocultas nas três patriarcas, Chéssed, Guevurá e Tiféret — que são 72, como é sabido, já que o nome de 72 letras se localiza em Chéssed, Guevurá e Tiféret.

Como o que eu fiz foi separar estas duas coroas do Filho Superior, eu deveria meditar em retorná-las ao seu local por meio destas 72 horas que existem nessas três penitencias [dos três dias]. Ele me disse que eu deveria fazer isso nos três dias antes dos dias de Shavuot, meditando também no segredo do versículo "Preparem-se para o terceiro dia" que se refere ao terceiro dia [de Shavuot], quando se cancelou a impureza de Israel.

Por meio deste período de jejum também se separaria de mim a impureza que estava em mim, para que assim eu recebesse força para entender os segredos da Torá na noite de Shavuot juntamente com ele. E na noite de Shavuot eu fiquei estudando com ele a noite toda os segredos da Torá.

E eu não dormi nada durante toda aquela noite. Ele também me disse que esses três dias de jejum ajudaram a anular o decreto de 44 anos que estavam faltando da vida do Rav autor do livro Maguid Mishná, como mencionamos anteriormente.

Um dia, na sexta semana da contagem do Omer, ele me disse que eu deveria meditar naquela semana, que correspondia a Iessód, como é sabido.

Eu deveria meditar em corrigir a mácula que eu tinha causado quando estava amarrado na noite do meu casamento.

Certo dia eu estava jejuando e tinha chorado muito. Além disso, eu tinha conversado muito com o Santíssimo, bendito seja, perguntando por que Ele me impedia de seguir pelo caminho do arrependimento e por que não colocava no coração do meu mestre a ordem para me ensinar da maneira como eu queria.

Pois então, eu falava coisas deste tipo.

Depois fui à casa do meu mestre, e eis que ele sabia do ocorrido só de olhar no meu rosto.

Ele me disse que naquela hora queriam me castigar no Tribunal Celestial, pois eu tinha pecado com as palavras dirigidas contra os Céus, No entanto, ele me disse que havia uma defesa sendo feita a meu favor, que dizia que meus pensamentos eram bem intencionados. Ele me disse ainda para ter cuidado em não dizer novamente palavras como estas, pois a vaca quer amamentar mais do que o bezerro consegue mamar, mas sempre existe um tempo determinado para que as coisas aconteçam, como está mencionado no versículo "Para tudo existe uma época determinada, e para cada acontecimento há um tempo apropriado." Ele me perguntou como eu tinha dito, Deus nos livre, que o Santíssimo tinha retirado de mim o caminho do arrependimento e tinha perguntando quem tinha causado e colocado tudo isso em meu coração, a necessidade de se arrepender!

Quem poderia ser se não o Santíssimo, com a Sua misericórdia que esta próximo de suas criaturas?

Ele me disse que o que estava sendo tirado de mim era a chance de ele dizer o que eu desejava, pois existe um tempo determinado para cada coisa, sendo que, naquele dia, o tempo tinha se completado. Portanto, daquele dia em diante ele me disse que não mais esconderia nada de tudo que eu lhe perguntasse.

De fato, assim ele fez desde então.

Ele também me disse que em uma encarnação anterior eu tinha cumprido o preceito do abate ritual e que agora, nesta encarnação, eu deveria tomar muito, muito cuidado de não realizar nenhum abate. Mais do que isso, eu deveria me preocupar em não matar nenhuma criatura, mesmo que fossem pulgas ou piolhos. Meu mestre, de abençoada memória, também não costumava matar pulgas e piolhos, além de, obviamente, nenhuma criatura viva, seja ela qual for. Ele me disse que como a raiz de minha alma vinha de Caim, que matou Abel, e também pelo fato que o Rabi Shaul Trishti tinha reencarnado de fato juntamente comigo por causa de um pecado de derramamento de sangue ao circuncidar a criança que morreu por ele, eu tinha que tomar cuidado de não matar nenhum ser vivo no mundo, mesmo que fosse por meio do abate ritual.

Ele me disse ainda que como eu era uma centelha nova, eu deveria cumprir o preceito de crescer e multiplicar que eu ainda não tinha cumprido. E ele me disse que o que esta faltando para eu cumprir são apenas 11 preceitos, mesmo eu sendo novo.

Depois que eu os cumprisse, eu deveria cumprir o preceito de 'mandar embora' a mãe-pássaro do ninho, mesmo já tendo feito isso em outra encarnação.

Este preceito é a correção final dentre todas as correções que eu preciso fazer.

O motivo para isso é que eu precisava 'mandar embora' a Néfesh que já terminou de se corrigir por meio dos mencionados onze preceitos. Sendo assim, o Rúach virá sozinho e se corrigirá também. Depois que ele fique totalmente corrigido, virá também a Néfesh que já se corrigiu, e ela se toma 'um trono' ao Rúach corrigido. E entenda bem esse assunto e lembre-se dele, pois é um grande princípio — e não o esqueça!

E ele me disse que estes 11 preceitos são dos que não é tão dificil cumprir, sendo que um deles é o de 'a espádua, a queixada e o estômago'. [Conforme o versículo — Deuteronômio 18:3 "Quando o povo sacrificar um novilho, etc. os sacerdotes receberão a porção devida: a espádua, a queixada e o estômago"]

Em outra ocasião ele me explicou bem esse assunto, me dizendo que existem preceitos positivos e preceitos negativos masculinos e, do mesmo modo, preceitos positivos e preceitos negativos femininos. Não existe um órgão de todos os 248 órgãos que existem em Adão que não seja compreendido por carne, tendões e ossos. A carne e os ossos são os preceitos positivos e os tendões são os preceitos negativos.

A raiz da minha Néfesh é o ombro esquerdo de Adão, do aspecto de Léa que fica ali do lado das Costas.

Os preceitos positivos que ficam neste local são 11, igual ao valor numérico de - " "   , as duas letras finais do Tetragrama — . Isso está no valor numérico da palavra — " [Catéf], "ombro" [500] do seguinte modo:

 

Estes 330 mais 180 resultam em 510; tirando 11 que é o valor numérico de — "  (Vav e Hê - 6+5) ficaremos com 499 (+1 — a unidade) que é o valor da palavra hebraica de "ombro".

Os preceitos negativos são 15, em alusão às duas letras iniciais - "  [Iud e Hê — 10+5], do Tetragrama — " . E como nossos Sábios, de abençoada memória, disseram de que — [Iud e Hê - 15] com — "  [Shemi - Meu Nome - 350] somam - 365, e que — " [Vav e Hê — 11] com — " [Zichri — Minha Memória — 237] somam 248.

Além disso, eles também aparecem no valor numérico da palavra "ombro" do seguinte modo:

 

Sendo assim, temos 500, o valor da palavra 'ombro'. Portanto, o número dez aludido na letra Iud é o dos dez preceitos negativos masculinos.

O cinco aludido na primeira letra Hê são os cinco preceitos negativos femininos.

O seis aludido no Vav é os seis preceitos positivos masculinos. O cinco aludido na última letra Hê são os cinco preceitos [positivos] femininos.

Por causa disso, a pele que existe neste órgão do ombro, tem em si aludidas todas as luzes que existem dentro desse orgão.

Meu mestre me disse, que com o pecado de Caim, a minha Néfesh desceu até o calcanhar.

E meu pai e mestre, de abençoada memória, quando me fez nascer, elevou esta Néfesh até o tórax.

Agora eu preciso corrigi-la e terminar de elevá-la até o seu local de fato. No entanto, os dez preceitos negativos masculinos eu não recebi do meu mestre.

Mesmo assim, os cinco preceitos negativos femininos são estes: 1) Não matarás, que inclui o mandamento de não envergonhar o próximo em público.

2) Não roubarás.

3) Não cozinharás o bezerro no leite de sua mãe. 4) Não ingerirás gordura proibida do animal (hebraico Chêlev). 5) Não ingerirás sangue.

Os seis preceitos positivos masculinos são:

1) Teu irmão habitará contigo, que é um preceito próximo ao da caridade, sendo que se trata de dar um oficio ao irmão para que possa viver contigo, como é sabido.

2) Comerás o segundo dízimo em Jerusalém.

3) E farás uma proteção em teu telhado.

4) Crescei-vos e multiplicai-vos.

5) Circuncidarás o filho, em especial o próprio filho. 6) Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Os cinco preceitos positivos femininos são:

1) Emprestarás aos pobres; conforme está escrito: "Se fizer um empréstimo ao meu povo" (Êxodo 22:24)

2) O preceito do Tsitsit, que fica sobre o ombro, já que a sua fonte vem do ombro.

3) O preceito de afugentar a mãe-pássaro; conforme está escrito: "mas deixe a mãe solta" (Deut. 22:7)

4) Praticar a Shemitá no ano sabático.

5) Lembrar-se da saída do Egito.

Meu mestre ainda me avisou, bem como a todos os amigos que estavam reunidos com ele naquele grupo, que antes da reza matinal, devíamos prestar atenção de receber sobre nós o preceito positivo de amarás ao próximo como a ti mesmo.

Deveríamos meditar em amar cada um [do povo] de Israel como se fosse nossa própria Néfesh, pois deste modo nossa reza se elevaria juntamente com a de todo Israel, e assim poderíamos chegar a níveis elevados e promover correções nas Alturas.

Em especial na questão de amar nossos amigos, cada um de nós precisava se incluir [no grupo] como se fosse um órgão desses amigos. Por conta disso meu mestre me avisou a respeito desse assunto, e disse que se algum amigo, Deus nos livre, estivesse sofrendo ou tivesse alguém doente em sua casa, ou na dos seus filhos, nós deveríamos participar de seu sofrimento, e rezar para ele.

Isso deveria ser feito em todos os assuntos, participando no que quer que fosse juntamente com nossos amigos.

Eu também empreendi o jejum que meu mestre me ensinou para corrigir o que tinha acontecido comigo no dia do meu casamento, depois que fiquei amarrado e ter emitido sêmen em vão.

Além disso, havia a transgressão do preceito de respeitar o pai e a mãe. Ainda havia o fato de eu ter bebido vinho não-casher com um israelita que se converteu.

E ele me enganou, dizendo que ele tinha vindo para a cidade de Safed para voltar a religião de Israel.

Mas eu fiquei sabendo que isso era só nas aparências, sendo que ele voltou ao seu modo ruim de ser.

E ainda havia o pecado do orgulho e da futilidade, do derramamento de sangue que já foi mencionado e de ter me eximido da leitura do Shemá e dos filactérios.

Meu mestre ainda me disse que como eu era da raiz de Caim, que é o segredo das Guevurot, chamadas de fogo, eu tinha muito medo e muito pavor ao ver água.

Isso porque quando o fogo entra na água ele é apagado e anulado. Além disso, como os espíritos e demônios são provenientes da geração de Caim, como é sabido, eu tenho muito medo deles. Ele ainda me disse que Caim é o segredo dos trabalhos manuais e artísticos.

Já Abel é o segredo superior da boca, que é a fala. Por isso as pessoas da raiz de Abel são demagogas e falantes. Mas eu, sendo da raiz de Caim, não sou muito falante e não domino o poder da fala, como domino o da pintura e do artesanato. Quanto às Mishnaiot que eu deveria saber de cor, o meu mestre disse que são apenas aquelas do Tratado Nashim, mas que sobre as outras eu não tinha obrigação alguma.

Ele ainda me disse que os dias corretos para fazer um jejum de dois dias consecutivos são a terça e a quarta-feira, conforme a raiz de minha alma. Ele disse que não existe pessoa que não tenha um dia determinado da semana e um dia determinado do mês apropriado para ele cumprir as suas tarefas.

Isso é porque a sua sorte depende deste dia conforme a raiz de sua alma. Neste dia, a pessoa não deve temer a nada ruim ou a nenhum acidente, e neste dia ela não morrerá.

Este é o segredo de "Arrependa-se um dia antes de tua morte," pois neste dia não há medo [ou risco] de que a pessoa morra. Por isso é ideal se arrepender neste dia, pois dali em diante já existe o medo com relação aos outros dias.

Ele me disse que o dia mais propício para mim na semana, segundo a minha raiz de alma, era a segunda-feira.

E o dia mais propício para mim no mês, também conforme a minha raiz de alma, é o dia 13.

Ele ainda me falou de outra meditação ligada à Kedushá [literalmente Santificação].

O que ele me disse é que apesar de todo mundo precisar meditar nisso, eu precisava fazê-lo mais do que as outras pessoas. A meditação consiste em pensar que existem três momentos de Kedushá. A primeira é a da Amidá [a Grande Oração lida em pé] do serviço matinal, quando se diz "Nacdishách vê naaritsách." [Isto se lê na Amidá rezada pelo costume Sefaradí. No rito ashkenazi se diz "Necadêsh et Shimchá".]

A segunda é a santidade da Amidá do serviço vespertino, quando se diz "Nacdishách vê naaritsách" [literalmente: 'Nós Te santificamos e Te adoramos'].

A terceira, por fim, é a santidade de "Uvá LeTsion" [literalmente: 'E chegará a Tsión'], que se diz pela noite do término de Shabat, depois da Amidá. Você já sabe esta meditação da Kedushá, que tem o objetivo de elevar Malchut acima do seu nível para receber o Dáat, pois o Dáat [a consciência] dela é 'leve' i.e., 'é fácil para ela recebê-la e perdê-la'. Este é o segredo dos pulos que damos quando falamos "Santo, Santo, Santo", como mencionado no Pirkê Hechalot [literalmente: Câmaras ou Palácios].

É sabido que toda ascenção se dá por meio do nome de 42 letras. Por isso, na Kedushá da Amidá do serviço vespertino dos dias da semana é preciso se concentrar nas duas primeiras letras do: --. Na Kedushá da Amidá do serviço matinal dos dias da semana é preciso se concentrar nas duas letras Guimel e Iud intermediárias: -- . E na Kedushá de "Uvá LeTsion" é preciso se concentrar nas duas letras finais, Tav e Tsadic: - -.

Este primeiro nome inclui em si todo o nome de 42 letras, sendo a sua essência principal, já que ele é o segredo da Sefirá de Chéssed que se expande em todos, como é sabido.

Por isso todas as meditações [das outras frases ou nomes que o seguem] se resumem a este nome apenas.

Uma vez eu perguntei ao meu mestre na sexta à noite sobre o nível de alcance de minha alma.

E ele me disse este versículo: "Afinal, para quem está voltado todo o desejo de Israel, senão a ti".

Eu fiquei implorando para que ele clareasse o que tinha dito, mas ele não quis me revelar mais do que isso.

Perguntei, então, se isso queria dizer que eu era da raiz do rei Shaul, pois foi sobre ele que se disse este versículo.

Ele me respondeu que não tinha ganas de me explicar e clarear esta questão.

Em outra ocasião eu voltei a lhe perguntar sobre a minha alma, e ele me disse que eu poderia chegar mais longe do que o nível dos anjos, por causa do grande valor da minha alma.

Ainda me disse que a minha alma veio ao mundo por causa de uma necessidade enorme, mas que não estava em seu poder me explicar mais do que isso, pois ele não tinha permissão [dos Céus]. Se me revelasse toda a questão, ele afirmou que eu quase voaria no ar de tanta felicidade do que teria a me dizer, mas que, infelizmente, ele não tinha permissão de fazê-lo.

O Rabi Alzin, de abençoada memória, me disse que uma vez ele foi até a casa do Mestre na noite de Shabat [sexta à noite], depois da meia noite, por causa de tanta inveja que tinha em seu coração; porque ele era mais velho do que eu, porém precisava ouvir a lição dada por mim. Então, ele tinha ido chorar perante meu mestre por causa dessa questão. O que ele respondeu é que ele, de abençoada memória, tinha vindo ao mundo para passar os ensinamentos somente à mim!

E que os outros amigos nossos não podiam aprender sequer uma letra dele, mas que deveriam estudar comigo.

Eu também já tinha ouvido isso diretamente da boca do meu mestre, de abençoada memória.

Este aluno ainda lhe perguntou que se havia outras pessoas maiores do que a raiz da minha Néfesh, por que ele deveria se sujeitar a mim? Querendo dizer que ele deveria se sujeitar a almas mais elevadas, e não a mim.

Meu mestre lhe respondeu que o assunto não funciona assim, mas sim depende da Néfesh da própria pessoa, que deve ser de um local elevado. O Rabi Iehudá Baguiliair também me disse que o meu mestre lhe contou sobre a proximidade que meu mestre tinha comigo. Isso porque as três letras: ''  - Alef, Bet e Iud estavam aludidas no nome de: '' — Akiva, de trás para frente. Ele não quis me explicar mais do que isso, mas também me disse que sobre mim foi dito: "O que já foi voltará a ser,"8 cujas iniciais em hebraico formam o nome: ''  - "Moshé - Moisés" . A questão é que do mesmo modo que o Rabi Akiva ensinou Torá para seus 24.000 alunos e para todo o mundo, eu faria o mesmo, com a ajuda do Santíssimo, bendito seja.

Certa vez eu estava sentado na frente do meu mestre, depois da refeição vespertina de Shabat, e eu fiquei insistindo com ele a falar mais do nível de minha percepção espiritual [ou compreensão conceitual que conseguir alcançar] e da raiz da minha Néfesh.

Dentre o que ele disse, ele mencionou o versículo: "Ele zombará dos zombadores e oferecerá a graça aos humildes, etc" — em hebraico:

Eu pedi, então, que ele me explicasse o que isso queria dizer. Ele me respondeu que as iniciais deste versículo [em hebraico:

] formam a expressão:

"Eliahu vive [ou é vivo]".

O assunto é conforme o que está dito em relação a Moisés: Ele era o mestre de todo o povo de Israel, e seu porta-voz era Aharon, o sacerdote, como está escrito: "servirá para ti por boca", porque Moisés era gago e tinha dificuldades de falar.

E no futuro, na geração do Messias, Moisés virá por meio de uma reencarnação e ensinará Torá para todo [o povo de] Israel. Ele também terá dificuldade no falar e o seu porta-voz será Eliahu Hanavi [Elias, o profeta] de abençoada memória, que está vivo constantemente. Sabemos que ele é Pinchás ben Elazar, filho de Aharon, o sacerdote, irmão de Moisés.

Por isso está escrito "Ele zombará [em hebraico pode significar também advogará] dos zombadores [também para quem precisar de advocacia] e oferecerá a graça aos humildes, etc".

Quer dizer: "Quem precisar de advocacia" [o que aparece no versículo como zombadores] se refere a quando Moisés precisar de um advogado e de um porta-voz [ou tradutor], então Eliahu, que está vivo, advogará para ele, e será seu porta-voz. Porém, ele [meu mestre] não quis explicar mais; como relacionar esse assunto com a primeira questão que estávamos discutindo. Um dia ele me contou que lhe tinham dito, durante suas orações, que num futuro próximo eu veria um anjo face a face e que ele falaria comigo. Eu o instei a me dizer qual seria o seu nome, e ele me disse que seria Elias, de abençoada memória.

Um dia ele me disse que a parte do meu Rúach tinha começado a brilhar em mim, por meio da alma extra que recebo em particular toda sexta-feira à noite, [e vai continuar assim] até se completarem os dois anos e meio, mencionados acima.

Eles começam no início do mês de Iyar de 5331 [= 1571]e iria até o início do mês de Tishrê de 5334 [=1573].

Depois disso eu teria em mim aquela parte do Rúach por inteiro e então receberei a completa Inspiração Divina.

O que se passa é que a Néfesh consegue cumprir os preceitos apenas na ação, mas para completar o nível de entendimento da Torá e de alcance do Espírito da Santidade, é preciso ter a parte do Rúach. Portanto, a questão do meu alcance fica pendendo até eu receber esta minha parte do Rúach de maneira definitiva e completa, com a ajuda do Santíssimo, bendito seja.

Ele ainda me disse que esta centelha da parte do meu Rúach que estava entrando em mim, vinha acompanhada com a centelha do Rúach do Rabino Akiva, que estava revestida nela.

Isso ocorreu, pois minha Néfesh também estava acompanhada com a Néfesh do Rabino Akiva pela própria encarnação, como será explicado posteriormente, e por isso, parte do meu Rúach estava vindo acompanhada justamente com o Rúach do Rabino Akiva.

Quando eu recebesse, portanto, o meu Rúach de maneira completa, em mim haveria também o Rúach do Rabino Akiva. Mas, antes disso, eu precisava completar a minha Néfesh, nos dois anos e meio mencionados.

Depois de completá-la perfeitamente eu mereceria receber o meu Rúach, que viria juntamente com o do Rabino Akiva, pois é sabido que o Rúach não pode entrar na pessoa antes que se termine a correção da Néfesh por completo.

A não ser que aconteça em particular, pela 'alma adicional' [que entra na pessoa] na sexta-feira à noite.

E isso não é feito, senão por meio de arrependimento e bons atos. Ele ainda me disse que não haveria nenhuma outra pessoa da minha raiz de alma que ficaria comigo pelo segredo da reencarnação, mas apenas o Rabino Akiva.

Este realmente ficaria comigo por meio da própria encarnação; os outros, se por acaso viessem unir-se a mim, seria apenas por meio do segredo do Ibur, mas nunca por uma encarnação de fato.

Em outra ocasião o meu mestre me disse que todas as centelhas de alma que existem desde o começo do nível da Néfesh do Rabino Akiva, até chegar a mim, o jovem Chaim, também estão encarnadas em mim por meio da própria reencarnação, e são aliadas à minha Néfesh nesta reencarnação. E que era possível que, se eu merecesse ainda mais do que isso, mais algumas pessoas viessem em mim por meio do Ibur. Seriam pessoas que antecederam o Rabino Akiva, como o Rabino Iochanan ben Zacai, ou outros do mesmo tipo.

Mas seria apenas pelo segredo do Ibur.

Isso é assim, porque entre todas estas centelhas desta raiz, não existe tanta proximidade quanto entre a centelha da Néfesh do Rabino Altiva e a centelha da minha Néfesh.

Ou seja, isso quer dizer que a centelha da minha Néfesh é mais próxima e similar à do Rabino Akiva do que todas as outras. Por isso ela reencarnou em mim mais do que todas as outras. Além disso, como a centelha da Néfesh do Rabino Akiva elevou-se ao nível chamado de Machshavá (Pensamento), eu também teria a possibilidade, conforme os meus atos, de subir até um nível bem elevado, mais ainda de algumas centelhas que tenham me precedido.

Ele me disse ainda que a minha Néfesh e a Néfesh do Rabino Akiva estavam uma ao lado da outra na raiz das Nefashot.

No entanto, o Rabino Akiva tinha toda sua origem do lado de Cáin apenas no que diz respeito ao nível da Néfesh.

Pois o seu Rúach também era do nível de Cáin, e era adequada àquela Néfesh dele, mas ele não o pegou naquela hora. Ele pegou outro Rúach, da raiz de Hével ou de Adão. Eu também tenho a possibilidade de pegar um entre dois tipos de Rúach para mim.

O primeiro é o aspecto do Rúach condizente com a minha Néfesh, sendo da raiz de Cáin.

E o segundo é de outra raiz.

Isso acontece pelo que já explicamos, de que por meio do pecado de Adão as almas se misturaram; o aspecto de Rúach de Hével com o aspecto de Néfesh de Cáin, ou vice versa; ou o aspecto de Rúach da raiz de Adão [se misturou] com o Rúach de Cáin, ou o de Hével. Ou ainda o oposto.

Por isso, o aspecto de Rúach que tenho do lado de Cáin é muito maior do que o outro Rúach, que tenho do lado desta 'mistura'. E se eu tiver merecimento eu pegarei para mim este Rúach mais adequado, [que vem] do lado de Cáin.

O mesmo se dá com a Neshamá.

Meu mestre me disse que depois da centelha do Rabino Akiva, a centelha mais próxima da minha é a do Abaiê, pois ele conseguiu pegar os três níveis de Néfesh, Rúach e Neshamá [NaRaN] da mesma raiz que a minha, ou seja, da raiz de Cáin, o que não ocorreu com os outros. Ele me disse, ainda, que o Abaiê é o Rav Iba Saba mencionado no Zôhar, na Porção Semanal de Mishpatim, e que seu nome está aludido nas iniciais

de:

- "Mas em mim virá o oposto."

A própria palavra "oposto" indica a inversão de:  [Abaiê] para:  [Iba, ou Iva].

Eu pedi para que ele me explicasse o motivo desta inversão, só que ele não quis me explicar.

Um dia ele me disse que a raiz da minha Néfesh era uma das Dez Gotas de Sêmen de Iosséf, que saíram das unhas dele; uma daquelas dez gotas, como é sabido (Introdução 26 e 39).

Ele também me disse que a Néfesh adicional que me veio pelo segredo dos acréscimos do Shabat era muito elevada e pura, quase do nível de Atsilut. Neste mesmo dia ele me disse que eu ainda não tinha merecido receber em mim esta Néfesh, apenas uma ou duas vezes.

Quanto à minha Néfesh, ele me disse que quando Cáin pecou, todas as centelhas desta raiz, todas elas estavam incluídas nela e vêm dela — até as centelhas que virão na Vinda do Messias.

Inclusive, a centelha da minha Néfesh estava incluída nela. E por causa do seu pecado, todas as centelhas se misturaram nas Klipot. E todas as centelhas elevadas e importantes desceram mais do que as outras, no fundo das Klipot, pois o pecado de Cáin foi cometido no Pensamento Superior [hebraico: Machshavá Elioná], como mencionado nos Ticunim.

E eis que o Rabino Akiva tem o seu local nos braços, pelo segredo de "e sua mão agarrava o calcanhar de Eissav," como explicado anteriormente, de que ele era o calcanhar da mão esquerda de Zeir Anpin. A mão é um membro que o homem pode rebaixar até o calcanhar ou, às vezes, pode elevar até a altura da cabeça.

Portanto, estes braços caíram até o nível do calcanhar e depois, quando o Rabino Akiva foi assassinado, ele se elevou e subiu até o nível do Pensamento Superior.

É por isso que o Santíssmo, bendito seja, disse para Moisés: "Assim subiu ao Pensamento (Machshavá)", para que ele corrigisse o que estava maculado.

Por isso meu mestre me disse que eu e todos que se parecem comigo temos a capacidade de nos elevar através de nossos atos, pois somos do nível de braços; e de que podemos subir e chegar ao nível elevado e sublime indefinidamente, e com mais facilidade do que muitas pessoas que nos antecederam nos tempos passados.

No entanto, o local da centelha da minha Néfesh está nos ombros dos braços.

Ele me deu um sinal para provar isso, que é o fato de eu ter neste local pelos longos.

Além disso, o que se vê é que eu estou incluído de Chéssed e Guevurá, por eu ser do segredo dos ombros.

E eis que a centelha particular de minha Néfesh ainda não tinha reencarnado e, portanto, ainda não tinha vindo ao mundo, sozinha — só agora!

Nesse sentido eu sou 'novo' (veja Introdução 12). Mas no sentido que eu tinha saído incluído da Néfesh de Cáin, como mencionado, eu preciso completar os meus Néfesh, Rúach e Neshamá (NaRaN) que foram maculados.

Pois estou ali por causa do pecado de Cáin.

Isso quer dizer que eu preciso corrigir a minha parte que está ali. E também, a centelha da minha Néfesh está próxima e adjacente à do Rabino Akiva, mais do que qualquer outra.

É por isso que ele vem reencarnando comigo mais do que os outros.

Meu mestre me disse que existem três pessoas que erraram sobre o fim dos tempos.

Uma delas é Iaakóv, quando chamou seus filhos e lhe foi retirada a visão do que ia suceder.

Outro é o Rabino Akiva, que contém em si as letras de Iaakóv, para mostrar que seus erros eram similares.

Em seu caso, o que se passou é que ele achou que Ben Coziva era o Messias.

E o outro é Samuel, que enganou-se no assunto de Eliav, de quem ele pensou que iria sair o Messias, como está escrito: "Certamente o Seu ungido está perante Adonair”

Por causa disso, estes três reencarnaram, para corrigir este erro. Meu mestre, de abençoada memória, me disse que a Néfesh do Rabino Akiva não era como a Néfesh dos outros prosélitos, criadas pela união das almas dos justos no Jardim do Éden da terra, conforme mencionado na Porção Semanal de Shlách Lechá.

A Néfesh dele era muito elevada, mas por causa do pecado de Adão e Cáin ela foi parar no meio das Klipot e foi obrigada a entrar no corpo de um prosélito.

Por conta disso, ela veio revestida em outra Néfesh, chamada de Néfesh do prosélito [hebraico: Guér], conforme mencionado no Saba de Mishpatim. Foi esta Néfesh do prosélito que fez com que ele fosse um ignorante durante quarenta anos, pelo segredo de "Os prosélitos são tão duros para Israel como uma chaga".

O mesmo ocorreu com o Rabino lochanan ben Zacai, que foi ignorante por quarenta anos.

Isso se deu porque a raiz da Néfesh de ambos era da Gota de Sêmen de Iosséf, como já foi dito.

Por isso eu também passei por este pecado em minha vida, quando fiquei amarrado por nove meses, como mencionado anteriormente. Ele também me disse que o Rabino Iochanan ben Zacai e o Rabino Akiva eram os dois braços, direito e esquerdo, de Moisés, misturados com Cáin. Portanto, os três tiveram iguais anos de vida, cada um vivendo 120 anos. E é por isso que Moisés queria que a Torá fosse dada pelo Rabino Akiva, como mencionado no texto "Alfabeto do Rabino Akiva". Além disso, Moisés matou Og, rei de Bashan.

Nesta época estava misturada nele uma centelha de alma do Rabino

Shimon ben Natanael, cujas iniciais - [em hebraico], formam o nome: ’’  - Bashan, para aludir a Og, rei de Bashan. Por isso Moisés tinha medo de matar Og, porque ele tinha em si uma centelha da santidade e que o fazia temer o pecado. Depois, esta centelha veio se tornar um discípulo do Rabino Iochanan ben Zacai.

Numa véspera de Shabat, à tarde [Sexta-feira à tarde], ele viu escrito na minha testa "Preparem uma cadeira para Chizkiáhu, rei de Iehudá [Judá]". Isso indicava que em mim tinha se revelado a Néfesh dele, pelo segredo dos Acréscimos do Shabat.

Depois, naquele mesmo dia eu me irritei em minha casa e a Néfesh se foi de mim.

Naquela semana eu fiz um processo de arrependimento e na véspera do Shabat seguinte, o meu mestre viu que estavam unidos a mim, por meio do segredo dos Acréscimos do Shabat, o Rúach de Chizkiáhu e o Rúach do Rabino Akiva.

Mas eu voltei a me irritar em minha casa naquele dia e ele me disse que eles tinham ido embora.

Depois eu fiz um processo de arrependimento por toda esta irritação que eu estava tendo e ele me disse que tinha vindo até mim o Rúach de Ben Azai sozinho, mesmo não sendo ele da minha raiz [de alma]. Isso se deu, pois ele era sogro do Rabino Akiva. E ele me disse que na manhã da véspera de Shabat ele viu escrito em mim Akiva —  [escrito] com a letra Hê.

Em um dia de Shabat eu estudei dois versículos segundo a 'Sabedoria da Verdade' e o meu mestre me disse, na manhã de Shabat que ele via Ben Azai me dando dois bons presentes e exclamando que eu tinha feito uma belíssima nova interpretação naquele Shabat!

Eu lhe contei.

Então, ele me disse que como naquela noite anterior, de Shabat, eu tive a ideia repentina de ler uma mishná de Ben Azai, e eu tinha feito isso por três ou quatro vezes, por isso ele me deu estes dois presentes mencionados. Nos dias daquela mesma semana, ele me disse que via em mim um acréscimo no Rúach do lado do Abaiê, como mencionado no Zôhar, na Porção Semanal de Tsav, de que o sábio recebe um acréscimo de Rúach nos dias da semana, na mesma forma que o leigo o recebe no Shabat.

Em outro Shabat ele me disse que via escrito na minha testa o Tetragrama — ’’, de um modo bem brilhante. Isso indicava que o nome do Santíssimo estava me chamando. Ele me disse, então, que todas as centelhas que existiam na raiz de minha Néfesh, de Chizkiáhu até a minha, tinham vindo em mim pelo segredo dos Acréscimos daquele Shabat.

Isso tinha ocorrido então, até mesmo com o lado interno do Rúach de Chizkiáhu quando veio em mim.

No primeiro dia [hebraico: Rosh Chodesh] do mês de Tamuz ele me disse que estava vendo a Néfesh do Rav Dimi de Nehardeá pronta para entrar em mim por meio do Ibur, já que ela era da mesma raiz de minha Néfesh. Isso se deu porque naquele dia eu tinha cumprido um preceito de acompanhar o morto e o Rav Dimi tinha uma conexão especial com este preceito, sendo que ele se preocupava sempre com os preceitos relacionados a acompanhar os hóspedes e os mortos. Era por causa disso que ele queria entrar em mim como Ibur. Ele ainda me disse que Chizkiáhu, o rei, não tinha vivido todos os seus anos de vida que devia.

E que mesmo que tenham lhe acrescentado quinze anos de vida, foram acrescentados a ele dos anos que pertenciam a ele, e ainda ele ficou com alguns anos faltando.

O resto de seus anos foi completado pelo Rav Dimi que mencionamos, pois ele era a reencarnação do próprio rei Chizkiáhu, sem ter em si mistura de nenhuma outra centelha.

Era só ele mesmo.

Por isso Chizkiáhu disse "No apogeu de meus dias partirei" e "Privado estou do resto de meus anos," pois no Rav Dimi estavam o resto de seus anos e de seus dias de vida. [Em hebraico: "No apogeu" é — Bidemei, que alude a Rav Dimi.]

E eu, Chaim, vi duas vezes o Raba, o Amoraita, de abençoada memória, me cumprimentar duas vezes.

Uma quando estava rezando e outra num sonho. E o meu mestre, de abençoada memória, me disse que o Raba estava querendo fazer as pazes com o Rav Dimi, que estava me acompanhando. Isso porque ambos tinham uma rixa por conta do que o discípulo Rav Ada bar Ahavá fez no caso da maçã que trouxe ao Rav Dimi no navio, como é mencionado no Talmud.

Em um Shabat, encontramos em mim o Rav Mesharshiáh — ’’. O meu mestre disse que este era o segredo do Acréscimo do Shabat em completo, que veio da raiz da minha Néfesh.

O que acontece é que este nome é do aspecto de Aba e Ima, chamados — ’’[Um Nome Sagrado que se refere às duas primeiras letras do Tetragrama].

Sabemos que é daí que vem o Acréscimo do Shabat. As outras letras [que sobram] do nome são:  - mem, shin, resh e shin. Sendo assim, as duas letras — ’ Shin, se referem aos dois nomes: ’’, sendo que cada um deles tem o mesmo valor numérico da letra — ’ [= 300].

E estas são as duas letras do Acréscimo do Shabat mencionadas no Raia Mehemná, Porção Semanal de Itro, dentre os sete nomes mencionados ali. [HaSulam par. 534; versão antiga p. 92a — as sete letras com as quais os sete nomes são criados são: ’’’’] Ficaram, então, as duas letras: ’’  = 240, Mem e Resh, sendo que pela numerologia cabalística elas equivalem aos outros cinco nomes

mencionados lá: - [Hashem, Hashem, Elohim, El e Adonai].

Todos estes totalizam: ’’  = 234, e se unirmos o valor de sete dos próprios nomes ficamos com: ’’  = 241. Portanto, vemos que este nome é o Acréscimo do Shabat da raiz de minha Néfesh, e ele inclui em si os sete nomes do Shabat mais a sua fonte principal, que é: ’’ [Iáh].

E ele, o meu mestre, me disse que o rei Chizkiáhu é o aspecto da cabeça desta raiz de Cáin.

Cáin foi suspenso frouxo e sem força [entre os céus e a terra] na época do dilúvio; e como os nossos Sábios disseram, de que ele se corrigiu e se fortaleceu por meio de Chizikiáhu.

E a partir dali começou a se fortalecer, então, o aspecto da cabeça. E por isso [o nome] Chizkiáhu — ’’ - ; [seu nome pode ser lido como: Chazak Iáh - "Fortaleceu-se Iáh"].

É por isso que está escrito "Eu disse: Não tornarei a ver Iáh, pois Iáh está na terra dos viventes," pois ele veio fortalecer o aspecto da cabeça desta raiz, que é Iáh, pois é sabido que este Nome fica na Cabeça [as primeiras três letras do Tetragama são denominadas ‘Cabeça’].

No início ele achou que este aspecto da cabeça de Cáin ainda não tinha se corrigido e se completado no Rav Mesharshiáh, pois seu nome pode ser lido como: ’’   — Shoresh Iáh - "Raiz de Iáh", sendo que a raiz é a Cabeça e também o nome correspondente é o Iáh.

Por isso temos que o rei Chizkiáhu e o Rav Mesharshiáh são, ambos, da cabeça de Cáin.

No entanto, em Ezequiel, o profeta, se fortaleceu Cáin, do aspecto das pernas.

Este é o segredo de: "Filho do homem, levante-se e fique sobre suas pernas", pois ele era do aspecto de Filho de Adão' e por isso lhe foi dito para 'ficar sobre suas pernas', para ele as fortaler e as corrigir pois dali ele tinha vindo.

Por isso ele se chamava Ezequiel —  - Iechezkêl, pois no seu nome em hebraico está a mesma raiz da palavra "força" - Chazák. [De onde veio esse texto?: Kéter (Coroa), e, curiosamente, o Rei Chizkiáhu (Ezequias) que era um rei sábio e justo, foi capaz de prever que o seu filho não nascido ainda seria um rei perverso e que iria corromper os cidadãos de Judá, levando-os à idolatria. Por esta razão ele se recusou a ter um filho como esse. O profeta Isaías é enviado para lhe contar sobre sua futura morte por conta de sua recusa de cumprir o preceito de procriação. Como está dito no Tratado de Chaguigá: E eles morrem, mas não em sabedoria - refere-se àqueles que não se casam e morrem sem filhos. Ele, então, mudou de ideia e recebeu mais 15 anos para viver, já que ele viveu por seu nome: aquele que deu a força de — ’’ (15).]

Shimon ben Azai e Shimon ben Zomá são os dois Shin do nome Mesharshiáh.

Por isso Ben Azai se casou com a filha do Rabino Akiva, pois mesmo que ambos não sejam da mesma raiz minha eles têm uma proximidade muito grande à minha raiz.

E o mesmo ocorreu com Elias, o profeta, quando entraram nele por meio do Ibur as almas de Nadav e Avihú, que são de Cáin. Repare que ele vinha das filhas de Putiel, que é Jetró que, por sua vez, veio de Cáin, como os nossos sábios disseram.

Além disso, o mesmo ocorre com Elishá e Jonas (Iona), que possuem uma proximidade muito grande com a raiz de minha Néfesh, mas o meu mestre não quis dizer mais do que isso.

Em um dia de Shabat se revelaram em mim o Rami bar Iechezkél e o Rav Bibi bar Abaiê.

O meu mestre me disse que naquela mesma noite tinham lhe dito em sonho que o Rav Bibi - , estava aludido nas iniciais em hebraico do versículo:

 

- "Olha para Tsión (Zião), a cidade de nossas reuniões solenes... uma tenda que jamais será desmontada, cujas estacas jamais serão removidas." O meu mestre está aludido neste mesmo versículo, nas iniciais de:

 

- "Olha para Tsión, a cidade de nossas reuniões solenes", se trocarmos a letra Mem pelo Iud pelo método do Atbash.

Deste modo obtemos "Itschác", que é o nome de meu mestre.

Também lhe foi dito em sonho que as iniciais deste versículo possuem o mesmo valor numérico de Rachel, que é o segredo da Nucvá de Zeir Anpin, chamada por este nome.

Ela também é chamada de "Tsión, a cidade de nossas reuniões solenes", que sai do tórax de Zeir Anpin e por isso a palavra usada para "Olha" em hebraico também significa "Tórax", em vez de se escrever "Observa" ou "Veja", que é o que se esperaria se o hebraico fosse usado em vez do aramaico.

Isso foi feito para indicar o que mencionamos.

Abaiê - , pai do Rav Bibi também está mencionado nas iniciais das palavras:

 

- "uma tenda que jamais será desmontada, cujas estacas jamais serão removidas".

No entanto, ele não quis me ensinar qual é a finalidade de todas estas coisas.

Quanto à minha esposa, ele me disse que dentre todas as centelhas da raiz de minha alma não existe uma mais próxima do que a centelha do Rabino Akiva.

E que ele fica por perto de mim, e tudo que tinha ocorrido a ele, ocorreu. Ele me disse, então, que a minha mulher, Chána, é a encarnação de Calvá Savôa, o sogro do Rabino Akiva.

Repare que ele nasceu em um corpo feminino, vindo como mulher por meio da reencarnação, pois ele tinha sido uma Rebetsin [Rabino mulher, ou a esposa de um rabino] do Abaiê.

Repare que ele também era da raiz do Rabino Akiva, como é sabido. Por isso sobre ele está escrito no Talmud: "Abaiê disse: 'Ela me ensinou.'" Depois esta alma reencarnou em minha mulher, Chána. Repare que ela é uma reencarnação de um masculino e por causa disso eu não conseguirei ter filhos homens com ela, mas apenas mulheres. E até filhas ela não vai dar à Luz sem uma alma de outra mulher se juntar a ela, por meio do Ibur.

Meu mestre me disse que entrou nela, por meio do Ibur, a Néfesh da mulher de Tornseropus, o perverso, que posteriormente se casou com o Rabino Akiva, como é sabido.

Isto aconteceu devido à proximidade que o Rabino Akiva tem com a minha mulher, que era a encarnação do seu sogro, como foi dito. Depois disto ela engravidou de minha filha Angela. Quando ela nasceu, esta alma entrou nela por meio da encarnação e deixou o corpo de minha mulher.

Depois que minha filha Angela faleceu, esta alma precisava voltar a entrar por meio de Ibur pela segunda vez em minha mulher. Por isso ela voltou a dar à luz outra menina, que era a própria reencarnação da mulher de Tornseropus, o perverso, conforme mencionado. Se esta menina sobreviver, é preciso que uma Néfesh de outra mulher entre pelo Ibur em minha mulher antes que ela possa dar à luz outra menina e esta Néfesh reencarnaria nesta segunda menina. Mas, se esta Néfesh que vier permanecesse em minha esposa como Ibur e não se separar dela para entrar na criança, será possível que a criança a nascer, seja um menino [porque nesse caso, ela seria considerada como mulher, já que a Néfesh da outra mulher, do Ibur, ficou nela]. E meu mestre disse que minha esposa morrerá, e que depois eu me casarei com outra mulher, que terá riqueza enorme, nos moldes do Rabino Akiva com a mulher de Tornseropus.

Continuar: parte 3 de 5