Caderno H

Mario Quintana · Capítulo 74 de 362

Páginas do PDF

Caderno H

A carta

Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto e vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida...

Coisas incrí veis no céu e na terra

De uma feita, estava eu sentado sozinho num banco da Praça da Alfândega quando começaram a acontecer coisas incríveis no céu, lá para as bandas da Casa de Correção: havia uns tons de chá, que se foram avinhando e se transformaram nuns roxos de insuportável beleza. Insuportável, porque o sentimento de beleza tem de ser compartilhado. Quando me levantei, depois de findo o espetáculo, havia umas moças conhecidas, paradas à esquina da Rua da Ladeira.

— Que crepúsculo fez hoje! — disse-lhes eu, ansioso de comunicação.

— Não, não reparamos em nada — respondeu uma delas. — Nós estávamos aqui esperando o Cezimbra.

E depois ainda dizem que as mulheres n ão têm senso de abstração...