Caderno H

Mario Quintana · Capítulo 264 de 362

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Caderno H

Memórias da cidade morta

Era um poste chamado Espia Só, apelido esse que lhe deram os outros postes. Porque era o último poste do fim da linha e era ele quem espiava a primeira e a última estrela. O primeiro leiteiro e o último bêbado. E via coisas que os outros, enfileirados na rede de ilumina ção, apenas imaginavam nas suas longas noites de ardente insônia.

Só ele ouvia bem a serenata dos banhados.

Um dia um joão-de-barro fez-lhe a casa em cima. Uma casa pobre, limpinha, funcional. Cheia de ordem e amor. — Impossível essas duas coisas juntas, pelo menos no mundo dos homens — assim pensou um joão-ninguém.

E continuou pensando assim, até que um dia amanheceu enforcado no poste... Espia só!