Caderno H

Mario Quintana · Capítulo 258 de 362

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Caderno H

Uma expressão antiga

No Tempo da Era usava-se esta gostosa expressão pra cima do interlocutor: “Diz isso cantando!” Quando alguém resolve musicar alguma coisa que a gente escreveu, não será mais ou menos isso o que acontece?

O Benson

Leio novelas policiais, não só para tapear a insônia como também porque já passei da idade de ler coisas sérias, mas isto já são outros quinhentos mil-réis e que um dia trocarei em miúdos... Leio, pois, novelas policiais. Só o que me atrapalha é o Benson. Quando estou quase adormecendo — e isto pela página 138, n ão deixo por menos — aparece-me o Benson! Levo um choque, acordo-me da cabeç a aos pés... Quem será o Benson? Dada a sua atuação, deve ser uma personagem importante e que já andava fazendo das suas desde os primeiros capítulos. Mas esses nomes ingleses se parecem tanto.

Imposs ível diferençá-los. Se ao menos se chamassem Trompowsky ou Gomensoro!

É verdade que, para dormir, também já experimentei o velho processo de contar ovelhas. Mas entre elas me surgia um Benson. Contudo, esse Benson ovino, eu bem o conhecia. Era aquela ovelha que me despertava da pachorrenta modorra enumerativa, pulando subitamente a cerca e me fazendo arregalar de todo os olhos: “Olha uma ovelha preta!”

O Diabo que a carregue. E a ti tamb ém, ó misterioso Benson...