Portal das Reencarnações

Isaac Luria · Capítulo 33 de 35 · parte 4/5

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Portal das Reencarnações

Portal das Reencarnações – Parte 38

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

Às vezes ele ainda dizia que eu era da asa do ombro esquerdo e que o Rabino Akiva era o ráquis que dá suporte à pena, sendo que eu era a pena e os pelos que dela saem.

Meu mestre também me disse que o lado interno da minha Néfesh é de Guevurá de Hód que existe no próprio Môach em cima, mas que ele desceu abaixo do seu nível, como mencionado.

O lado externo da minha Néfesh é de Chéssed do ombro esquerdo. Saiba também, que conforme nós esclarecemos a questão da divisão de Adão em 613 raízes grandes e em 600.000 raízes pequenas; e que cada raiz das 613 se dividiu em até 600.000 centelhas pequenas - tudo isso é no aspecto da Néfesh.

E o mesmo se aplica para o Rúach e para a Neshamá. Não precisamos estender mais nisso, pois é algo simples de entender.

Shemuel disse:

Já que estamos nisso, eu também vou expressar a minha opinião do que meu pai e mestre, de abençoada memória, me disse: que a raiz da minha Néfesh, eu Shemuel, é da centelha do Rabino Meir, que a paz esteja com ele.

E eu também fiquei sabendo disso através de um sonho em que o próprio Rabino Meir apareceu e me disse: "Você é uma centelha da minha Néfesh". Eu contei o que aconteceu para o meu mestre, e ele me confirmou que era verdade.

Ele ainda me disse coisas novas, de que o Rabino Meir tinha reencarnado no meu avô, de abençoada memória.

E seu nome era Rabino Iossef Vital, escriba de filactérios. E como o Rabino Meir era um grande escriba em sua geração, como nos informa a Mishná, portanto, meu avô, o Rabino Iossef, também se tornou um grande escriba — um perito e um mestre competente que não tinha igual a ele.

E o grande mestre Arizal falou para o meu mestre, que metade do mundo se sustentava pelos méritos do meu avô, ou seja, por meio dos filactérios casher que ele fazia.

Depois o meu avô reencarnou em mim, o jovem Shemuel Vital. Por isso eu também tenho um pouco este dom da escrita. Um dia o meu mestre me perguntou: "Por que eu fico calado e só ouvindo o que você diz, e eu não te repreendo, como um pai deve fazer com filho, mesmo que você me irrita? E ainda tem entre nós um grande amor, bem além do comum? — Tudo isso é porque você é o meu pai!"

E agora vou escrever o que meu mestre (o Ari), de abençoada memória, me disse [referindo-se a R. Chaim Vital] sete dias antes de falecer e partir para a vida no Mundo Vindouro.

E saiba que desde o primeiro momento em que falou comigo, ele me disse para ter cuidado em não revelar a história pessoal dele; nem a sua percepção espiritual e nem o nível do seu conhecimento para as outras pessoas, pois ele tinha vindo somente para corrigir a mim. Depois, através de mim os outros se corrigiriam. Ele me avisou que se eu revelasse esse assunto privado eu causaria um prejuízo muito grande para ele, para mim e para o mundo todo. Aconteceu que o meu mestre, Rabino Alsheich, tomou conhecimento das coisas ditas e colocou em decreto em cima de mim que lhe contasse todo o assunto.

Pela força do seu decreto, senti uma obrigação de lhe revelar tudo, e desde aquele dia em diante se multiplicaram as pessoas que passaram a visitar o meu mestre.

Eu achei, então, que tinha feito um grande preceito deixando todas aquelas pessoas merecerem arrepender-se.

Mas várias vezes o meu mestre me reprovou por isso pois ele não tinha mais tempo livre para estudar comigo, por conta da quantidade enorme de gente que vinha até ele.

Ele me dizia: "Você foi o responsável por todas estas pessoas que estão vindo até mim. Eu sou uma pessoa modesta, e mesmo que isso me traga prejuízo, eu não posso deixar de recebê-las". Com o passar do tempo, meu mestre quis tirar todas aquelas pessoas de cima dele, mas elas se recusavam a ir.

Elas o incitavam a prosseguir, até que um dia ele disse para elas: "Vocês querem causar um prejuízo a mim, me fazendo voltar por Ibur, por causa de vocês?"

E as pessoas que iam lá eram importantes, e continuaram insistindo, sem que ele pudesse fazer nada contra elas.

Não tinham passados nem três meses até que chegou um dia em que ele me chamou de lado, em segredo, e me disse: "Agora você já sabe o quanto eu tinha te alertado naquela questão, e quanto prejuízo caiu em você por causa disso. Porque se aquilo não tivesse sido acontecido, ele teria me elevado para cima do Círculo do Salgueiro [hebraico: Galgal Ha'aravót]. E saiba, que o fato de eu ter revelado estes segredos a eles causou um grande prejuízo em mim, porque ainda não são retificados (ou merecedores) para aquilo. E eu sou obrigado a responder por tudo que você me pergunta, como já tinha lhe dito muitas vezes. E por sua causa eles ouvem este conhecimento, mas eles não estão prontos para ouvi-lo ainda. E isso me prejudica muito. Portanto, ouve, por favor, o meu conselho e não pergunte nada para mim diante das pessoas. E me deixe em paz, para que assim todos eles vão embora, e só você ficará. E eu te elevarei acima do Círculo do Salgueiro [hebraico: Galgal Ha'aravót]". Mas eu não quis dar ouvidos a ele, e lhe disse que eu não queria sobre mim a responsabilidade do pecado de rejeitar todas aquelas pessoas e impedir que elas se arrependessem, só por causa de mim! Ele me disse, então, que não sabia se isso era um pecado ou não. No final, eu não quis fazer a sua vontade neste assunto. Ao ouvir a minha resposta ele começou a me explicar um pouco sobre a minha Néfesh, do modo como escreverei aqui.

Ele achou que com isso eu ia dar ouvidos às suas palavras, ao me fazer ouvir sobre a elevação de minha alma, e ia concordar em beneficiar-me sozinho.

Mas apesar de tudo isso - eu não quis.

Então, nós ficamos juntos durante todo o dia, até o por do sol, e ele não me demoveu.

Ele me disse: "Saiba que não há mais tempo, só o dia de hoje, e se você não aceitar as minhas palavras, não haverá mais correção para o prejuízo trazido a mim, a você e a todo o mundo por meio da revelação destes segredos a eles, pois ainda não havia permissão das alturas para que isso ocorresse."

Eu, com meu pensamento pecador, acabei sendo um 'piedoso tolo', e lhe disse: "O que acontecer a todo mundo, que aconteça a mim também! E se eles não forem estudar eu também não vou estudar. Deste modo não dirão nos céus que por causa de meu beneficio pessoal, não me importava do beneficio de todos aqueles justos que entraram para estudar". E isso eu disse, porque não estava ciente de todo o mal que eu estava fazendo com meu pensamento errôneo.

Depois de três dias ele foi acometido pela epidemia, na véspera do Shabat da Porção Semanal de Matot e Masssê, no primeiro dia do mês de Av de 5332.

Na terça-feira, dia 5 de Av, ele faleceu e foi para a vida do Mundo Vindouro.

Agora vou dizer o que ele me contou naquela ocasião, no dia em que me repreendeu, sobre a raiz de minha Néfesh.

Ele me disse: "Saiba, eu ainda não tenho permissão para lhe dizer para quê você tinha vindo ao mundo e quem você é. E se eu lhe dissesse detalhadamente o assunto em questão, você flutuaria no ar de tanta alegria. Então vou lhe contar um pouco do que tenho permissão agora para lhe dizer. E saiba que todo o mundo dependia da sua própria correção primeiramente. Portanto, ouça, por favor, os meus conselhos e cuide primeiro de você."

Ele me disse: "Saiba que a raiz do lado externo da vestimenta de sua Néfesh vem do ombro esquerdo de Adão, e ela é o aspecto da Néfesh de Cáin do lado bom que havia nele. E saiba que em todos os órgãos existem carne, tendões e ossos, sendo que os ossos são o nível mais elevado, por causa da medula que fica dentro dele, e não por causa dele, propriamente dito. Depois dele, em ordem de altura, vêm os tendões, sendo que a vitalidade do homem passa por dentro deles, pois o sangue passa dentro destes vasos do corpo humano. Além disso, eles unem todos os órgãos e os estabelecem. O nível mais baixo dos três é o da carne." Ele me disse que a raiz da minha Néfesh alma era dos pequenos tendões que se expandem na carne do órgão, e não aqueles 365 tendões maiores. O número de Sábios em cada um dos três aspectos: em cada raiz das 600.000 raízes menores existem 613 Sábios.

E eis que em cada aspecto destes três existem raízes que são os Sábios que pertencem a cada raiz, ou seja, a cada órgão.

Em volta deles crescem os galhos, ou ramos, que são os proprietários, os artesões e os leigos que pertencem a cada órgão. A minha Néfesh é um dos próprios 613 Sábios que existem na raiz da minha Néfesh.

Existe uma grande divisão entre a raiz de minha Néfesh e as outras raízes. Por exemplo, quem é do braço ou da perna têm uma distância muito grande entre si.

Mas quem é do ombro, então todos os Sábios ali têm uma proximidade grande entre eles.

A ordem da raiz de minha alma é a seguinte: Samuel, o profeta; Chizkiáhu, rei de Judá; Rabino Iochanan ben Zacai; Rabino Akiva ben Iossef; Rav Iba Saba de Mishpatim; Abaiê; o amoraíta, chamado de Nachmani e, por fim, eu, Chaim Vital.

Por isso, o Rabino Iochanán ben Zacai, quando estava para morrer, disse para preparar uma cadeira para o rei Chizkiáhu de Judá que está vindo. Apesar de haver várias Nefashót em uma raiz, não pense que a sua ordem real é a mesma que a ordem do seu nascimento e existência no mundo, pois às vezes as almas e raízes que são mais elevadas e grandiosas estão no fundo das Klipot e não podem se elevar até depois de muito tempo. Outras almas que são mais baixas do que elas podem vir ao mundo mais cedo do que estas outras.

Saiba ainda que às vezes elas possam reencarnar juntas em um corpo, até três ou quatro almas de uma vez, mas nunca mais do que quatro. Por isso está dito "cobro a iniquidade dos pais nos filhos, sobre terceiras e sobre quartas gerações."

(Veja também Introdução 36) — Vou esclarecer a questão da minha Néfesh e dela 'você pode deduzir às outras.

Saiba que o Rav que compôs o livro Maguid Mishná pecou sem querer no assunto da mulher menstruada.

Por conta disso, ele precisou reencarnar.

Um homem chamado de Rabino Shaul Trishti também teve que reencarnar por causa de um pecado de derramamento de sangue, pois ele queria circuncidar um bebê, mas não estava totalmente pronto para isso, sendo que a criança morreu por sua causa.

Este pecado foi sem querer também, mas mais próximo de um ato intencional.

E logo em seguida a ele, veio outra pessoa, chamada de Rabino Iehoshúa Soriano, que precisou reencarnar por causa de uma transgressão de ter ingerido gordura proibida do animal.

Eis que estas três Nefashot mencionadas são galhos, ou ramos, da minha Néfesh.

Por conta disso, elas vieram de fato encarnadas com a minha Néfesh. Eis que eu tenho em mim quatro Nefashot encarnadas ao mesmo tempo, sendo que todas precisam se purificar desta transgressão. E mesmo que eu não tenha tomado parte nestes pecados, como eu sou da parte dos tendões, eu preciso limpar o ranço causado por estes pecados anteriores, para que a vitalidade volte a fluir em toda a raiz [de minha Néfesh].

E vê-se que estas três Nefashot são velhas e reencarnadas, mas a centelha da minha Néfesh de fato é nova, pois desde o momento em que Cáin pecou, e as centelhas da sua Néfesh caíram no fundo das Klipot, esta centelha da minha Néfesh não tinha vindo ao mundo — só nesta vez. E saiba que ela não é chamada 'realmente nova', pois ela já esteve no mundo uma vez, inclusa na Néfesh de Cáin, propriamente dito. Isso já foi explicado quando falamos das almas novas e velhas (Introdução 7).

Saiba que é impossível haver mais de três almas reencarnadas e uma nova no mesmo corpo, como está aludido no versículo que fala das 'terceiras e quartas gerações'.

Este também é o segredo do versículo "Vê que o Santíssimo pratica tudo isto duas, e mesmo três, vezes para com o ser humano," pois até três almas podem reencarnar com um ser humano, mas não mais do que isso. Porém, menos do que isso é possível.

Portanto, podemos ter uma alma reencarnada sozinha, ou uma reencarnada com uma nova, ou duas reencarnadas sozinhas, ou três reencarnadas com uma nova.

Porém, mais do que isso é impossível vir no corpo de um ser humano. Você também já sabe a questão do Ibur, que acontece durante a vida da pessoa e que se parece um pouco com uma encarnação. Conforme será explicado no seu próprio lugar, e como foi explicado em relação à reencarnação, o mesmo vale para o Ibur; é impossível que apareçam [no mundo], pelo segredo do Ibur, mais do que três almas que venham para ajudar a própria Néfesh de um ser humano. Ou seja, no total, são no máximo quatro Nefashot e não mais do que isso. E existe uma diferença entre o Ibur e a reencarnação, pois a reencarnação significa que as Nefashot reencarnam e vêm juntas desde o próprio momento do nascimento, e elas não se separam de modo algum até o dia da morte.

Todas elas formam uma só Néfesh de fato, e sofrem a angústia e as pesares que aquele corpo sofrer.

Mas no caso do Ibur temos duas possibilidades: a primeira é quando a Néfesh vem por questões próprias, isso é, para o próprio bem daquele que veio por Ibur naquele corpo — como será explicado. A segunda é quando a Néfesh vem para ajudar a pessoa que a recebe. Quando ela vem por sua própria causa, ela só entra no corpo depois que a pessoa completar treze anos e um dia de vida, pois antes disso as ações do homem não são pesadas como sendo suas, pois esta pessoa ainda não tem obrigação legal de cumprir os preceitos.

Como a Néfesh vem para reforçar a sua correção, então ela só vem depois dos treze anos e um dia de vida, pois aí ela entra e se expande dentro do corpo daquela pessoa, como se fosse sua própria Néfesh. Ali ela sofre a angústia e as pesares juntamente com ela daquele corpo, igualmente como a própria Néfesh daquela pessoa. E ela fica lá dessa forma, até completar o tempo que for preciso para corrigir e completar o que é necessário.

Depois disso, ela sai de lá e volta para o seu local nas alturas. Mas quando a Néfesh vem para auxiliar a pessoa e ampliar os seus méritos, ela também só vem depois da pessoa ter treze anos de idade. Porém, ela vem por vontade própria.

Isso significa que ela completamente não precisa sofrer a angústia daquela pessoa e do seu corpo.

E, de fato, ela não sente alguma angústia do corpo e do seu sofrimento. Se aquela Néfesh estiver satisfeita com aquela pessoa, então ela fica lá com ela, se não, ela vai embora e diz: "Retirai-vos logo de junto das tendas destes homens maus."

Vou esclarecer uma questão relacionada a raiz da minha Néfesh, e dela você aprende sobre as outras.

O meu mestre, de abençoada memória, me disse que se eu tiver mérito suficiente, entrará em mim, por meio do Ibur, o Abaiê. Se eu merecer ainda mais do que isso, também entrará em mim o Rav Iba Saba.

Com ainda mais méritos, entrará em mim o Rabino Akiva. E às vezes, um deles entrará em mim por Ibur, e outras dois, e outras, todos os três.

Mas, mais do que esses três é impossível.

Mesmo assim, se eu merecer ainda mais, entrará em mim o Rabino lochanan ben Zacai com o Rabino Akiva junto com o Rav Iba Saba. Neste caso, a iluminação do Ibur do Abaiê será cancelada entre eles. Isso continuará até [eu chegar] aos primeiros de todos, que são: Samuel, o profeta; o rei Chizikiáhu e o Rabino Iochan ben Zacai. [Quando esses três entrarem], a iluminação do Ibur dos demais será cancelada.

Depois ele me deu explicações sobre a raiz da minha Néfesh de modo mais claro.

(Veja Introdução 7 e 25) — Saiba que Cáin e Hével pegaram para si também a Néfesh de Atsilut de Adão.

É sabido que todos os mundos estão ligados entre si, e depois que uma pessoa completar o Tikun da parte de Assiá, ela pode subir até o mundo de Ietsirá.

Do mesmo modo, [vai subindo] até ela chegar a Atsilut, como mencionado no início [da porção] de Mishpatim.

Mas tudo isso se dá quando uma nova alma (Neshamá) aparecer, como foi explicado em outro local.

Portanto, vê-se que todos os mundos estão ligados entre eles e que cada mundo serve como 'trono' para o outro.

Existem aspectos de almas que jamais conseguiram corrigir algo que não fosse apenas a Néfesh de Assiá.

E existem aquelas que chegaram até Ietsirá, e aquelas até Beriá, e aquelas até Atsilut.

São poucas, entre todas as raízes, que conseguiram corrigir até o mundo de Atsilut.

Isso não é tão fácil de encontrar como ocorre no caso de Cáin e Hével, sendo eles chamados de 'alma nova' de certa forma, como já foi explicado. Por isso eles conseguiram pegar até a Néfesh de Atsilut, mas não mais do que isso.

O resto das raízes, composta de 'almas velhas', não conseguiu chegar até Atsilut, e tomara que tivesse conseguido chegar sequer até Beriá. E saiba que Cáin e Hével também possuem em si estes dois aspectos. O primeiro é apenas o das Nefashot de Cáin e Hével deles, que é do mundo de Beriá para baixo, que é igual a todas as raízes velhas. E existe um segundo aspecto, mais elevado, que é aquela parte do próprio Adão, e que lhes foi legada no momento em que nasceram. Esta parte não desceu às Klipot por conta do pecado de Adão. Parece-me, segundo a minha humilde opinião, que é a centelha da Néfesh do pai que ele transfere para dentro da Néfesh do filho para guiá-lo, como é sabido.

E ela é uma centelha das coroas chamadas 'Chalá do mundo', que permaneceram em Adão, propriamente dito.

A centelha que ele passou a Cáin foi maior do que a de Hével, pois ele é o primogênito e seu irmão mais velho.

Neste segundo aspecto também existe uma extensão de todos os mundos, desde a Néfesh de Assiá até a Néfesh de Atsilut, do mesmo modo que existiam em Adão.

Portanto, todo aquele que é deste segundo aspecto possui uma vantagem muito grande, pois em suas mãos existe a capacidade de corrigir, na primeira vez que vem ao mundo, até a Néfesh de Atsilut. No entanto, mais do que isso não é possível, pois elas não são chamadas 'almas novas' totalmente.

E toda a raiz de minha Néfesh é deste segundo aspecto. E já expliquei em outro lugar que neste segundo aspecto também existem mais dois aspectos, que são: A Luz Interna e a Luz Circundante. Toda a minha raiz é do aspecto da Luz Interna. Elias, o profeta, também é do aspecto da Luz Interna deste aspecto. E todo este aspecto possui em si a Luz Interna da Néfesh de Átsilut [que chega] até Briá, Ietsirá e Assiá.

Mas Nadav e Avihú eram da Luz Circundante da Néfesh de Atsilut deste segundo aspecto.

Saiba que Cáin está no ombro do braço esquerdo em todos os mundos, seja em Arich, Aba, Ima, Zeir Anpin, ou em Nucvá; ou também em Assiá, Ietsirá e Briá.

Oposto a ele está Hével, que é o ombro do braço direito. O que se passa é que nos três mundos de Briá, Ietsirá e Assiá eles são chamados de braços.

Enquanto no mundo de Átsilut eles não são chamados de braços, mas de asas; sendo que Hével é chamado a asa direita e Cáin, a asa esquerda. Este aspecto dos braços e das asas possui a Luz Interna e a Luz Circundante, como já foi mencionado.

Portanto, Cáin e Hével deste segundo aspecto não conseguiram obter nada além das asas de Malchut de Atsilut, o que se chama de Néfesh de Átsilut. E todas estas raízes podem atingir e obter até este nível logo na primeira vez que vêm ao mundo.

Mas dali para cima elas não conseguem atingir mais nada se não reencarnarem mais uma vez.

E saiba que todo mundo que é deste segundo aspecto, justamente por conseguir pegar de uma vez até a Néfesh de Atsilut, é chamado de "anjo". Por isso, em qualquer local em que você vê que o título de anjo esteja atribuído a um justo, isso se deve ao fato de ele ser dessa raiz. Portanto, sobre Pinchás está escrito: "e ela o escondeu" em relação a Rachav, a meretriz, que não precisava escondê-lo, porque ele era um anjo, ou seja, era desta raiz.

Do mesmo modo, Elias, o profeta, era um anjo. Iehudá e Chizkiáh, filhos do Rabino Chiá também eram chamados de anjos, como vemos relatado no Talmud ao se falar "Foram divididos dois amoraítas na terra — e correpondente a eles dois anjos no céu." Isso mostra que Iehudá e Chizkiáh eram chamados de anjos, pois eles eram desta raiz, do segundo nível de Cáin.

O Rabino Iehudá bar Elai também era desta raiz de Cáin — do segundo [aspecto].

Sobre ele foi dito no Talmud: "Quando ele lavava o rosto, as mãos, e os pés para receber o Shabat, parecia com um anjo do exército do Santíssimo." Enoque (Chanóch), que pegou para si a Zihará Ilaá de Adão, que é também [o nível que chega] até a Neshamá de Atsilut, [virou um anjo]. Porém, era um anjo da parte da sua raiz, e por isso ele era um anjo ainda mais elevado do que Elias, pois todo aquele que é do nível de Atsilut é chamado de anjo, e pode atingir o nível de um anjo, e lembre-se disso.

(Veja Introdução 35) Esclareceremos a questão dessa asa, e o que significa: Saiba que Cáin é o ombro esquerdo de Adão, como já foi dito, e nele existem três aspectos, que são: carne, tendões e ossos. E nos mundos de Briá, Ietsirá e Assiá, em todos os cinco Partsufim que existem em cada um desses mundos, há raiz de Cáin no ombro esquerdo de cada um deles, localizado no membro do ombro. Porém, não há o aspecto de asa.

E no mundo de Atsilut o aspecto de asa existe além da carne, tendões e ossos que estão no ombro esquerdo daquele local. Portanto, vê-se que esta raiz do segundo aspecto de Cáin tem, em Atsilut, o aspecto do ombro propriamente dito, que inclui a carne, tendões e ossos, e também tem uma ligação à asa que sai dali.

Essa asa consta das penas que saiam do mencionado membro do ombro que está em Atsilut.

Isso porque dali para baixo não há aspecto de asa, apenas o ombro sozinho.

E esclarecerei a questão do membro da asa, porque a questão do próprio ombro já havíamos esclarecido antes.

Saiba que esta asa esquerda que é de Cáin tem em si três mil penas, vindas dos Mochin de Gadlut (Maturidade), Ieniqá (Amamentação) e Ibur. [Elas são divididas em] mil grandes, mil intermediárias e mil pequenas. E em cada uma destas penas existem cento e cinquenta centelhas de almas.

E em cada uma dessas penas existem 150 - "  almas. E em cada pena existe um aspecto do poro do qual cresce a pena, e dentro dele está o aspecto do sangue que circula dentro da pena. E a própria pena; no seu início no local em que ela se prende [à asa] há um pequeno tubinho que não tem pelos que saiam das suas laterais. Ela tem, mais para cima, um pouco do tubinho que não fica preso [à asa], e ali também não há pelos.

Dali para cima existe [uma parte do] tubo no meio [da pena] com dois pelos dos seus dois lados.

E assim vai até o fim da pena.

Entre os pelos, existem os grandes e compridos e os pequenos e curtos. E saiba que os pelos pequenos são as centelhas de almas [de pessoas] que morrem ainda pequenas, na sua infância.

E saiba que a pena é mais elevada do que o poro e do que o sangue. Por sua vez, o tubo da pena é mais elevado do que os pelos; e os pelos longos são mais elevados do que os pelos curtos. E cada pena tem cento e cinquenta centelhas de almas - pelo próprio valor numérico da palavra — "  (Kanáf= 150) que significa - "asa". O número também está aludido no próprio nome de Cáin — " , que é escrito com as letras — " .

E isso se aplica à asa esquerda, que é a dele.

Mas na asa direita, que é de Hével, a divisão da pena é diferente, e segue o nome dele em hebraico — " . Neste caso, cada pena se divide em cinco partes e cada parte contém 32 [centelhas], conforme o nome – " [ (= 5) x " (= 32)] que é também o mesmo número de — " (150) centelhas de Cáin. Porém, cada uma das — "  centelhas de Cáin que estão em cada pena, se divide por seis e é chamada —  (Kên — ninho) Enquanto cada centelha de Hével se divide em cinco grupos, e cada grupo em 32 centelhas.

Esta é a única diferença entre ambos.

E vou esclarecer a questão da asa esquerda; o ombro inteiro e a asa inteira fazem o total da raiz de Cáin - do aspecto da externalidade, como dito anteriormente.

Mas a minha raiz verdadeira e específica, que é do segundo aspecto de Cáin (Veja Introdução 7 e 12), vem do aspecto dos tendões que estão no ombro esquerdo, que existe nos quatro mundos de Atsilut, Beriá, Ietsirá e Assiá. Além disso, também hã um aspecto da minha raiz na asa esquerda, que fica em Malchut de Atsilut, onde há também uma asa. Ela está localizada na pena de número "  (Êzer = 277, ajuda) das mil penas grandes e nela existem - "  (150) centelhas de almas. As centelhas desta pena são as almas verdadeiras que são chamadas 'minha raiz do aspecto da asa', independentemente do seu aspecto dos tendões do próprio ombro.

O poro desta pena é Abaiê

E o sangue que fica neste poro é Rami bar Chama. A ponta do pedúnculo [da pena] que fica emperrada ali se divide em dois, pois a gota de sangue que fica dentro do pedúnculo o divide em dois aspectos.

Isso não acontece depois que o pedúnculo sai do poro. O lado esquerdo é o profeta Samuel, e o lado direito meu mestre não disse quem era.

O resto do pedúnculo, que não tem pelos, é Chizkiáhu, rei de Judá. E depois, dali em diante, o pedúnculo se divide e se estende entre os pelos, sendo que cada aspecto do próprio pedúnculo sustenta os pelos. Deste modo, a cada dois pelos, um da direita e um da esquerda, temos o raque [uma parte que segura] no meio.

E eu, o jovem Chaim, sou de um pelo esquerdo desta pena. O raque [que segura esse pelo] é o Rabino Akiva ben Iossef. Iehudá e Chizkiá, filhos do Rabino Chia, não são desta pena, de número 277, mas de outra, que é maior do que esta.

A centelha da alma do meu irmão, o honrado Rabino Moshé Vital, é desta mencionada pena de Iehudá e Chizkiá.

O Rabino Iehudá bar Elai é de outra pena ainda, menor do que esta pena numerada 277, e por isso ele acabou se tomando discípulo do Rabino Akiva. A centelha de alma do Rashba e do Rabino Iossef Caro, autor do livro Beit Iossef, são da mesma pena que o Rabino Iehudá bar Elai. E saiba que Cáin possui uma grande vantagem quando comparado a Hével. A vantagem, como já havia te informado, é que as Guevurot de Atic Iomin [Ancião do Dias], que ficam dentro de Arich Anpin, de onde sai a Ima Superior, se revelam por um longo tempo antes dos Chassadim. Além disso, as Guevurot estão sempre reveladas. Por isso quem está deste segundo aspecto da raiz de Cáin pode se elevar grau após grau, e Guevurá após Guevurá, até chegar na Guevurá de Atic Iomin, e se sustentar [literalmente: amamentar] dali. O que não é no aspecto de Hével, pois ele é dos Chassadim, que ficam sempre ocultos e não se revelam tanto [quanto as Guevurot]. É por isso que os Sábios disseram, no Midrash Rabá, Porção Semanal de Chucát: "O Rabino Chunia disse que seus olhos viram tudo que é precioso — isso se refere ao Rabino Akiva e seus amigos, pois coisas que não foram reveladas a Moisés, nosso mestre, foram reveladas para o Rabino Akiva". Também é isso que está dito no Alfabeto do Rabino Akiva e ainda no Tratado de Shabat, no capítulo Rabino Akiva, em que relata que Moisés falou para o Santíssimo, bendito seja, dizendo: "Tu possuis um homem como este e queres dar a Torá por meio de mim?" Isso porque o Rabino Akiva conseguia alcançar mais do que ele, pelo motivo mencionado acima.

Isso é porque está dito no Tratado de Shabat; "No momento em que Moisés subiu para as Alturas, ele encontrou o Santo, bendito seja, atando coroas às letras e disse: Quem está Te impedindo? E Ele respondeu: Eu possuo um homem, e seu nome é Akiva ben Iossef..." etc. A questão é que aqueles que são da raiz de Hével não conseguem alcançar nada que fique além das coroas das letras, que são os Taguin. Mas a raiz de Cáin, do segundo aspecto, tem a possibilidade de alcançar até os Teamim, ou ainda mais do que isso.

No entanto, Moisés, nosso mestre, alcançou tudo isso por meio de seus enormes atos.

(Veja Introdução 35) Ainda existe outro motivo que diferencia quem é da raiz de Cáin, que é de Ima, de quem é do lado de Aba, ou seja, dos Chassadim e das Guevurot de Aba.

O que acontece é que Nêtsach, Hod e Iessód de Ima que se revestem em Zeir Anpin - até o tórax de Zeir Anpin existe apenas um revestimento. E a luz que sai dali é muito intensa e grandiosa. Portanto, a luz da alma que sai de lá é grande fica revelada. Mas a alma que vem do lado de Aba tem menos luz, já que o Aba está coberto por dois revestimentos até o tórax de Zeir Anpin: Um é dele e o outro de Ima.

E do tórax para baixo; Ima é revelada totalmente e Aba fica coberto por um revestimento.

Por isso as almas que são de Chassadim ou de Guevurot reveladas são mais elevadas do que as almas que vêm dos locais ocultos, apesar de elas serem mais altas em relação a seu local.

É por isso que na Guemará está escrito (Pessachim 50a, Baba Batra 17b): "Eu vi o mundo invertido, sendo que os de cima estavam embaixo e os de baixo estavam em cima, etc.".

Ainda existe outro motivo, que é assim:. Aba não ilumina de modo algum, só por meio dos Chassadim e das Guevurotá de Ima, que passam por ali. Por isso elas são maiores do que eles.

Inclusive, há outro motivo: As Guevurot saem, primeiro, por meio de Iessód, como mencionado, e por isso Cáin era o primogênito, pelo segredo de "Uma mulher virtuosa é como uma coroa para seu esposo." E saiba que no futuro, toda a raiz de Cáin se tornará sacerdote, e a raiz de Hével, que é de sacerdotes até hoje, será de levitas. Isso porque tudo que até hoje é do nível dos levitas é do lado de Guevurá, como Côrach, que era da raiz de Cáin.

Então todos eles pegarão o sacerdócio, que é a parte de sua primogenitude. Este é o segredo do versículo "os sacerdotes que devem guardar o altar. São os filhos de Tsadoc, os quais, dentre os filhos de Levi." Isso só acontece com Ezequiel, pois ele era desta raiz de Cáin, e por isso professava essas profecias sobre o futuro; os que eram levitas até então se tomariam no futuro sacerdotes, filhos de Tsadoc. E a raiz de Hével, que era de sacerdotes, tornar-se-ia então, de levitas.

(Veja Introdução 20) E saiba que se numa geração houver duas almas de uma mesma raiz encarnadas em dois irmãos, ou em dois amigos, estas pessoas se odiarão e brigarão entre si por natureza. Isso porque um fica querendo pegar sustento [espiritual da sua raiz] mais do que outro.

E um fica sentindo inveja do outro, sem nem saber o motivo. Porém, se eles chegarem a saber, de algum modo [que são da mesma raiz], então certamente não brigarão mais entre si.

E saiba que isso só se dá quando estiverem vivos. Mas as almas dos justos que faleceram têm muita vontade de completar as Nefashot e as Neshamot que são da mesma raiz que elas e que ainda estão entre os vivos.

Isso porque elas já não mais atuam neste mundo e por isso não tem mais inveja, ou seja, já não há mais competição para chegar mais longe do que outro, "pois na sepultura (Sheól) para onde você vai, não [há valor pela] atividade, nem conhecimento".

Pelo contrário, elas ganham muito beneficio das atividades dos vivos.

(Veja Introdução 27) E agora vou esclarecer a questão da raiz da minha Néfesh; é preciso você saber que não existe sequer uma pessoa que não possua Luz Interna e Luz Circundante, conforme o modelo do Tsélem que fica em cima da Cabeça de Zeir Anpin.

Quando Nadav e Avihú apareceram no mundo, que foi o início da correção desta raiz ,de Cáin, ali vieram exclusivamente todas as almas desta raiz inclusas nela.

Isto é, elas vieram inclusas na imagem deles, no aspecto de Luz Circundante em cima delas.

Porém, elas ainda não se purificaram; apenas o aspecto das centelhas [se purificou].

Enquanto todas as outras almas desta raiz, que então estavam inclusas no Tsêlem da Luz Circundante delas, estavam [todas — cada uma delas] misturadas dentro das Klipot.

Depois, quando outra alma surgiu desta raiz e veio ao mundo, então somente esta alma se purificou e se revelou.

Todas as outras almas desta raiz passaram a vir inclusas no Tsêlem pelo segredo da Luz Circundante dela.

Mas elas ainda estavam todas imersas nas Klipot — cada uma delas na sua Klipá.

A situação permaneceu assim até a vinda do Rav autor do livro Maguid Mishná ao mundo.

Ele se envolveu com a filosofia, durante a época do Badrashi, chamado de Rabino Iedaiáh Hapnini, de abençoada memória. Ele é mencionado no Responsa do Rashba, de abençoada memória. E o Rav do Maguid Mishná o seguiu e não acreditava na sabedoria da Cabalá.

Por conta disso as 'forças externas' [do mal] queriam enganá-lo por causa da sua transgressão e tiraram a centelha de minha alma do fundo das Klipot, junto com outras 'forças externas', para confundi-lo por meio de mim.

Isso porque elas pensavam que eu já estava perdido entre elas há bastante tempo, e que eu já estava no mesmo nível que eles. Depois, como a centelha da minha Néfesh é de um local elevado, sendo, em especial, da raiz do Rav, o Autor do livro Maguid Mishná, a Santidade da minha Néfesh superou as Klipot, e as sobrepujei. E, mais ainda, eu o fortaleci e ajudei, pelo segredo do versículo "um homem governa sobre o outro só para seu próprio mal" conforme mencionado no Saba de Mishpatim.

Sendo assim, eu fiquei permanentemente, segundo o segredo de Luz Circundante, em cima da cabeça do Rav Maguid Mishná, mesmo não sendo ele do mesmo nível que eu.

Foi assim que eu comecei a sair do fundo das Klipot. E saiba que todas as almas que estão imersas no fundo das Klipot não podem sair de lá e imediatamente reencarnar e vir ao mundo. É preciso primeiro, que [cada uma] delas venha três vezes pelo segredo do Tsêlem da Luz Circundante em cima de três pessoas da mesma raiz que ela. Depois ela pode vir ao mundo sozinha, pelo segredo de uma 'alma interna de fato'.

Isto é considerado a sua primeira vez, já que antes ela estava vindo inclusa em outras Centelhas.

A partir dali é considerado por ela reencarnações. A centelha da minha Néfesh, então, ficou, pelo segredo do Tsêlem, em cima da cabeça do Rav Maguid.

Na segunda vez, eu fui o Tsêlem em cima da cabeça do Rabino Shaul. E depois, na terceira vez, em cima do Rabino Iehoshúa, mencionado acima. E agora, desta vez, eu vim como uma alma interna de fato, sendo que esta é a primeira vez que vim ao mundo.

Comigo reencarnaram as três pessoas mencionadas; sendo que elas vieram comigo e se juntaram a mim, para corrigirem a si mesmas. E como esta é a primeira vez que saí do fundo das Klipot, eu tenho por causa disso uma dificuldade muito grande em controlar minha má inclinação.

Este é o motivo pelo qual estou sempre triste e preocupado. E ele [meu mestre] me disse que meus pecados não têm muito peso perante o Santíssimo, bendito seja, como acontece com o pecado dos outros, pois eu ainda estou imerso nas Klipot e é preciso um grande esforço para sair do meio delas.

E se não fosse isso, com relativa facilidade eu conseguiria tomar-me uma pessoa bem piedosa, conforme o tamanho de minha alma. Isso só por esta ser a primeira vez que sai do meio das Klipot. O mesmo aconteceu com o Rei David, como já foi explicado em outro local.

Ainda existe outro motivo, que é: Quem é da raiz de Cáin possui em si um Bem muito grande, mas este bem se encontra misturado com muitas Klipot contaminadas e malévolas, de modo que o Mal acaba sendo maior do que o Bem.

O motivo disso é porque esta pessoa é da raiz de Guevurót, aonde se apegam os severos julgamentos das Klipot.

O meu mestre me disse que como eu já tinha vindo ao mundo três vezes pelo aspecto do Tsêlem, e agora é a primeira vez que vim pelo aspecto de uma 'alma interna de fato', reencarnada, a centelha que começou a corrigir-se em mim, pelo segredo do Tsêlem sobre minha cabeça, como dito anteriormente, era Iuval, mencionado na Porção Semanal de Bereshit, como está dito: "E o nome de seu irmão era Iuval" pois ele também era da raiz de Cáin.

Todos os machucados e ferimentos que eu tenho constantemente na minha mão, por causa das facas e instrumentos de ferro, são causados por eu não o estar corrigindo corretamente, e que ainda tem Klipot nele. Eu já expliquei um pouco deste assunto de Iuval nos ensaios anteriores.

Meu mestre também me disse que no dia 28 de Tamuz de 5332 eu já estarei corrigido do aspecto de Néfesh de Assiá, apenas até o aspecto do ombro esquerdo da Nucvá de Assiá.

Meu mestre também me disse que eu teria filhos de minha raiz. E ele me disse que eu teria duas outras esposas. E que dentro de um ano ou um ano e meio ele disse que eu me casaria com uma mulher chamada Ora Boiena; e que depois eu ainda me casaria com outra mulher, e seu nome é [não está mencionado!] que seria minha alma gêmea de fato.

No último Pessach ele tinha me dito que a minha alma gêmea ainda não tinha vindo ao mundo.

Então, pode ser que ela venha pelo segredo do Ibur, não sei. Adendo:

Shemuel disse: Eu ouvi da boca do meu pai, meu mestre, que ouviu do Ari, que a minha mãe, a Rabanit Jamila Mabet, era sua verdadeira alma gêmea, e ele [meu pai] já tinha dito isso a ela algumas vezes, na minha frente. No mesmo ano em que morreu o grande Rabino [referindo-se ao Rabino Isaac Luria], nasceu a minha mãe, Jamila Mabet, já mencionada.

Uma conclusão que surge de tudo o que foi discutido anteriormente é, que em Adão não estavam inclusas as almas de Aba e Ima de Beriá, mas apenas de Zachar e Nukvá e para baixo.

Eis que aí temos dez Partsufim: Zachar e Nukvá de Beriá; e Aba e Ima e Zachar e Nukvá de Ietsirá; e Aba e Ima e Zachar e Nukvá de Assiá. Cada Partsuf destes dez contém em si Dez Sefirot, e dentro delas mais Dez Sefirot.

De modo que temos Dez Partsufim e Mil Sefirot; cada Partsuf com cem Sefirot.

Dez delas são o aspecto de Kéter (Coroa).

Portanto, vemos que nos Dez Partsufim existem cem Coroas (hebraico: Ketarim).

Só estas ficaram em Adão depois do pecado, e são chamadas como os 'cem amot, [o que virou a altura dele] depois que tinha se diminuido. Todas as outras novecentas Sefirot caíram nas Klipot. Nestas cem Coroas (Ketarim) também ficou uma mácula, pois de cada uma delas as nove Sefirot iniciais foram afastadas, o que se chama de Zihará Ilaá.

As dez Sefirot de cada Coroa (Kéter) ficaram na luz da Néfesh delas, que é a Malchut inferior de cada uma delas. [Isso é conforme o segredo da ordem oposta entre os Receptáculos e as Luzes: Quando os Receptáculos tem apenas Kéter, então a única Luz que entra ali é a da Néfesh.]

Eis que temos três aspectos nas almas que estavam incluídas em Adão antes de ter pecado.

Elas estavam nos dez Partsufim que existem desde Zeir Anpin de Beriá até o fim de Nucvá de Assiá.

O primeiro é o aspecto das luzes chamadas: lechidá, Chaiá, Neshamá e Ruach que existem naquelas cem Coroas (Ketarim). Foram estas luzes que partiram dele quando ele pecou e que subiram às alturas, e são chamadas de Zihará Raá de Enoque. O segundo é mais baixo e é composto das almas que ficaram em Adão depois que ele pecou, e não partiram dele nem desceram para as Klipot. Este é o aspecto da luz chamada de Néfesh das cem Coroas (Ketarim), que existe em cada Sefirá das dez Sefirot de cada Partsuf dos dez Partsufim mencionados.

O terceiro aspecto é o mais baixo de todos, e inclui todas as almas, que são todas as luzes dos nove aspectos inferiores que existem em cada Sefirá das dez Sefirot de cada Partsuf dos dez Partsufim mencionados. Estas desceram para o fundo das Klipot.

E a cada dia sobem pouco a pouco e se corrigem. Então, a Zihará Ilaá se dividiu em dois tipos de luminescências (hebraico: Zihará): O primeiro está no mundo de Atsilut, correspondente a Iechidá, Chaiá, Neshamá e Rúach de Atsilut.

E o segundo tipo é o da luminescência dos três mundos de Beriá, Ietsirá e Assiá, que são Iechidá, Chaia, Neshamá e Rúach das cem Coroas (Ketarim) que estão nos dez Partsufim que existem desde Zeir Anpin de Beriá até o fim de Nucvá de Assiá.

Estas luminescências partiram completamente de Adão. Ainda existe outra luminescência, inferior, que também se divide em duas partes.

Uma delas é a Néfesh que está em Atsilut e a outra é a Néfesh que existe nas cem Coroas (Ketarim) que fica nos dez Partsufim de Beriá, Ietsirá e Assiá, como mencionado.

Estas ficaram em Adão; uma parte delas ficou para ele e uma parte foi passada como herança para Cáin e Hével quando eles nasceram. Ainda existe um terceiro nível, que é o das novecentas Sefirot que existem nos dez Partsufim mencionados com exceção das cem Coroas (Ketarim). Estas Sefirot caíram e ficaram cobertas pelas Klipot.

Continuar: parte 5 de 5