Caderno H
Veneração
Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.
Policiais
Dashiell Hamett dizem que é o inspirador do que hoje consideram a nova linha do romance policial. Nova? Nick Carter (lembram-se?) já resolvia tudo a soco. Grande coisa! Assim, até eu e tu, leitor, se tivésssemos força.
O detetive ideal, para mim, é o que tem uma poltrona. O detetive dedutivo. Até o próprio Sherlock foi às vezes infiel a si mesmo, com grande consternação de todos nós.
Outra interferência indébita, na pureza do gênero, são as mulheres. As mulheres enchem as escadarias de gritos. As mulheres, nas ocasiões menos adequadas, histerizam o grave desenrolar da ação, esquecidas de que o silêncio é o grande fator do suspense. Isto quando não se metem a criar um caso sentimental com alguns dos personagens ou com o próprio detetive. Neste caso, se o detetive for mesmo o tal, deve convencê-las de que são personagens perdidas de algum outro livro, de um outro gênero e para outros leitores.