A Vida Intelectual: Seu espírito, suas condições, seus métodos

Capítulo IV – O Tempo do trabalho

Capítulo IV

O Tempo do Trabalho- O Tempo do Trabalho

I. O TRABALHO PERMANENTE

De muitas maneiras diferentes tivemos já de definir a lide intelectual. É contudo necessário examinar mais de perto suas diversas condições e antes de mais nada o tempo que o pensador lhe dedica.

O estudo já foi denominado uma oração à verdade. Ora, a oração, nos diz o Evangelho, jamais deve ser interrompida: “É preciso orar em todo momento e não desfalecer” (Lucas 18:1). Bem sei que se pode compreender esse texto com benignidade; ele quereria então dizer: não passem nenhum dia, semana, longo período, sem dirigirem-se a Deus. Mas nossos doutores evitaram estreitar a esse ponto tão grande dito; tomaram-no ao pé da letra e dele tiraram uma doutrina profunda.

A oração é a expressão do desejo; seu valor é constituído por nossa aspiração interior, por seu teor e por sua força. Retirem o desejo, a oração deixa de ser; alterem-no, ela muda; reforcem ou atenuem sua impetuosidade, a oração alça voo ou perde as asas. Inversamente, suprimam a expressão deixando intocado o desejo, a oração, sob muitos aspectos, permanece intacta. Uma criança que nada diz, mas fita com um olhar ardente o brinquedo de uma vitrina, depois olha para a mãe que sorri, não terá formulado a mais comovente das orações? Que nada tivesse visto, o desejo pelo jogo, inato na criança como a sede de agir, não constitui para os seus uma oração permanente que eles atenderão?

É preciso orar em todo momento equivale pois a dizer: em todo momento é preciso desejar as coisas eternas, as coisas do tempo que está a seu serviço, o pão cotidiano de toda natureza e toda ocasião, a vida em todas as suas amplidões, terrestres e celestes.

Apliquem esse comentário à oração ativa do estudo, estarão entrando numa consideração extremamente valiosa. O pensador é um consagrado; ele é entretanto um pensador em atividade apenas durante umas poucas horas. Carlyle dizia: “Não creio que literato algum tenha dedicado à literatura a quinta parte de seu tempo”. Já que, assim sendo, a maior parte de sua vida fica em nível ou nivelada por baixo, o homem das alturas fica obrigado a tornar a descer e se inclinar: que lucro, se ele pudesse não se dobrar por completo!

Como a oração pode durar o tempo todo, porque ela é um desejo e o desejo se mantém, por que o estudo não duraria o tempo todo, ele que também é um desejo e um apelo ao verdadeiro?

O desejo de saber define nossa inteligência enquanto potência de vida. Instintivamente nós queremos conhecer do mesmo modo como pedimos pão. Se a maioria dos homens se demora em desejos mais terrenos, o pensador possui a particularidade de ser obcecado pelo desejo de saber: por que não fazer com que esse desejo trabalhe, quero dizer, trabalhe constantemente, como um curso de água sob o qual instalaram-se turbinas?

Isso é viável, e a psicologia o demonstra, tanto quanto a experiência. O cérebro trabalha o tempo todo; as turbinas que estou cobrando existem, elas giram, elas acionam um mecanismo de rotação do qual as ideias escapam como centelhas de um dínamo funcionando em potência máxima. Os processos nervosos se encadeiam numa série contínua e não cessam mais do que os batimentos do coração ou a respiração em nosso peito. O que falta para fazer uso dessa vida permanente em benefício da verdade? Unicamente disciplina. É preciso que os dínamos estejam acoplados às turbinas, as turbinas ligadas à corrente; é preciso que o desejo de conhecer acione regularmente, e não de modo intermitente, o funcionamento cerebral consciente ou inconsciente.

A maior parte de nossa atividade nervosa não serve para nada, por não estar sendo captada. A bem da verdade, ela não pode sê-lo inteiramente, pois nosso poder sobre ela é relativo e, forçando o rendimento, se quebraria a máquina; mas pouquíssimos são os que procuram o possível. O hábito tem nisso um peso determinante; quando bem estruturada, ela age como uma segunda natureza, e é aqui que nossos conselhos práticos encontram seu lugar.

“Tudo o que puderes”, diz Santo Tomás ao estudioso, “esforça-te por guardá-lo no cofre do espírito, como aquele que tenciona encher um vaso”. Voltaremos a essa comparação que poderia prestar-se a uma interpretação equivocada; mas trata-se aqui da preocupação em adquirir, não do meio para tanto. O que importa ao homem da verdade é compreender que a verdade está em toda parte, e que ele deixa passar sua correnteza contínua sem aproveitá-la para ativar sua alma.

“A sabedoria clama nas ruas”, diz a Bíblia; “eleva a voz nas praças públicas; prega à entrada dos lugares ruidosos; às portas da cidade, ela dá a ouvir sua voz: até quando, ó ignorantes, amareis vossa ignorância?... Convertei-vos... E espalharei sobre vós meu espírito... Estendo a mão e ninguém me dá atenção” (Provérbios 1:20-24). Esse premente apelo à verdade, se lhe dessem ouvidos, expandiria o espírito e o enriqueceria mais que muitas sessões de trabalho. Estas permaneceriam necessárias, mas a luz que nelas se concentra iria se expandindo de modo a recobrir quase que a vida inteira; uma corrente se estabeleceria e jogaria luz sobre os resultados do pensamento difuso, levando-os depois de volta a este último para dar-lhe orientação, um alcance que se tornaria habitual e, consequentemente, fecundidade.

Vejam o que acontece quando querem mobiliar um apartamento. Até então os senhores sequer pensavam nos móveis, tanto que, ao circular nas ruas de Paris onde de cada quatro lojas uma é de antiguidades, nem mesmo reparavam nelas; as formas que nelas existiam não lhes chamavam a atenção; as tendências da moda eram-lhes desconhecidas, e também as chances de fazerem grandes achados, a especialidade de tal ou qual bairro, as faixas de preços etc. Pelo contrário, com o espírito em estado de alerta por meio do desejo, tudo os marca, tudo os detém; Paris passa a ser uma vasta loja, e em uma semana aprendem o que uma vida inteira não teria podido ensinar-lhes.

A verdade é mais difundida que os móveis. Ela grita pelas ruas e não nos desleixa mesmo quando nós a desleixamos. As ideias estão nos fatos; elas estão também nas conversas, nos acasos, nos espetáculos, nas visitas e perambulações, nas leituras mais corriqueiras. Tudo contém tesouros, porque tudo está em tudo e algumas leis da vida ou da natureza governam todo o restante.

Newton teria descoberto a gravitação se a atenção que ele dava ao real não o tivesse prevenido e predisposto a notar que as maçãs caem como os universos? As leis da gravitação dos espíritos, as leis sociológicas, filosóficas, morais, artísticas não são menos aplicadas por toda parte. Um grande pensamento pode nascer acerca de todo e qualquer fato. Em toda contemplação, nem que seja a de uma mosca ou de uma nuvem passando, há oportunidade para reflexões sem fim. Toda réstia de luz pode levar ao sol; toda passagem aberta é um corredor para Deus.

Ora, essas riquezas, nós poderíamos captá-las se estivéssemos presentes. Encarando tudo dentro de um estado de espírito voltado para a inspiração, veríamos por todo lado ensinamentos, profecias da verdade ou confirmações, pródromos e prosseguimentos. Mas na maioria das vezes não estamos presentes, ou nossa atenção está ausente. “Todo mundo olha para o que eu olho”, dizia Lamennais em Saint-Malo, diante do mar revolto, “mas ninguém vê o que eu vejo”.

Adquiram então o hábito de estar presentes nesse jogo do universo material e moral. Aprendam a olhar e confrontem o que se apresenta aos senhores com suas ideias costumeiras ou secretas. Não enxerguem numa cidade unicamente casas, mas vida humana e história. Que um museu não lhes mostre quadros, e sim escolas de arte e de vida, concepções do destino e da natureza, orientações sucessivas ou variadas da técnica, do pensamento inspirador, dos sentimentos. Que uma oficina não lhes fale somente de ferro e de madeira, mas da condição humana, do trabalho, da economia antiga e recente, das relações de classes sociais. Que as viagens lhes ensinem a humanidade; que as paisagens lhes evoquem as grandes leis do mundo; que as estrelas lhes falem das durações incomensuráveis; que os pedregulhos do caminho representem para os senhores resíduos da formação da terra; que a visão de uma família se una a seus olhos à das gerações, e que o menor relacionamento lhes traga informações sobre a mais elevada concepção do homem. Se não souberem olhar assim, não se tornarão ou não serão mais que um espírito banal. Um pensador é um filtro em que a passagem das verdades deposita sua melhor substância.

Aprendam a escutar e escutem, primeiramente, quem quer que seja. Se é no mercado, como afirmava Malherbe, que se aprende sua língua, também no mercado, isto é, na vida cotidiana, se pode aprender a linguagem do espírito. Um sem-número de verdades circulam nos discursos mais simples. A mais ínfima palavra escutada com atenção pode ser um oráculo. Um lavrador se revela em certos momentos muito mais sábio do que um filósofo. Todos os homens são iguais ao fazer com que tudo reflua para o fundo de si próprios, e se alguma impressão profunda, um retorno instintivo ou virtuoso à simplicidade de origem, afasta as convenções, as paixões que comumente nos furtam a nós próprios ou aos outros, ouve-se sempre um discurso divino, quando um homem fala.

Em cada homem está o homem todo, e uma profunda iniciação pode nos advir disso. Se fossem romancistas, não percebem o que aí poderiam aproveitar? O maior dos romancistas se forma na soleira das portas, o menor na Sorbonne ou nos salões. Com a diferença que, em vez de se imiscuir, o grande observador se reserva, ele vive de si para si, ele ascende, e a vida mais ínfima se apresenta para ele como um grande espetáculo.

Ora, o que o romancista procura pode servir para todos, pois todos precisam dessa profunda experiência. O pensador só é deveras pensador se ele encontra na mais leve das impulsões vindas de fora a oportunidade para uma propulsão sem fim. Está em seu caráter conservar por toda a vida a curiosidade da infância, a vivacidade de suas impressões, sua tendência em ver tudo sob o ângulo do mistério, sua admirável faculdade de encontrar por toda parte surpresas produtivas.

Contudo fiquem à espreita muito especialmente da felicidade de ter um encontro com alguém que sabe e que pensa. Que tristeza é ver os homens da elite ser tão pouco úteis a seu círculo de conhecidos! São praticamente assimilados aos débeis mentais; aproveita-se deles o que eles têm de comum, não o que possuem de raro. Está aí um tesouro, e fica-se brincando com a chave sem abrir. Sorri-se às vezes de sua falta de jeito, de suas pequenas esquisitices de pessoas abstraídas, e é uma coisa bem inocente; mas o que é tolo é assumir um ar de superioridade que esquece o grande ser.

Os grandes valores já são dispersos o bastante para que sejam deixados assim sem proveito. Eles se aproveitam a si próprios, e todo mundo tira deles proveito sem se dar conta; mas, no caso de dar-se conta, recebe-se deles uma instrução e uma impulsão que decidirão o rumo de toda uma existência. Um bom número de santos, de grandes capitães, de exploradores, de cientistas, de artistas, o foram por ter encontrado uma personalidade eminente e ouvido o som de uma alma. Os ecos desse chamado silencioso se fizeram ouvir neles até o fim de sua vida, e era um clamor que os tocava em frente; uma correnteza invisível os carregava. A palavra de um grande homem, como a de Deus, é às vezes criadora.

Mas é sabido que os grandes homens só o são após a morte. A maioria não os reconhece. Alguém que talvez valha tanto quanto Descartes está sentado a seu lado, e os senhores não o escutam, não o interrogam, discutem com ele de modo provocador, cortam-lhe a palavra para dizer bobagens. E se ele não tiver aptidão desse feitio, apesar de sua grandeza de espírito, será um bom motivo para deixá-lo silenciosamente enterrar ou levar embora sua riqueza?

Observando e escutando – não menciono a leitura, pois ainda voltaremos a esse tópico – aprenderão a refletir, farão seu e adequarão a suas necessidades o que terão adquirido. As grandes descobertas se resumem a reflexões sobre fatos comuns a todos. Passa-se miríades de vezes sem nada ver e, um dia, o homem de gênio observa as amarras que ligam ao que ignoramos o que está sob nossos olhos a cada instante. O que é a ciência senão a cura lenta e progressiva para nossa cegueira? É bem verdade que a observação precisa ser preparada por estudos e por soluções anteriores. Encontra-se o que se procura. Só é dado a quem já possui. É por isso que eu falava de um vaivém entre as luzes de dentro e as de fora. De qualquer forma, o espírito deve estar numa disposição permanente para refletir, como numa disposição permanente para ver, para ouvir, para atirar na presa em pleno voo, como um bom caçador.

Vamos ser ainda mais precisos e dizer que esse despertar do espírito pode resultar em proveitos não apenas para nossa cultura geral, mas também para nossa especialidade, e também para nosso estudo atual, nosso trabalho em andamento. Levem seus problemas consigo. O cavalo de aluguel faz sua corrida e volta para sua baia; o livre corcel vive com as narinas ao vento.

Já que a verdade está por toda parte e que tudo está interligado, por que não estudar cada questão a partir de tudo quanto estiver relacionado com ela? Tudo deve alimentar nossa especialidade. Tudo deve vir testemunhar a favor ou contra nossas teses. O universo é em grande parte o que nós fizemos dele. O pintor vê por todo lado tão somente formas, cores, movimentos, expressões; o arquiteto equilibra massas; o músico capta ritmos e sons, o poeta temas de metáforas, um pensador ideias em ato.

Não há nada aqui que remeta a um particularismo restrito; trata-se de método. Não se pode levar tudo adiante ao mesmo tempo. Conservando um olho para a livre observação, dedica-se a uma investigação particular a atenção sobressalente e, “pensando sempre no assunto”, como Newton, faz-se a coleta de dados para uma obra.

Estar sempre à espreita de pensamentos: eis o grande segredo. O espírito do homem é um ruminante. O bicho olha ao longe, masca lentamente, arranca um tufo aqui, colhe um raminho ali, fica com o prado todo para si, e também o horizonte, compondo com um seu leite, com o outro sua alma obscura.

Ensinam-nos a viver na presença de Deus: não podemos também viver na presença da verdade? A verdade é como que a divindade especial do pensador. Tal verdade específica ou tal objeto de estudo podem estar presentes a nós a todo momento. Será sábio, será normal deixar o homem de pesquisa em seu gabinete de trabalho ter, desse modo, duas almas: a do trabalhador e a do bon-vivant dado a perambulações? Esse dualismo não é natural; ele leva a pensar que a busca da verdade é para nós um ofício, em vez de uma nobre paixão.

Para tudo há um tempo, diz a Bíblia, e tenho de reconhecer que não se pode evitar dividi-lo; mas já que, na realidade, se pensa o tempo todo, por que não empregar esse pensamento em benefício daquilo que nos inquieta?

Vai-se dizer que uma tal tensão é incompatível com a saúde cerebral e com as condições da vida? Certo. Só que não se trata de tensão, nem mesmo, em geral, de vontade efetiva. Falei em hábito, falemos, se preferirem, de subconsciência. Nosso espírito tem o poder de funcionar sem nós, se lhe prepararmos, por pouco que seja, suas tarefas e traçarmos ligeiramente o mapa dos canais onde suas correntes obscuras se introduzirão.

Com o desejo de saber bem ancorado nos senhores, a paixão da verdade acesa, sua atenção consciente tendo-se voltado com frequência para os fatos da vida próprios a entreter o fogo e a satisfazer o desejo, transformem então seu espírito num sabujo perpetuamente empenhado em caçar. Não é mais algo penoso para ele; ele está apenas obedecendo a uma nova natureza. Os senhores pensam já tão facilmente numa dada direção quanto antigamente o faziam ao acaso.

Essa direção sem dúvida não passa de algo aproximativo e ficar em estado de tensão máxima seria um absurdo; mas conviria recusar o que tem probabilidade de ser, pautando-se pelo que não tem? Têm a seu dispor um recurso imenso; empregam-no estabelecendo um pouco de disciplina num trabalho cerebral que se realiza, mas sem sua participação e de modo anárquico. Regulem esse trabalho, e que seu cérebro também seja um intelectual.

Com a prática, notarão que isso não cansa nem um pouco, que isso, pelo contrário, poupa muito cansaço; pois os achados feitos assim, ao acaso de onde se pousar o olhar, sem tê-los buscado, simplesmente por se estar resolvido e treinado para não ser cego, essas invenções, pois, não raro as mais felizes porque são espontâneas, encorajam sobremaneira o pesquisador; elas o mantêm em estado de prontidão e de otimismo; ele espera com alegria pela hora do recolhimento em que poderá registrar e desenvolver sua descoberta.

Reiteradas vezes se obterá dessa maneira a conexão difícil, a saída que se teria procurado em vão à escrivaninha, bloqueado num ponto de vista e não conseguindo escapar dele. O que não tinha a menor relação com o trabalho leva a alguma coisa que se torna sua base. A ciência laboriosa ficará com isso inteiramente iluminada; se saberá para onde se está indo e se terá esperança de ser contemplado em breve com um novo golpe de sorte.

Esse procedimento baseado no acaso condiz com as contingências cerebrais e com o processo obscuro da associação de ideias. Toda uma série de leis se aplica aqui, sem que exista uma lei para sua aplicação a esta ou aquela, em tal ou qual hora, tudo isso se articulando sem nossa participação – quero dizer, independentemente de nossa vontade expressa, sob a exclusiva impulsão do desejo que é a alma do pensador e que o qualifica como o jogo caracteriza a infância, como o amor a mulher –, isso não é a sobrecarga que se acredita ser.

Uma mulher se cansa, durante um passeio, de ficar espiando a reação dos transeuntes para com ela, ou uma moça de esperar a oportunidade para dar uma gargalhada, ou um rapazinho para sair pulando? O espírito que está à espreita da verdade por amor, não por imposição, por uma tendência primeiramente instintiva, depois provavelmente cultivada, mas amorosamente, apaixonadamente, tampouco sofrerá. Ele brinca, ele caça, ele pratica algum esporte útil e inebriante, ele ama, e nada está mais distante do esforço específico e voluntário das horas de concentração.

Assim, o sábio circula, chova ou faça sol e por toda parte, com um espírito já amadurecido para aquisições que o vulgo nem nota. A mais obscura das ocupações é para ele o prolongamento da mais sublime; suas visitas formais são investigações proveitosas, seus passeios explorações, suas audições e respostas silenciosas um diálogo que a verdade nele mantém consigo mesma. Em todos os lugares seu universo interior se confronta com o outro, sua vida com a Vida, seu trabalho com o incessante trabalho dos seres, e ao sair do espaço exíguo onde se concentra seu estudo tem-se a impressão não de que ele está abandonando o verdadeiro, mas de que ele escancara sua porta para que através dela o mundo empurre até ele todo o verdadeiro que se despende durante suas potentes movimentações.