Caderno H
A carta
Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto e vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida...
Coisas incrí veis no céu e na terra
De uma feita, estava eu sentado sozinho num banco da Praça da Alfândega quando começaram a acontecer coisas incríveis no céu, lá para as bandas da Casa de Correção: havia uns tons de chá, que se foram avinhando e se transformaram nuns roxos de insuportável beleza. Insuportável, porque o sentimento de beleza tem de ser compartilhado. Quando me levantei, depois de findo o espetáculo, havia umas moças conhecidas, paradas à esquina da Rua da Ladeira.
— Que crepúsculo fez hoje! — disse-lhes eu, ansioso de comunicação.
— Não, não reparamos em nada — respondeu uma delas. — Nós estávamos aqui esperando o Cezimbra.
E depois ainda dizem que as mulheres n ão têm senso de abstração...