Caderno H
O viajante às avessas
... at é que o condutor me bateu no ombro: “fim da linha, seu moço”.
Desci. E fui andando, meio desconfiado.
Praças com bancos de madeira, curvos e verdes como as árvores. O pé de moleque do calçamento irregular da rua. Os lampiões de esquina.
O quiosque (um quiosque!) de revistas, cigarros, balas, miudezas.
Mas fui andando, andando — como é que eu sabia o caminho? — e finalmente entrei na velha copa de azulejos, lá onde Tia Tula já estava, como sempre, servindo o gostoso café com leite. Entreparou e disse: — Mas por onde terá andado esse menino?!
Aquele seu jeito, tão dela, de ralhar na terceira pessoa...
E, como eu ainda estivesse com um ar ausente: — Meu Deus, em que será que esse menino pensa tanto?
E acrescentou, baixinho:
— Até parece um velho de sessenta anos!