Caderno H
Sinal vermelho
Em certos trechos da cidade, a sinaleira do tr áfego não é automática, mas humana, isto é, há um homem a distribuir a seu bel-prazer os verdes e os vermelhos. Mas eis que aquele homem de profissão humilde dá preferência aos que possuem automóvel — e que exatamente por andarem mais depressa, podem esperar um pouco mais — , de modo que nós, os pedestres como ele, temos de aguardar um tempo enorme até que se nos abra o sinal verde. E às vezes ao frio, ao vento, à chuva. Concluirei daí que a máquina é mais humana do que o homem? Não, ele é que é humano mesmo. E quem foi que falou em puxa-saquismo? O que se pode concluir, com justeza, é que a máquina é mais democrática.