Caderno H
A face e o espelho
Assim devia ser a relação de autor para leitor: uma face nua num espelho límpido. Mas é tão difícil... Ou a face está mascarada ou o espelho embaciado.
Cesá rio Verde
Li apenas duas vezes a obra de Cesá rio Verde. Dele me ficaram dois versos, duas suaves assombrações que, de longe em longe, atravessam, por um momento, minha memória distraída:
“os querubins do lar flutuam nas varandas...”
“enleva-me a quimera azul de transmigrar...”
Dois versos, direis que é pouco para uma obra inteira, de toda uma vida! Há poetas que se contentam com um busto em praça pública.