A Vida Intelectual: Seu espírito, suas condições, seus métodos

IV. Os sacrifícios necessários

Concluam, a partir disso, a obrigação de se decidirem, no devido tempo, pelos sacrifícios necessários. É muito doloroso ter de se dizer: ao optar por um caminho, deixo de lado mil outros. Tudo é interessante; tudo poderia ser útil; tudo atrai e seduz o espírito generoso, mas há a morte e há as necessidades do espírito e das coisas: não há alternativa a não ser submeter-se e contentar-se, em lugar do que o tempo e a sabedoria lhes furtam, com o olhar de simpatia que será uma nova homenagem ao verdadeiro.

Não tenham vergonha de ignorar o que os senhores poderiam conhecer tão somente pelo preço da dispersão. Tenham humildade quanto a isso, sim, pois é assim que ficam demarcados nossos limites. Porém, os limites que aceitamos são parte de nossa virtude; uma grande dignidade resulta daí, a do homem que permanece dentro de sua lei e desempenha seu papel. Somos muito pouco, mas fazemos parte de um todo e é para nós uma honra. O que não fazemos, nós o fazemos mesmo assim: Deus o faz, nossos irmãos o fazem, e nós estamos com eles na unidade do amor.

Não acreditem, pois, que tudo lhes é possível. Avaliem-se, avaliem sua tarefa. Após algum inevitável tateio, saibam limitar-se sem rigidez; conservem, mediante leituras e, se necessário for, pequenos trabalhos, o benefício das primeiras aprendizagens, o contato com as vastidões, porém quanto à parte principal de seu tempo e de suas forças, concentrem-se. O semicientista não é quem só sabe metade das coisas, é aquele que só as sabe pela metade. Saibam o que decidiram saber e deem uma olhada no restante. O que não pertencer a sua vocação própria, entreguem-no a Deus que disso cuidará. Não sejam desertores de si mesmos, por ter querido substituir-se a todos.