Caderno H
Da saudosa distância
Da saudosa distâ ncia
Antes, muito antes que a r ádio houvesse conspurcado os espaços, escrevi em Alegrete um poema de que apenas recordo estes versos:
“entre a minha casa e a tua
h á uma ponte de estrelas”.
Era uma ponte de silê ncio... Quando muito, uma nova Ponte dos Suspiros. Agora Maria acaba de me telefonar do Rio. Não era a voz dela. Havia algo de mecânico, de metálico, de inumano naquela voz, como se fora a voz de uma maria-robô. Faltava-lhe esse calor humano que só a presença animal de uma pessoa nos pode transmitir... e que faz com que qualquer mentira tenha tanta verdade!